Homero contou-nos a lenda de Ajax, herói grego a derrotar troianos. Cruyff começou o domínio do Ajax na Europa precisamente a derrotar os gregos do Panathinaikos. Oh, a ironia.

Neste dia 2 de junho em 1971 nascia uma dinastia. Talvez a mais e bela de todas.

Ninguém estava preparado para isto naquele Wembley esgotado para a final da Taça dos Campeões. Ajax-Panathinaikos 2-0. Foi o primeiro de 3 títulos europeus seguidos.

 

 

Há quem não tenha dúvidas e a eleja a melhor de sempre: a marca deixada pelo Futebol Total que Rinus Michels instituiu naquele Ajax encaixou que nem uma luva em Johan Cruyff e abriu caminho para a sua equipa dominar o futebol europeu no início da década de 1970.

Todos conhecemos a frase e sabemos que Cruyff a aplicava em campo sob a batuta de Michels, que era quem orquestrava aquela equipa quando em 1965 foi para o banco do Ajax – em seis anos deixaria um legado que ainda hoje perdura.

Na primeira temporada, Michels ganhou o título da Eredivisie. Na segunda, o Ajax derrotou o Liverpool de Bill Shankly por 5-1 na Europa.

Johan Cruyff foi o epítome da ética imposta por Michels e o conceito resultante amplamente conhecido como “Futebol Total”. Estamos todos agradecidos, mas a coisa nem sequer estava a meio.

Claro que antes do céu o Ajax conheceu o inferno. Perdeu a final da Taça dos Campeões de 1969 para o Milan no Bernabéu em Madrid.

Mas o pior estava para vir – logo no ano seguinte viu o arqui-rival Feyenoord a tornar-se o primeiro clube da Holanda a ganhar o maior troféu europeu com a vitória na final sobre o Celtic em San Siro.

 

Feyenoord, o primeiro de todos

 

A vingança do Ajax foi servida fria.

Não só venceria a Taça dos Campeões no ano seguinte, como repetiria o feito em 1972 e logo no De Kuip, o estádio em Roterdão mais conhecido por ser a casa do Feyenoord.

 

 

Mas antes houve a obra-prima de Michels, naquele Wembley que espantou o mundo. Logo a seguir ao jogo com o Panathinaikos o treinador anunciou que ia para o Barcelona.

“Ganhei tudo o que podia ganhar, é impossível fazer melhor”, disse enquanto partia. Tinha razão: no seu mandato levou o Ajax a 4 títulos e 3 Taças na Holanda mais esse primeiro título europeu (em apenas seis anos).

O seu sucessor, Stefán Kovács, pegou no bastão e foi admirável. Bom, o empate com o Benfica na Taça dos Campeões em 1972 azedou as coisas com a direção do Ajax, mas manteve-se seguro e seria ele o responsável por 50% de todos os sucessos até hoje do Ajax na Europa.

Cruyff marcou duas vezes no triunfo do Ajax frente ao Inter por 2-0 na final de 1972 e no ano seguinte foi a vez de arrumarem a Juventus 1-0 em Belgrado.

 

 

Com 3 títulos consecutivos é um feito que foi precedido apenas pelo Real Madrid e seguido apenas pelo Bayern de Munique e Real agora novamente.