É assim que os brasileiros falam – a comer sílabas. Por isso fica assim: o Fla vai jogar a final da Liberta com o River no dia 23 de novembro em Santiago, no Chile. Será uma final Ri-Fla.

Escrito mesmo-mesmo em brasileiro: o Mengão goleou o Grêmio 5-0 no Maraca, exorcizou os fantasmas do passado e volta à final da Libertadores 38 anos depois (é um repeteco, uma repetição).

E há todo o léxico à volta de Jesus. O Flamengo de Jesus é justo com a nação rubro-negra mas é impiedoso com os inimigos. Renato Gaúcho blasfemou contra Jesus e sentiu a ira do treinador português numa noite em que os golos se multiplicaram (estamos a citar o jornal O Dia do Rio de Janeiro).

É, a coisa correu mal para o Grêmio e para Renato Gaúcho. Depois do empate 1-1 em Porto Alegre, o Flamengo deu mão aberta – 5-0 no jogo de volta no Rio.

«Hoje até uma mulher grávida marcava ao Grêmio» Renato Gaúcho

 

Jesus tem o Brasileirão no bolso, falta a Libertadores

 

O Flamengo está de volta à final da Liberta e faz os mais novos relembrar as histórias quase míticas da equipa de Zico, Júnior, Leandro, Adílio naqueles anos 80.

Nesses anos de ouro que foi o inicio da década de 80 o Fla venceu 3 dos 4 títulos que tem no Brasileirão (1980, 1982, 1983 e 2009) e conquistou a única Libertadores e Taça Intercontinental que tem no CV (ambas em 1981).

Nessa finalíssima histórica da Libertadores, depois de uma vitória 2-1 e uma derrota 0-1 com os chilenos do Cobreloa, foi Zico a marcar os dois golos no triufo 2-0 no terceiro jogo disputado em Montevideu.

 

 

Para chegar à final, o Flamengo venceu o grupo 3 na primeira fase, à frente de Atlético Mineiro, Cerro Porteño e Olímpia.

Depois limpou o grupo 1 na segunda fase, à frente do Deportivo Cali e do Jorge Wilstermann.

Fechada esta inédita conquista com a vitória sobre o Cobreloa, foi a vez da Taça Interncontinental. Aí, foi a vez de despachar o Liverpool.

Em 36 dias foi samba nas ruas.

 

 

 

River Glate, de Gallardo

Se no Rio há Jorge Jesus, em Buenos Aires mora Marcelo Gallardo. O treinador do River Plate virou ídolo do clube e o maior pesadelo do Boca Juniors.

Há um ano o River venceu a final da Libertadores contra o Boca, na super final como lhe chamaram, disputada em Madrid na comemoração da centésima copa.

Ganhou o River 3-1.

 

O River acabou com a final interminável

 

Agora, voltou a fazer o mesmo. Apanhou o Boca nas meias finais e voltou a fazer o mesmo: 2-0 no Monumental e derrota 0-1 na Bombonera.

River na final com o Flamengo.

Gallardo tem 3 das 4 Libertadores que o River tem no museu: uma como jogador e 2 como treinador.

Será a 15.ª decisão entre brasileiros e argentinos, 9-5 para a Argentina. As últimas duas finais entre clubes dos dois países, em 2012 e 2017, os vencedores foram brasileiros: o Corinthians contra o Boca Juniors, e o Grêmio contra o Lanús.

Jesus vai enfrentar o mito Muñeco, o Boneco como chamam na Argentina a Gallardo. Ele está para o River “como Telê Santana está para o São Paulo ou Tite para o Corinthians ou Renato Portaluppi para o Grêmio”, escreve o jornalista brasileiro Juca Kfouri.

E diz mais: “Vencê-lo igualará Jorge Jesus a todos eles”. Pôxaaaaa.