O sérvio e líder do ranking mundial foi ontem desqualificado em Flushing Meadows, quando perdia 6-5 — e com break de desvantagem ­— com o espanhol Pablo Carreño-Busta, depois de ter acertado com uma bola no pescoço de uma juíza de linha, que ficou com falta de ar.

As histórias — ou polémicas, se preferirmos — começam a acumular-se na secretária de Nole como processos em tribunal. Quem sabe a fazer lembrar Nick Kyrgios.

2020 está a ser em grande para Novak Djokovic.

 

 

Depois de ter organizado um torneio, em Belgrado, que ficou conhecido pelas piores razões, Djokovic decidiu fundar uma associação de ténis, em protesto contra a falta de proactividade do ATP e para provar que é parte da solução e não do problema.

Mas sabemos que a sua fama dentro do circuito já viveu melhores dias e que para ser a voz dos tenistas estes têm de se sentir representados. E este porta-voz não é dos mais exemplares que se encontram na praça.

Basta vermos o que se passou ontem.

O sérvio estava a disputar um equilibrado primeiro set com o espanhol e dispôs de três set points quando o marcador se encontrava em 5-4 a seu favor. Mas a capacidade de cerrar os dentes e bater mais uma bola — tão típica deste combativo e talentoso jogador nascido em Gijón — foi suficiente para anular esses três pontos de break e carimbar o 5-5.

Já frustrado que baste, Nole viria a perder o jogo de serviço no jogo seguinte, deixando assim Busta a servir para fechar o primeiro set.

É precisamente nesse momento de irritação que Djokovic atira a bola que lhe sobrava no bolso ao pescoço da juíza de linha, que imediatamente se atira ao chão, recebendo o melhor rosto de desculpas de Djokovic e auxílio médico imediato. A juíza viria a ficar bem.

Claro que os delegados se apressaram a vir conversar com o número um mundial para lhe dizer que as regras ditavam a sua expulsão obrigatória e que nada podiam fazer em contrário. Normalmente é assim: quem se porta mal vai para o castigo.

E Djokovic merece ser tratado como todos os tenistas do circuito, ainda que aqueles vários minutos de diálogo à rede, onde o sérvio, entre outras coisas, tenta argumentar que a juíza nem precisou de cuidados hospitalares — como se essa fosse a questão — comprovam que nem todos são filhos dos mesmos pais. Seria interessante perceber se com um tenista de ranking inferior, menos polémico, se existiriam espaço para aquele momento de discussão junto à rede.

 

 

Admitamos que Djokovic não o fez intencionalmente, tudo bem, mas a forma como, depois de perder o ponto, atira a bola de forma despreocupada e irresponsável tem de ser punida de forma exemplar. E perante isso não há conversa. O espanhol sorriu e o sérvio também, de nervos, claro. Esta é a primeira derrota — se é que a podemos considerar — de Djokovic em 2020.

Mas a bola continua a saltar no USTA Billie Jean King National Tennis Center. O espanhol que foi quase isento nos oitavos-de-final, Busta, vai defrontar um Denis Shapovalov em estado de graça, que ontem despachou o top10 mundial David Goffin em quatro sets. E no outro jogo que já se conhece dos quartos-de-final a disputar apenas amanhã, Borna Coric – que despachou Jordan Thompson em sets directos-, defronta Sascha Zverev.

Para hoje, a partir das 16h00, a surpresa do torneio Pospisil encontra Alex De Minaur; a partir das 19h temos um dos momentos mais quentes do torneio até então: Auger-Aliassime diante de Dominic Thiem, o austríaco que é agora, em teoria, favorito a vencer o torneio com a saída prematura de Djokovic; às 19h30 espera-se muita classe e equilíbrio entre Berrettini e Rublev; à meia-noite, em plena sessão nocturna, o último norte-americano em prova, Frances Tiafoe, mede forças com o gigante russo Daniil Medvedev, num jogo que também promete.

O baile ainda não terminou. E há que saber sair.

Sugestão de aposta:
Rublev vence Berrettini