A opinião dos jurados estava empatada: cada um dos três tinha uma visão diferente do que tinha acabado de acontecer:

  • o norte-americano Larry Rozadilla tinha escrito no seu papel 88-82 para Douglas
  • o japonês Ken Morita colocava Tyson a ganhar 87-86
  • e o outro juiz nipónico Masakazu Uchida decretava empate a 86 pontos

As 40 mil pessoas que esgotaram o Tokyo Dome (no Japão) não sabiam o que pensar. Tinham ido ali ver Tyson arrumar o substituto escolhido à pressa de Evander Hollyfield.

Com 37 vitórias seguidas, aos 23 anos o pugilista de Nova Iorque era claramente favorito sobre o desconhecido de Ohio, de 29 anos e com quatro derrotas (3 por KO).

Mas no final a decisão recaiu mesmo na vitória de James “Buster” Douglas por KO no décimo assalto sobre Mike “Iron” Tyson. Estava encontrado o maior upset da história do boxe. Foi há 30 anos e aquela noite de 11 de fevereiro ainda hoje não se esquece.

É preciso contexto.

Tyson achou que o combate estava no papo e apareceu “pesado” no ringue, sem se treinar regularmente e rodeado de gente que pensou que iam ser favas contadas (até começarem a pôr sacos de gelo – a lenda diz que eram preservativos – para parar os inchaços na cara do seu pugilista).

 

 

Depois houve o poderoso upper de direita que Tyson pregou em Douglas a quatro segundos do final do oitavo assalto e que o juiz mexicano Octavio Meyran fez a contagem demasiado devagar: o desafiante só se levantou do chão 14 segundos depois (ou seja mais de 10 segundos daria a vitória a Tyson).

Douglas recuperou e deu cabo de Tyson no décimo assalto.

Na história dos “ses”, se Tyson tivesse levado aquilo a sério e o árbitro soubesse contar o pugilista de ferro teria somado a 38.ª vitória seguida da carreira e ficado como campeão por vários anos. Seria?

Douglas perderia o combate seguinte frente a Holyfield, no primeiro minuto do terceiro round.

 

Eis uma imagem que ninguém esperava, ver Tyson no chão e Douglas o autor da proeza