Lembram-se do Ajax de Cruijff tricampeão europeu nos anos 70 (1971, 1972 e 1973)? Do futebol total de Rinus Michels nesse Ajax e na Holanda de 1974? E do PSV campeão da Europa em 1988?

Antes disso tudo houve o Feyenoord de Ernst Happel.

Estamos a falar do tricampeão holandês em 1969, 1971 e 1974, vencedor da Taça da Holanda em 1969, da Taça UEFA em 1974, e o primeiro clube holandês a vencer a Taça dos Campeões Europeus, em 1970 – e logo a seguir a conquistar a Taça Intercontinental.

Foi há 50 anos.

 

A vitória do Feyenoord na final da Taça dos Campeões em 1970 sobre o Celtic por 2-1 no prolongamento (com um golo do sueco Ove Kindvall) coroava a equipa que pelo cérebro do técnico austríaco Happel já desenhava o futebol total holandês.

 

 

Seria ele a comandar a seleção dos Países Baixos no Mundial de 1978, sucedendo a Michels. O treinador ganharia novamente a Taça dos Campeões em 1983 ao serviço do Hamburgo.

Mas foi com o Feyenoord que Happel foi testando o futebol cerebral e a toda a largura do campo.

 

Eliminar o campeão europeu e vingar o Ajax

Não foi uma caminhada fácil até ao ouro.

O Ajax havia perdido a final da Taça dos Campeões no ano anterior para o Milan (4-1), em Madrid no Santiago Bernabéu.

O Feyenoord teve de eliminar esse Milan (campeão europeu e intercontinental) nos oitavos de final – perdeu 1-0 em Milão mas deu a volta em Roterdão 2-0 (com golos de Jansen e van Hanegem).

 

 

Antes, na eliminatória anteior, o Feyenoord havia aplicado aos islandeses KR Reykjavíkur a maior goleada de sempre na prova 12-2 (com 4 golos do suplente Ruud Geels – o goleador Kindvall ficou-se pelos 3). No segundo jogo ficaram-se pelos 4-0…

Nos quartos de final o Feyenoord eliminou o já extinto Vorwärts Berlin, da também já extinta Alemanha de Leste (hoje o clube chama-se Frankfurter FC Viktoria e anda agora por uma das sete divisões menores do campeonato alemão).

a maior goleada de sempre na prova 12-2Os holandeses perderam fora 1-0 o primeiro jogo mas deram a volta em casa 2-0 (com um dos golos marcados pelo inevitável Kindvall).

 

Celtic elimina o Benfica por moeda ao ar

Enquanto o Feyenoord fazia pela sua vida, o outro finalista Celtic também não teve vida fácil. A começar pelos oitavos de final na Luz.

Depois de uma vitória que parecia tranquila em Glasgow sobre o Benfica 3-0, o jogo em Lisboa virou e os benfiquistas empataram a eliminatória no último minuto 3-0: o jogo foi para prolongamento e nada.

Sem haver penáltis na altura, a decisao foi para a moeda ao ar. E aí o capitão do Celtic Billy McNeill escolheu cara. “A moeda voou, bateu no chão e rolou até ao pé direito do árbitro. Aí caiu e… era cara. Foi o maior alívio da minha vida”, escreveria, anos mais tarde, McNeill sobre o frente a frente com Coluna.

Seguiu-se a Fiorentina e o Leeds antes da final com o Feyenoord.