É certo que todos os torneios, todos os Grand Slams têm as suas narrativas e episódios particulares, mas este US Open, é bom que se diga, está a ser um fartote.

Os adeptos do comer o que de melhor se encontra no prato no fim devem estar contentes, porque este último major tem sido uma barrigada daquelas.

Para o bom e para o menos bom, claro.

 

 

Desde 2004 que não se disputavam tantos encontros a cinco sets — vamos em 33 contra o recorde de 34 e ainda só foram disputados metade dos oitavos-de-final.

Reilly Opelka foi multado em dez mil euros por ter entrado em court com um saco cor-de-rosa não permitido — ao que parece os regulamentos só permitem que o logotipo das marcas tenha 26 centímetros quadrados e isso não fui cumprido pelo gigante norte-americano.

 

Os jovens

Outra estatística interessante foi o facto de ser preciso recuar até 1998 para encontramos uns oitavos-de-final com tanta gente jovem nesta fase do torneio.

Nesse ano, Marat Safin, Venus Williams, Martina Hingis e Anna Kournikova (os primeiros dois com 18 e as últimas duas com 17) eram os intrusos entre os velhotes.

 

As estrelas

Em 2021, Carlos Alcaraz, Leylah Annie Fernandez e Emma Raducanu, todos com 18, são as estrelas em evidência.

Outro dado, este mais triste, diz respeito a Naomi Osaka.

Depois da precoce eliminação na terceira ronda diante da teenager canadiana Leylah Annie Fernandez — que já agora diga-se que continua em grande tendo vencido este domingo Angelique Kerber em três sets e marcado encontro com Elena Svitolina nos quartos-de-final —, a tenista japonesa anunciou uma pausa na carreira por tempo indeterminado.

 

 

A ex-número um mundial afirmou que não se sente bem dentro de campo, não encontra a felicidade no ténis e, assim sendo, optou por pousar a raquete durante uns tempos.

Tendo em conta o seu talento e o seu posicionamento político esperemos que não seja uma pausa definitiva — seria uma verdadeira perda para a modalidade e para todo o desporto em geral.

 

O conto de fadas acabou para Osaka (e para o Japão)

 

 

Ashes to Ash

Ash Barty, a actual número um mundial, sucumbiu diante da norte-americana Shelby Rogers de forma inacreditável.

A australiana até perdeu o primeiro set, mas viria a vencer o segundo com enorme facilidade e no terceiro, depois de servir para vencer o jogo ao sétimo jogo, viria a ser derrotada no tie-break.

 

 

Não é que Rogers não seja uma jogadora de muita qualidade em pisos rápidos, mas esta eliminação de Barty nos oitavos-de-final de Barty não deixa de ser um escândalo, sobretudo tendo em conta a vitória sem espinhas em Wimbledon e a recente conquista do WTA de Winston-Salem, onde não perdeu um set e pelo caminho até ao troféu eliminou, entre outras, Azarenka, Krejcikova e Kerber.

 

O céu de Botic

Não há como ignorar o conto de fadas que está a viver Botic Van de Zandschulp.

O holandês e número 117 do ranking ATP superou Diego Schwartzman em cinco sets e prossegue o seu caminho até aos quartos-de-final, onde vai defrontar o temível Medvedev.

Van de Zandschulp já tinha tido uns resultados interessantes este ano, com vitórias sobre Opelka no ATP 250 Melbourne 1, a vitória sobre Hurkacz na primeira ronda de Roland Garros, mas nada como isto.

 

 

Aos 25 anos, o holandês que em maio perdeu com Pedro Sousa no Challenger Oeiras 3, consegue um feito no mínimo caricato: tem mais vitórias em Grand Slams do que em todo o circuito ATP Tour, onde só somava 3 vitórias.

Surreal.

 

E por último: o que dizer de Carlos Alcaraz?

O prodígio espanhol que já andava a prometer muito e que deliciou o mundo com aquele triunfo inacreditável sobre Stefanos Tsitsipas já está nos quartos-de-final.

É o mais jovem tenista de sempre a chegar aos quartos-de-final do US Open e quem viu o jogo diante do alemão Peter Gojowczyk sabe como a coisa teve tremida – a vitória no encontro só apareceu no 5º set: 7-5, 1-6, 7-5, 2-6 e 0-6.

 

 

Não é que não fosse expectável: diante de Tsitsipas jogou sem nada a perder e com o braço solto, agora a responsabilidade pesou mais.

Também em virtude de um adversário que a meio do quarto set apresentou danos físicos irreparáveis, o espanhol continua a fazer história.

E o mundo segue boquiaberto.

Hoje temos jogos e dos bons:

  • Zverev vs Sinner
  • Opelka x Harris
  • Otte vs Berrettini
  • Benci x Swiatek
  • Rogers x Raducanu
  • Pliskova x Pavlyunchekova
  • Djokovic x Brooksby
  • e Sakkari x Andreescu