Günther Behnisch e Frei Otto imaginaram uma tenda. O arquiteto e o engenheiro pensaram em grandes copas de vidro acrílico estabilizadas por cabos de aço que foram usados pela primeira vez em grande escala – a ideia era imitar os Alpes.

Pôr do sol no Estádio Olímpico de Munique em julho de 2015 | foto IMAGO

 

Estava feito. E a ponte estava construída: ligava os Jogos Olímpicos de 1936 realizados em Berlim, durante o regime nazi, e os Jogos de 1972 em Munique, a celebrar um Alemanha moderna.

Nascia há 48 anos o Olympiastadion para aqueles que se queriam os melhores JO de sempre (não fosse o atentado a 5 de setembro e poderíamos estar a falar nisso).

Tornou-se também o primeiro estádio a possuir chão aquecido e zonas VIP – outro pormenor, foi a casa do Bayern durante mais de 30 anos.

No primeiro jogo o Bayern goleou o Schalke 5-1 – no primeiro jogo televisionado do país – e venceu o terceiro título na Bundesliga (os bávaros somam 29 títulos agora, em 57 edições disputadas). A equipa de Munique venceria mais dois campeonatos seguidos.

Beckenbauer, Müller e o Bayern bateriam vários recordes: além de vitórias e títulos, Gerd Müller terminou uma das épocas com o recorde  de 40 golos – foi 7 vezes o melhor marcador da Bundesliga.

Sábado 4 julho 19h00
Alemanha – Final da Taça
Bayer Leverkusen vs Bayern Munique
7,50 – 5,35 – 1,28

 

O último jogo no Olympiastadion aconteceu em 2005, antes de o Bayern se mudar para o moderno e brilhante Allianz Arena (construído também a pensar no Mundial 2006 – foi aqui o primeiro jogo da prova ganha pela Itália).

Já se passaram 15 longos anos desde que ali se jogou à bola para uma competição oficial.

Mas o estádio histórico vai voltar a abrir as portas para o Türkgücü München poder jogar as suas partidas da 3.Liga na próxima temporada. O clube, sediado na comunidade turca de Munique, foi formado em 2009 numa fusão entre o Türkischer SV 1975 München e o ATA Spor München.

 

O solo que devorou Criujff

 

A Holanda e o seu Futebol Total deveriam vencer a final do Mundial de 1974 – ali, no Olympiastadion. Mas os anfitriões, liderados por Beckenbauer e Müller tinham outros planos.

A Alemanha Ocidental e o seu estilo pragmático deu cabo do futebol de seda do adversário. Venceu 2-1, conquistou o segundo Campeonato do Mundo do seu CV e enterrou Criujff. O holandês sairia de cena, recusar-se-ia a jogar o Mundial de 1978 na Argentina e saiu sem nunca ter ganho um título pelo seu país.

 

E deu a glória a Van Basten

 

A mesma Alemanha que havia derrotado a Holanda em 1974 sucumbiu em 1988 nas meias finais perante os holandeses: 2-1. Aí foi Van Basten a culminar a vingança com um golo perto do fim.

Mas o estádio que tinha devorado Cruijff foi o mesmo que elevou Van Basten ao estatuto de heróio do futebol, com uma assistência para Gullit e um segundo golo de antologia.

Um volley sublime de um ângulo quase impossível. Terminou com o caneco na mão – o primeiro e único titulo internacional até hoje da Holanda – e como o melhor marcador da prova (tinha feito um hat-trick frente à Inglaterra).

Marco Van Basten ganharia a Bola de Ouro, a primeira de três da sua carreira. Um feito só superado anos mais tarde por Ronaldo e Messi.

 

Marselha de Tapie antes do escândalo

 

Seria ali também que Van Basten perderia com o Milan a final da Taça dos Campeões em 1993 – com uma cabeçada de Boli ainda na primeira parte.

Seria também o seu último jogo da carreira do avançado holandês, abandonando prematuramente o futebol devido às consecutivas lesões que o acompanharam enquanto futebolista.

Quanto ao Marselha, que conquistou o seu único troféu na prova da sua história, veria o seu presidente Bernard Tapie envolvido num escândalo de manipulação de resultados durante a temporada 1992-93 (na qual o Marselha teria pago ao Valenciennes para perder uma partida)

Os marselheses foram para a 2ª divisão e banidos da participação no futebol europeu na temporada seguinte. O escândalo afetou apenas as partidas da liga francesa deixando o título de campeão europeu de 1993 intocado.

 

Borussia campeão europeu em casa do Bayern

Ir a casa do maior rival fazer a festa de campeão europeu não é para todos. Mas foi isso que o Borussia fez em 1997.

Frente à Juventus de Zidane, Boksic, Deschamps, Ferrara, Vieri e, no banco, Del Piero. Com Kohler, Paulo Sousa e Andreas Moller (todos eles jogaram pela Juve contra o Dortmund na Taça UEFA em 1993) os golos de Karl-Heinz Riedle e outro de Lars Ricken chegaram para celebrar.

Sousa, que tinha campeão no ano anterior pela Juventus, voltou a sê-lo. E não são muitos que se podem gabar de o ter feito assim desta forma.

 

Eto’o is in treble