Nesta nova viagem ao norte, que é igual a dizer nesta nova incursão da rubrica Trilogia Millennium, assentamos arraiais no país do Nobel, de Ingmar Bergman e, claro, de Zlatan Ibrahimovic, perdão, dos ABBA.

Mais concretamente na cidade costeira de Malmö, onde encontramos o clube com mais campeonatos suecos conquistados (20). Mas nem tudo vai bem por Malmö, uma vez que o título lhe foge, inesperadamente, desde 2017. Analisemos a questão.

Se olharmos para a década que agora se conclui, o domínio dos azuis é concreto, mas não avassalador. 2010, 2013, 2014, 2016 e 2017 são os anos de trazer a taça para perto do mar, e daqui logo é possível concluir que no futebol sueco é histórica – sobretudo recentemente – esta intromissão de outros emblemas que, volta não volta, dão um ar da sua graça, como é o caso do Elfsborg (campeão em 2012), do Norrköping (campeão em 2015) do AIK (campeão em 201 8) e do Djurgarden (campeão em 2019). Facto é tem sido pouco habitual o Malmö estar duas épocas sem levantar o troféu.

Em 2016, com o dinamarquês Allan Kuhn, foram campeões sem grandes questões (seis pontos de avanço) e eliminaram o Salzburgo e o Celtic no caminho para a fase de grupos da Liga dos Campeões onde um grupo em que a areia abundava para a sua camionete (PSG, Real Madrid e Shakhtar) ainda conseguiram uma vitória, em casa, perante os ucranianos.

Contudo, no final dessa temporada, Kuhn vai à sua vida e o sueco Magnus Perhsson assume o comando, para mais um título confortável, ainda que perante uma época que fica manchada pela eliminação precoce diante dos macedónios do Vardar no acesso à Liga dos Campeões. A ferida ficou tão aberta que, em 2018, à oitava jornada, Perhsson é corrido depois de oito jornadas onde somou apenas duas vitórias.

Se não vai lá com um sueco, vai lá com um alemão, pensou a direcção dos azuis. Contrataram Uwe Rösler, técnico com passado na Noruega e em Inglaterra (Molde, Brentford, Wigan, Leeds, entre outros) para resgatar o título que sentiam que lhes pertencia. Também não resultou.

O alemão ficaria para 2019 e o título iria fugir-lhe por um ponto, depois de um campeonato bastante bom, onde só somaram três derrotadas. O que é que se faz depois disto? Contrata-se um dinamarquês, pois claro.

É por isso com enorme expectativa que os adeptos do Malmö – e nós, estes doentes por ex-lendas sentadas em bancos, de bloco na mão – se entusiasmam com a vinda de Jon Dahl Tomasson, agora como treinador, para terrenos suecos.

Esse loirinho nove com hábil capacidade técnica, brilhante no passe curto, na forma como segurava a bola, que em 2010 pendurou as botas no Feyenoord (o clube do seu coração, onde marcou mais golos: 92, dos seus 194, mais 52 em 112 internacionalizações pela Dinamarca) e que antes disso teve célebres passagens pelo AC Milan, Villarreal, Estugarda, Newcastle.

Enquanto treinador, esta é o seu primeiro grande projecto, depois de passagens pelo Excelsior, primeiro como adjunto e depois como treinador principal, antes de sair para o também holandês Roda. Estávamos em 2014.

Na temporada seguinte, volta a adjunto, no Vitesse e um ano volvido assume o mesmo cargo na selecção dinamarquesa, desta vez como adjunto do norueguês Ade Hareide (que ainda por lá se mantém) que, curiosamente, em 2014, foi o obreiro do título do Malmö. Pois é, e esta? Fica tudo em família, amigos. Para já, foi eliminado pelo Wolfsburgo nos dezasseis-avos de final da Liga Europa, mas perdoemo-lo, que antes disso só tinha realizado dois jogos, para a Taça da Suécia, com equipas de escalões inferiores.

Jon Dahl, confiamos em ti, mais oportunidades virão. Faz como fizeste em Portugal, em 2000 e em 2006. Não te esqueças é que esses jogos eram amigáveis. Brincadeirinha. Boa sorte. Até porque já sabes, aqui junto ao mar, perto da maresia – como disso é prova a recente dança de treinadores – quem está Malmö muda-se.