Hoje é dia de contra-relógio na 106ª edição da Volta à França. Estamos na etapa número 13, já em plena segunda semana de competição e antes da entrada nos Pirinéus. Alaphilippe (ainda) segue de amarelo e Rui Costa segue como sempre: uma desilusão.

Bom, talvez uma desilusão seja um exagero. Rui Costa continua – isso sim – igual a si próprio. Ou seja, é certo e sabido – como diriam os Clã em “Sopro do Coração” – que o campeão mundial em Florença, em 2013, não é um voltista, portanto, não é ciclista de três semanas, de lutar por um top10 numa das três grandes voltas. Não é essa a questão.

A questão é que o ciclista da UAE – Team Emirates não manda uma para caixa.

O objectivo é sempre o mesmo: escapar-se numa fuga certeira, ter timing de ataque e voltar a subir ao palanque do Tour para celebrar uma vitória em etapa. Algo que aconteceu no ano de sonho de 2013, quando Rui Costa venceu duas etapas no Tour e ainda foi campeão do mundo.

Depois disso, em grandes voltas, acumulam-se alguns segundos lugares, o que, na verdade, é bem melhor do que aquilo que tem acontecido este ano. Em 2017 – já que no ano passado Costa não participou em nenhuma grande volta – sacou três segundos lugares no Giro d’Itália e um quarto lugar na Vuelta a España.

Ora este ano, no tour, Rui Costa esteve perto da vitória na quinta etapa, que terminou em Colmar com uma vitória de Peter Sagan ao sprint, num grupo onde não chegaram todos os sprinters.

 

 

Foi mais um quase para Costa. O que este ano tem saltado ainda mais à vista é a falta de popularidade de Rui Costa no pelotão internacional. Isto porque, ao que se diz, o português é aquilo a que costumamos chamar na gíria de “chupa-rodas”, está lá sempre, no fim do grupo, à espera que alguém trabalhe para ele. Basta aliás ver o que escreveu o jornal britânico The Guardian sobre Rui Costa: “Mr. Unpopular”.

Isto a propósito da nona etapa, onde com a fuga – que viria a consagrar o sul-africano Daryl Impey no final da etapa, em Brioude – já formada e distante do pelotão, Rui Costa tenta chegar-se à frente da corrida atrás do espanhol da Movistar, Marc Soler, só que fá-lo enquanto o camisola amarela e outro elementos do pelotão estão na pausa para urinar.

Ora, como todos sabemos, karma’s a bitch ou o destino é tramado, se assim preferirmos.

O ciclista português não conseguiu chegar à frente e olhem que esteve a 15 ou 20 segundos, só que, lá está, a fama que o persegue é tão boa que a teoria é que os elementos da fuga não quiserem que ele entrasse porque nunca ajuda.

E como se não bastasse não ter conseguido chegar onde queria, quando foi engolido pelo pelotão foi vaiado e insultado por ter atacado quando alguns faziam as suas necessidades.

 

 

A teoria de que falávamos foi lançada precisamente por Juan Antonio Flecha, ex-ciclista e comentador da Eurosport, que não foi propriamente simpático para o português e disse que a fuga não quis esperar por ele uma vez que Rui Costa é Rui Costa.

Diga-se que, ao que parece, a coisa funcionou, foi preciso chamarem-lhe nomes para na etapa de ontem, a segunda de montanha, Costa ter trabalhado. Ainda assim foi oitavo, o seu melhor resultado este ano, mas sem nunca ter estado perto de discutir a vitória de etapa, que viria a sorrir ao inglês Simon Yates.

Isto tudo seria meio relativo se no meio disto, se o egoísmo que lhe é atribuído lhe gerasse bons resultados e vitórias para alegrar portugueses. Mas a verdade é que isso continua a gerar resultados insuficientes. Sendo que o seu melhor este ano é um segundo na geral da Volta à Romandia, claramente insuficiente para um ciclista com as suas medalhas de carreira. Ninguém Costa do Rui.