Last Dance, a série documental de dez episódios sobre Michael Jordan e os Bulls dos anos 90, foi das melhores coisas que aconteceram nesta quarentena (sim, é uma espécie de Tiger King do desporto se quisermos ficar pelo aparato capilar).

Por isso, obrigado ESPN e Netflix.

O realizador Jason Hehir mostrou aos que nunca tinham visto quem foi His Airness no seu auge – e aos que o viram serviu para matar saudades. São imagens inéditas guardadas durante 20 anos e só viriam a público com uma condição: com o OK de Jordan.

E foi isso que aconteceu há 3 anos: aos 54 anos (MJ tem agora 57) o antigo camisola 23 disse que sim aos constantes pedidos da ESPN para tratar as centenas de horas de filmagens que durante um ano foram gravadas com acesso exclusivo aos bastidores do sexto e último título de Jordan e dos Bulls na NBA, em 1997-98.

Claro que há coisas que não nos foram contadas.

Como a empresa de Jordan, a Jump 23, ser umas das produtoras do documentário. E que este só deu o beneplácito para o arranque do filme quando LeBron James venceu o título com os Cavaliers em 2016 e abriu o debate sobre quem era o melhor jogador de sempre da NBA.

No melhor draft de sempre os Blazers preferiram Bowie a Jordan

 

Aí a coisa fiou mais fino. Jordan quis lembrar que a coroa só servia apenas a um.

E foi isso que ficou desta mini série de quase 10 horas que agora terminou (foram lançados 2 episódios por semana durante as últimas 5 semanas). MJ continua a ser o rei disto tudo.

 

O início difícil

Aprendemos coisas que não sabíamos. Algumas íntimas. O começo difícil e a rivalidade com o irmão mais velho Larry que o obrigou a exigir muito mais de si – muitas vezes essa rivalidade era incentivada pelo pai James.

 

A retirada depois do 3º título

A retirada do basquetebol depois da morte do pai em 1993, quando estava no auge da carreira e decidiu ir jogar basebol – um sonho antigo de James Jordan.

 

Pippen era mal pago

Sobre os companheiros de equipa daqueles lendários Bulls soubemos como um dos melhores jogadores do elenco Scottie Pippen foi maltratado com a renegociação do contrato em comparação com outros jogadores – e a lesão que fez questão de prolongar para mostrar a sua insatisfação.

Uma última dança com Michael Jordan

 

As férias extra de Rodzilla

E claro Dennis Rodman. Ficámos a saber o que já desconfiávamos – que o excêntrico basquetebolista só precisava de umas férias extra para se recompor. Estamos a falar de uma saltada a Vegas ou a um ringue de Wrestling com Hulk Hogan onde ganhou a alcunha de Rodzilla.

 

Phil Jackson, o Zen

Como é que Phil Jackson geria isto tudo? O treinador conseguiu coser uma equipa campeão com tantas vicissitudes. Em 1975, o antigo campeão pelos Knicks em 1970 e 1973, tomava ácido e pensava que era um leão – abraçou mais tarde as técnicas Zen budistas numa confluência com a história dos americanos nativos que havia experienciado durante a infância.

Exemplo? Jackson olhava para Rodman e via-o como um “Heyoka” ou uma “pessoa que anda para trás”, descrito na cultura nativa como alguém que se move e reage de maneira oposta às pessoas ao seu redor.

Ficámos a saber isto tudo. Até que Jordan gostava mais da Adidas e assinou o até hoje contrato mais lucrativo com Nike criando a sua própria marca Air Jordan.

All-Star em Chicago, 32 anos depois (daquilo)

 

E o que continuámos a não saber (a não ser o que aprendemos nos livros)?

Aí tivemos de recorrer a várias biografias sobre Jordan. Como “Michael Jordan: The Life”, de Roland Lazenby. Aí sim é-nos explicado por exemplo como surgiu o 23 – número indissociável a Jordan.

Ainda junior, na equipa da Carolina do Norte tinha dois números à escolha: o 23 de James Beatty e o 33 de Dave McGhee. Optou pelo 23 por ser o mais perto de metade de 45, número que o seu irmão Larry utilizava.

E os ídolos?

O pai era um grande fã de basebol e tinha um carinho especial por Roberto Clemente. “I grew up emulating his footsteps”.

E Richard Petty, da Nascar, conhecido com o The King.

«I was more into stock-car racing fan than I was into anything else»

Até sobre Magic Johnson foi preciso Lazenby dizer-nos que quando era miúdo e viu Magic dar uma coça em Larry Bird no NCAA em 1979 ficou tão vidrado na futura estrela dos Lakers que a namorada da altura lhe ofereceu um prato com a inscrição… Magic Mike.

 

Final da NCAA 1979: o início da rivalidade Magic vs Bird