Bianca Andreescu conquistou o seu primeiro Grand Slam no US Open. E fê-lo com estrondo.

Em Nova Iorque, em casa da rainha do ténis. Na final de sábado a Queen B (como é conhecida a canadiana de ascendência romena) derrotou Serena Williams – a americana viu mais uma vez fugir o 24.º Grand Slam da carreira.

A parte boa? A americana promete não desistir.

 

 

Bianca Andreescu nasceu a 16 de Junho do ano 2000 no Canadá e o gosto pelas raquetes começou aos 6 anos na terra natal dos seus pais na Roménia onde vivia na altura. Quando regressou à terra que a viu nascer, o jeito da miúda pela modalidade não passou despercebido e facilmente começou a dar nas vistas e a querer mais.

Bia, para os amigos, tem apenas 19 anos, é uma jovem como tantas outras, com as mesmas inseguranças, os mesmos medos, sonhos e ambições, o que a destinge de muitas outras é que acredita tanto que as coisas podem acontecer que elas acabam mesmo por se realizar. É tudo uma questão de mentalidade.

Bianca confessou que a chave para o seu sucesso passa pela meditação, a miúda cheia de garra acorda todos os dias e medita, enquanto o faz, imagina os feitos que quer alcançar e a forma de chegar até eles.

Aliás ganhar a Serena era uma coisa que passava muitas vezes pelas suas meditações. E pronto a coisa deu-se e muito bem.

«Esforcei-me muito para ser como a Serena mas talvez um dia possa ser melhor que ela» Bianca

 

 

No seu currículo conta com o troféu do Orange Bowl em 2015, um dos torneios de juniores com mais prestigio do mundo e com dois títulos também de juniores em pares no Open Austrália e no Roland Garros ambos em 2017.

«After I won the Orange Bowl, a couple months after, I really believed that I could be at this stage. Since then, honestly I’ve been visualising it almost every single day. For it to become a reality is just so crazy. I guess these visualisations really, really work!»

Este foi o ano chave a canadiana que mesmo com uma lesão no ombro direito pelo meio, com mais de 3 meses de paragem, conseguiu garantir presença no seu primeiro torneio individual de Grand Slam.

No fim de 2018 a jovem tenista terminou em 178º lugar no ranking, neste momento encontra-se em 5º lugar, desde o mês de Março.

É razão para dizer, chegou, viu e venceu.

 

 

A atleta este ano já tinha conquistado o torneio Newport Beach Challenger, o WTA Toronto e o WTA Indian Wells, que lhe valeram o acesso à competição americana. Agora o objectivo é não parar e continuar a conquistar os seus sonhos, sabendo sempre onde quer chegar. Desde Março que não perde uma partida e a confiança não pára de aumentar.

Depois de ganhar o seu primeiro Grand Slam no Arthur Ashe Stadium e arrecadar 3 milhões e 460 mil euros, sendo este o primeiro troféu ganho por um canadense em toda a história, não conseguiu conter as lágrimas e a emoção por todo o caminho percorrido.

Agradeceu à sua adversária, a quem não poupou elogios e que reconheceu ser um dos exemplos que segue, não só ela como muitos outros jovens por tudo o mundo.

«É tão difícil de explicar em palavras, mas estou para lá de agradecida e verdadeiramente abençoada. Trabalhei muito, muito mesmo para este momento. Este ano foi um sonho tornado realidade e agora ser capaz de disputar esta etapa contra a Serena, uma verdadeira lenda deste desporto, é incrível»

Para chegar à final a jovem atleta passou por 5 confrontos, 4 deles resolvidos em 2 sets, na derradeira final com Serena o encontro teve a duração de 1h40 e terminou com 6-3 e 7-5 para a canadense.

Meia final
vs Bencic 7-6, 7-5

Quartos de final
vs Mertens 3-6 / 6-2 / 6-3

Oitavos de final
vs Townsend 6-1, 4-6, 6-2

16 avos de final
vs Wozniacki 6-4, 6-4

32 avos de final
vs Flipkens 6-3, 7-5

64 avos de final
vs Volynets 6-2, 6-4

 

 

Para a americana que completa 38 anos no próximo dia 26 de Setembro ainda não foi desta que conseguiu o seu 24º Grand Slam e igualar Margaret Court no número de troféus ganhos, mesmo a jogar em casa e com todo o apoio vindo das bancadas.

Mas calma que a trintona não desiste e não pretende arrumar as raquetes para já, há sempre um novo dia pela frente, lembram-se?

Foi a 33º presença de Serena numa final, em que conta com 23 vitórias e 10 derrotas sendo esta a 4º consecutiva na carreia. No torneio americano ganhou o troféu por 6 vezes.

Desde que foi mãe e voltou às competições, esteve presente em 4 de 7 finais possíveis de Grand Slams, mas infelizmente não ganhou nenhuma.

  • Em 2017 em Wimbledon perdeu a final para Angelique Kerber
  • Em 2018 no US Open perdeu a final para a Naomi Osaka
  • Em 2019 em Wimbledon perdeu a final para Simone Halep
  • Em 2019 no US Open perdeu para a Bianca Andreescu

 

Simone cumpriu a profecia da mãe

 

No fim da partida não poupou elogios ao jogo da adversária, que reconheceu ter muito talento e poder vir a ser um grande nome do ténis mundial.

«Sinto-me muito honrada por estar aqui e estou tão orgulhosa por ainda estar aqui a competir a este nível, porque não é fácil competir neste desporto em particular por tantos anos» Serena

A primeira vez que a americana brilhou e encantou num Grand Slam, foi em 1999 no US Open, tinha apenas 17 anos e a sua adversária, vejam lá bem ainda nem tinha nascido, depois disso já nós sabemos toda a história.

O ano passado também deixou escapar o troféu para Naomi Osaka na altura com 21 anos, numa final marcada pelo episódio com o árbitro português Carlos Ramos.

 

Serena, um cartoon e o mundo dividido em dois

 

A última vez que este troféu tinha sido ganho por uma atleta com 19 anos foi em 2006 quando Maria Sharapova ganhou o seu segundo Grand Slam frente a Justine Henin, o primeiro foi exactamente contra a americana Serena Williams em 2004 no torneio de Wimbledon.

Bia é a primeira tenista nascida no novo milénio a ganhar um Grand Slam e promete continuar a fazer a história.