Já que não vai ao futebol, o futebol vai até si. Literalmente.

A Netflix estreou “The English Game”, uma mini série de seis episódios do mesmo criador de Downton Abbey.

Julian Fellowes faz-nos recuar até aos tempos em que o futebol passou de amador a profissional na Inglaterra do fim do século XIX. Quem diz Downton Abbey do futebol (na qual Fellowes nos mostrava o contraponto da aristocracia britânica centrada na família Crawley e nos seus empregados) pode também arranjar um paralelo com um romance Charles Dickens e uma bola no meio.

The English Game é a história real de dois jogadores que jogam em equipas rivais e pertencem a classes sociais distintas.

Quarta-feira 18h00
Amigável
Landskrona vs Torns IF
1,22 – 3,80 – 4,70

Arthur Kinnaird (interpretado por Edward Holcroft) é de uma família abastada e joga no Old Etonians, equipa do privilegiado Eton College, instituição historicamente ligada à aristocracia inglesa – pelas suas salas de aula passaram príncipes (como os actuais William e Harry), heróis de guerra, prémios Nobel e primeiros-ministros, como David Cameron e Boris Johnson.

Kinnaird é também um dos conselheiros da FA, a Associação de Futebol inglesa responsável por determinar as 17 regras do jogo.

E há Fergus Suter (Kevin Guthrie). O escocês deixou o seu país contratado pelo dono de uma fábrica em Darwen na Inglaterra – Suter não irá ser um simples empregado fabril, mas a estrela principal da equipa de operários da empresa.

Não só. Suter é-nos mostrado como o primeiro futebolista profissional da história.

 

 

Por que não Jogo Escocês?

No início era tudo muito básico e as equipas jogavam numa táctica parecida com 1-2-7 ou 1-1-8, com apenas um defesa atrás de dois jogadores no centro e sete avançados que saíam em flecha em direção à baliza adversária – ou um mais arrojado bloco com 8 avançados.

Hummm, faz lembrar o râguebi não?

Depois chegaram os escoceses com as suas triangulações e os passes mais curtos, tal como praticavam na Escócia. Foram eles a forçar um outro desenho táctico e a passar do abrutalhado 1-1-8 para um mais sensato 2-3-5.

Esta foi a grande dificuldade para Mike Delaney, contou à BBC o ex-jogador profissional da terceira divisão alemã e internacional de futsal em Inglaterra. Ele também ostenta o título oficial de “coreógrafo de futebol”.

O seu trabalho é coordenar as sequências de ação em campo – como o golo de Kinnaird – para garantir que estas pareçam o mais reais possível.

Delaney já trabalhou em anúncios de televisão com Ronaldo e Messi. Aqui, ele ficou com o desafio extra de mostrar como o futebol foi jogado há 137 anos.

«Tentei torná-lo o mais autêntico possível. Enquanto as equipas de futebol de hoje podem jogar em 4-5-1 ou 4-4-2, os antigos etonianos jogavam em 1-1-8. O que parece uma loucura para nós hoje em dia» conta Delaney

 

Não há futebol? Então fique com todas as finais da Champions deste século