É colombiano, tem 22 anos e fez história a duplicar na Volta à França.

Não só é o primeiro latino-americano a vencer o Tour como também é o 3.º mais novo de sempre a fazê-lo.

Egan Bernal veio de Zipaquirá para a elite mundial do ciclismo naquela que foi apenas a sua segunda participação no Tour.

História pelo país, pela América Latina e pela mais afamada prova do ciclismo mundial.

 

 

Zipaquirá, a cidade que viu crescer Bernal, parou todos os dias para ver o seu ídolo na corrida francesa.

Todos tinham o sonho de o ver vencer, mas talvez tudo não passasse disso mesmo – de um sonho.

 

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A verdade é que acabou mesmo por acontecer e na última etapa de consagração do vencedor, a chegada aos Campos Elísios foi feita de amarelo, azul e vermelho – as cores da bandeira da Colômbia.

A ocasião mereceu até o destaque de Iván Duque, o presidente da Colômbia, que não deixou de realçar o feito do agora herói nacional e também dos outros dois colombianos que terminaram também no top 10 – Rigoberto Uran e Nairo Quintana.

 

 

Perceptível.

Na Colômbia o desporto das massas é obviamente o futebol mas o ciclismo surge logo a seguir como aquele que mais atenções desperta.

Durante os últimos anos era Nairo Quintana o porta estandarte do ciclismo colombiano.

Ainda assim, pela Movistar, equipa que ainda hoje representa, nunca conseguiu a tão desejada vitória no Tour.

Em 2016 ficou em terceiro e em 2013 e 2015 em segundo, tendo de se contentar apenas com as vitórias na montanha, em 2013 e de melhor jovem em 2013 e 2015.

No seu currículo ficou apenas a faltar a Volta à França, já que conseguiu ainda vencer o Giro e também a Vuelta.

Agora a passagem de testemunho foi para Bernal que confirmou – e de que maneira! – o potencial que tinha vindo a demonstrar nos últimos anos.

2018
1.º – Etapa Volta à Califórnia
1.º – Etapa Volta à Romandia

2019
1.º Volta à Suíça
1.º Paris-Nice
1.º Volta à França

À partida não era de todo expectável que fosse Bernal a arrecadar a vitória final. Era não só a sua segunda participação no Tour – terminou em 15.º em 2018 – como nem sequer era líder de equipa.

A antiga Sky, agora INEOS, era liderada por Chris Froome que se lesionou gravemente enquanto se preparava para este Tour. Embateu contra uma parede a alta velocidade e o resultado foi uma perna, clavícula, costelas e cotovelo partido.

Afastado do Tour, era vez do número dois subir e tomar as lides da equipa.

E o número dois nem sequer era Bernal mas si o segundo classificado, Geraint Thomas.

Facto é que com o decorrer da prova, visto que Bernal começou a reunir melhores condições de vencer que o colega, este passou a comandar a equipa.

O francês Julian Alaphilippe, apesar de 15 etapas consecutivas de amarelo, sucumbiu à perseguição do colombiano numa etapa interrompida devido ao granizo a 27 quilómetros do fim.

A etapa acabou por não ter qualquer vencedor, no entanto o cronómetro parou no Col de Iseran, Bernal conseguiu roubar a amarela ao francês – que acabou em quinto da geral – e só vestiu amarelo nas duas etapas que se seguiram.

Venceu a Volta à França, não venceu nenhuma etapa e foi líder apenas em duas.

Classificação geral

1.º Egan Bernal (INEOS) 82h 57′ 00”
2.º Geraint Thomas (INEOS) +00h 01′ 11”
3.º Steven Kruijswijk (Jumbo-Visma) +00h 01′ 31”
4.º Emanuel Buchmann (Bora-Hansgrohe) +00h 01′ 56”
5.º Julian Alaphilippe (Deceuninck-Quick-Step) +04′ 05”

 

 

O feito de Bernal torna-se ainda mais impressionante quando necessitamos de recuar a 1909 para encontrar um ciclista mais jovem que Bernal.

1.º Henri Cornet 19 anos e 352 dias
2.º François Faber 22 anos e 187 dias
3.º Egan Bernal 22 anos e 196 dias
4.º Octave Lapize 22 anos e 280 dias
5.º Felice Gimondi 22 anos e 289 dias

Tão novo e com tanta história feita, não admira que neste momento se sinta a pessoa mais feliz do mundo.