Em 1982 não foi o Brasil que chegou a Espanha, foi toda uma filosofia de como jogar futebol.

Aterrou com Sócrates, Zico, Júnior, Alemão e Falcão – pela mão de Telê Santana. E o objectivo era ganhar o Mundial. A jogar bonito.

Só que apareceu o clínico (os especialistas usam cínico) Paolo Rossi e pôs um fim abrupto a tudo isso – ao título e à beleza do futebol brasileiro.

Essa partida em Barcelona a 5 de julho de 1982 ficou conhecida como “A Tragédia de Sarrià”.

«Hay victorias que trascienden en el tiempo y que en el imaginario popular se recuerdan con tanto o más calado que el triunfo en finales. Sucede hoy con los tres goles de Rossi en Sarrià»

O avançado da Itália marcou 3 golos ao Brasil no jogo decisivo da passagem às meias-finais (depois de ambas as seleções terem vencido a Argentina de Maradona) e eliminou a seleção favorita e candidata a fazer frente à campeã mundial de 1970 de Pelé (Tostão, Jairznho, Rivelino e Gerson).

 

 

Esse 3-2 (Rossi marcou aos 5, 25 e 74) derrotou o Brasil (marcaram Sócrates aos 12 e Falcão aos 68) e o Brasil nunca lhe perdoou.

Sete anos depois, em 1989, foi a São Paulo para participar na Copa Pelé, um torneio de veteranos.

Contou depois que foi maltratado por taxistas e vaiado cada vez que tocava na bola. Em 2002 quando lançou a sua autobiografia chamou-lhe “Ho fatto piangere il Brasile” (fiz o Brasil chorar).

 

Itália de Bearzot em blackout

Até aquela tarde no estádio em Barcelona Rossi não tinha marcado nenhum golo em quatro jogos no Mundial de 1982 (ficou em branco conrta a Polónia, Peru, Camarões e Argentina).

Depois dos três golos ao Brasil anotaria mais 2 contra a Polónia nas meias-finais (2-0) e um na final frente à Alemanha (3-1).

Foi uma reviravolta para uma Itália que não tinha vencido nenhum jogo na fase de grupos e tinha conseguido a qualificação com três empates (0-0 com os polacos, 1-1 com peruanos e 1-1 com camaronses).

A seleção de Bearzot estava pressionada com a imprensa italiana desde o início da prova e decretaram blackout até ao fim.

 

 

O primeiro dos primeiros

Rossi foi o primeiro jogador da história a ser, no mesmo ano, melhor marcador do Mundial, campeão e vencedor da Bola de Ouro – depois dele apenas Ronaldo (o Fenômeno) conseguiu esse feito, em 2002.

Rossi fê-lo, claro, em 1982, no Mundial de Espanha. Os seus 6 golos foram fundamentais para a Itália conquistar seu terceiro título mundial.

Mas Rossi fez muito mais que isso.

Está no lote restrito de apenas 8 jgadores a terem consguido vencer o Mundial a Champions e a Bola de Ouro. E esta?

 

Os 8 jogadores a vencer o Mundial, a Champions e a Bola de Ouro

 

O céu depois do inferno

O título mundial em Espanha foi também o momento de redenção para o avançado da Juventus.

Rossi tinha sido suspenso por dois anos devido ao envolvimento no escândalo de apostas clandestinas no futebol italiano entre 1979 e 1980 – conhecido como Totonero, levou castigos a clubes (o Milan e a Lazio desceram de divisão), dirigentes e jogadores.

Por causa disso, Paolo Rossi ficou fora do Europeu de 1980 (a Itália seria eliminada pela Bélgica e perderia o 3º lugar para a Checoslováquia) e voltou a jogar a menos de dois meses do Mundial de 1982 – voltou a 29 de abril.