Toda a gente conhece o pé direito de Dennis Bergkamp.

Desse pé saíram alguns dos melhores momentos do futebol moderno. Ficámos familiarizados com aquele metatarso.

Como também ficámos familiarizados com os berros do locutor holandês no golo de Bergkamp à Argentina no Mundial de 1998.

Este foi também um dos melhores golos de sempre em Mundiais (juntamente com o relato claro).

Mas o que nos traz aqui é outro golo antológico da vasta galeria de Bergkamp – o golo ao Newcastle naquele sábado 2 de março de 2002.

 

O Arsenal chegou à 28ª jornada no terceiro lugar a casa do Newcastle, segundo classificado (dez jornadas depois os londrinos seriam coroados campeões).

O momento de viragem começou aos 11 minutos desse jogo em St James’ Park.

Depois de uma assistência de Robert Pires, Bergkamp marcou aquele que foi votado o melhor golo de sempre da Premier League.

Para quem acha exagerado, também foi votado o melhor golo de sempre do Arsenal. Melhor?

Uma inspiração que levaria os Gunners até ao título nessa época, com uma série de 14 vitórias seguidas até final.

Claro que foi intencional

O holandês recebeu a bola de costas para a baliza, mandou-a por um lado e contornou Nikos Dabizas pelo outro, deixando o defesa grego às aranhas.

Depois no frente a frente com o guarda-redes, vestiu a pele de James Bond e com toda a calma do mundo desviou a bola de um desesperado Shay Given.

O movimento de Bergkamp foi tão estranho e humanamente quase impossível que depressa surgiu o debate se ele queria fazer aquilo mesmo assim.

«I saw Dennis do stuff like that in training – of course he f** king meant it» disse o colega Ian Wright na altura

“Na semana a seguir ao golo, ‘Tinhas intenção de fazer aquilo?’ era a pergunta que toda a gente me fazia”, relembra agora Bergkamp à revista FourFourTwo, que fez capa dos 25 anos da chegada do holandês a Inglaterra.

«I couldn’t understand what people meant by the question. I didn’t see the goal on television for several days, and so many people were asking me that I thought, ‘ OK, I have to see what they saw’. I watched it back, and then I could understand what they meant. The pass from Pires was slightly behind me and I was adjusting myself to the situation, because I wanted to go through on goal with one touch. I touched the ball, but my body was already turning the other way, so it looked quite good! For many goals, players just decide at the last moment what they’re going to do. That was the same with me. I’m glad it looked like that, and that everyone is still talking about it today» Bergkamp

 

O Arsenal ganhou esse jogo 2-0 em St James’ Park, terminando o campeonato com mais 10 vitórias seguidas e ultrapassando o Manchester United na corrida ao título.

 

 

Duas época depois, Bergkamp integraria uma das melhores equipas de sempre de Inglaterra – o Arsenal que viria a sagrar-se campeão invicto, formando aí a lenda dos “Invincibles”.