A Dinamarca está nas meias-finais do Europeu e tem um Schmeichel à baliza.

Onde é que já vimos isto?

Em 1992.

E há um filme sobre esse incrível verão dinamarquês de há 29 anos – chama-se Sommeren’ 92 e está na Netflix.

 

 

Épico

Tinha tudo para não ser épico.

Na fase de qualificação ao Euro 92 a Dinamarca somou apenas uma derrota – mas foi uma derrota que se revelou fatal.

O desaire 0-2 naquela quarta-feira 14 de novembro de 1990 em Copenhaga frente à Jugoslávia atirava os dinamarqueses para o segundo lugar: do qual nunca mais sairiam até ao fim.

A Dinamarca ainda iria a Belgrado vencer 1-2 em maio de 1991, mas o empate na Irlanda do Norte (1-1) deixaria os dinamarqueses com menos 1 ponto que os jugoslavos na classificação final.

Grupo 4

  • 1º Jugoslávia 14 (8 jogos, 7 vitórias)
  • 2º Dinamarca 13 (8 jogos, 6 vitórias, 1 empate)
  • 3º Irlanda Norte 7 (2 vitórias, 3 empates, 3 derrotas)
    (só se qualificava ao Europeu o 1º de cada grupo)

 

No Europeu mais politizado de sempre ganhou a Dinamarca

 

Guerra jugoslava

Com a guerra civil na Jugoslávia, o país foi proibido de participar no Euro.

A seleção iugoslava já estava em território sueco, sede do Euro 92, quando chegou a decisão que proibia a Jugoslávia de disputar a prova devido ao conflito.

Minutos depois surgiria o convite para a segunda classificada do grupo da Jugoslávia nas eliminatórias – a Dinamarca.

interromperam um festival de música na Dinamarca (entre as várias bandas estavam lá os Nirvana) para que os dinamarqueses assistissem à final com a alemanha num ecrã gigante

 

Dez dias para convocar e preprar a seleção

A boa notícia é que a Suécia era logo ali ao lado, a má notícia é que Richard Møller Nielsen tinha dez dias para convocar os seus jogadores e preparar-se para a prova.

A Dinamarca, já com os seus jogadores em férias, foi repescada.

Começou aí a elnta e morosa caminhada até ao título.

A estrela Michael Laudrup recusou-se a juntar-se ao grupo, em desavenças com o treinador Richard Nielsen.

Não foi Michael foi Brian Laudrup, o irmão mais novo.

 

 

Início turbulento

Sem o capitão Michael, Nielsen construiu a equipa à volta e3 Peter Schmeichel, Brian Laudrup e Flemming Povlsen.

A coisa começou mal.

Os nórdicos empataram com a Inglaterra (0-0) e, depois da derrota 1-0 com a anfitriã Suécia, parecia que iam ficar pela fase inicial.

Na última ronda da primeira fase, a Dinamarca precisava de vencer a França, comandada por Platini (e com jogadores como Amoros, Deschamps, Papin e Cantona), e esperar que a Suécia superasse a Inglaterra.

Foi o que aconteceu.

 

 

França e a Inglaterra eliminadas

Os dois encontros estavam empatados 1-1 a cerca de 15 minutos do final – mas Brolin voltou a dar o triunfo aos suecos (aos 83 minutos) e o suplente Lars Elstrup (78) selou a vitória dos dinamarqueses.

A Suécia e a Dinamarca passavam às meias-finais e eliminavam a França e a Inglaterra.

 

Schmeichel defende penálti de Van Basten

Nas meias-finais a Dinamarca enfrentava a campeã europeia Holanda, vencedora em 1988 e com um trio de respeito: Rijkaard, Gullit e Van Basten (mais Bergkamp).

À meia-hora de jogo os dinamarqueses já ganhavam por 2-0: dois golos de Henrik Larsen (5 e 33).

Só que os campeões responderam e empataram – Bergkamp (23) e Rijkaard (86).

Nos penáltis Van Basten falhou o único da série de 10 (ou Schmeichel defendeu) e passou a Dinamarca 5-4.

 

 

A grande final

Não satisfeitos de terem arrumado a campeã da Europa nas meias-finais, varreram a campeã do Mundo na final.

A vitória 2-0 – com golos Faxe Jensen (19) e Kim Vilfort (78) – colocava ponto final no conto de fadas.E que conto.