Todos conhecemos a defesa de Gordon Banks ao cabeceamento de Pelé no Mundial de 70. O guarda-redes inglês parecia um elástico. Mas ficou-nos essa defesa na memória por ter sido Pelé a cabecear?

O próprio Banks, falecido esta terça-feira com 81 anos, achava que sim. Disse que ficou conhecido por esse lance – chama-lhe a “defesa de Pelé” – e não por ter sido campeão do mundo em 1966 com a Inglaterra.

 

«That save from Pelé’s header was the best I ever made. I didn’t have any idea how famous it would become – to start with, I didn’t even realise I’d made it at all. I heard Pelé shout ‘goal’ as he headed it, which was followed by a massive, almost deafening, roar. Even though I’d got a hand to it, I thought he must have scored»

 

https://twitter.com/360Sources/status/1095269943594106885

 

 

«I looked up and saw the ball bounce behind the net and that’s when I said: Banksy, you lucky prat»

 

 

 

Às tantas, Banks of England (como lhe chamavam na rua) disse que nem sequer se tinha apercebido que tinha conseguido defender. Foi isso que disse numa entrevista em 2003 ao Observer Sport Monthly.

Banks, colocado como um dos melhores na sua posição ao lado de Lev Yashin e Dino Zoff, foi internacional pela Inglaterra 73 vezes e ganhou uma Taça da Liga com o Stoke.

A sua carreira teve um fim abrupto em 1972 quando um acidente de carro lhe roubou a visão de um olho.

 

«As I got to my feet,” Banks later recalled, “Pelé came up to me and patted me on the back. ‘I thought that was a goal,’ he said. ‘You and me both,’ I replied»

 

 

Em 1963 foi chamado à selecção pela primeira vez por Alf Ramsey e iria manter o lugar durante o Mundial de 1966.

Não sofreu um único golo nos quatro primeiros jogos do torneio, sendo batido pela primeira vez nas meias-finais em Wembley contra Portugal, com um penálti convertido por Eusébio, por quem o britânico tinha uma grande admiração.

«Ele marcou, veio cumprimentar-me e não celebrou. Foi algo que nunca me tinha acontecido e nunca me voltou a acontecer. Era um tipo especial», contou Banks, que convidaria Eusébio para o seu jogo de despedida, em 1973

 

A segunda melhor defesa de sempre?

 

 

 

Acabada a carreira de futebolista, tentou uma como treinador, mas sem grande sucesso, e até chegou a vender a sua medalha de campeão do mundo para ajudar os filhos a comprar casa – acabaria por recuperá-la alguns anos mais tarde

 

Banks não foi só Pelé… Mas nem o próprio acreditava muito nisso.

 

 

 

Aqui diz que o jogador que mai temia não era Pelé mas… Rivelino.

 

 

 

 

A glória em 1966, a levantar o troféu de campeão do mundo

  • derrotou a Alemanha na final 4-2
  • eliminou Portugal nas meias finais 2-1
  • ultrapassou a Argentina nos quartos de final 1-0
  • na fase de grupos a Inglaterra passou em primeiro com 2 vitórias (México e França) e 1 empate (Uruguai)