Sandro é o novo Pirlo. Lê-se em todo o lado e nós acreditamos. Pode até ser o novo Totti, o novo Baggio, o novo Del Piero. O que quiserem. Certo-certo é ele ser a nova grande esperança do futebol italiano.

Nem Sandro aceita o epíteto de Pirlo. Diz ele que é mais uma espécie de Gattuso.

“Comparam-me a Pirlo por causa do cabelo, vou mas é cortá-lo!”, é assim que reage o puto de 19 anos do Brescia. “Pirlo é inalcançável. Como Gerrard, o mais dinâmico da história, ou Modric, único no seu estilo. Eu revejo-me mais em Gattuso”.

Não aceitamos. Quanto muito uma mistura dos dois. A agressividade de Gattuso e a leveza de Pirlo. Aceitam?

O Brescia já não sabe o que fazer para o segurar. Conseguiu mantê-lo no verão perante a insistência da Fiorentina e da Roma – voltou a suster novo ataque na janela de inverno. No fim desta época será quase impossível. Juventus e Inter não pensam noutra coisa.

É hora dos pesadelos do presidente Massimo Cellino voltarem.

«A calma com que ele lida com as coisas é incrível». Corini, treinador do Brescia no início da época

 

Como é que chegámos até aqui?

Tudo começou na Série B (19 jogos na primeira época com 17 anos e 34 jogos na segunda época). As exibições do criativo deram nas vistas e nem Roberto Mancini resistiu a chamá-lo à seleção num amigável contra os EUA em novembro de 2018.

O selecionador tem uma missão difícil em mãos: tornar a squadra azzurra novamente uma equipa ganhadora.

Desde que conquistou o Mundial 2006, a Itália tem vindo a perder protagonismo. Nos torneios seguintes na África do Sul e no Brasil os italianos não passaram da primeira fase; em 2018 na Rússia aconteceu o impensável: não se qualificaram pela primeira vez na história.

Bateram no fundo. A grande esperança agora chama-se Sandro Tonali, a ponta dessa geração de renovação da seleção. Essa nova era composta por Gianluca Mancini, Nicolò Zaniolo, Nicolò Barella, Moise Kean e Federico Chiesa.

Tonali fez a sua estreia oficial internacional no jogo de qualificação ao Europeu a 15 de outubro de 2019 – tinha 19 anos e 5 meses. Substituiu Bernardeschi na segunda parte frente ao Liechtenstein em Vaduz, num jogo ganho pela Itáia 5-0.

Um mês depois fez a sua estreia a titular, no jogo contra a Bósnia, novamente ganho pelos italianos. A Itália passou como primeira do grupo J com 10 vitórias… nos dez jogos.

De volta à Série A, Tonali jogou quase todos os minutos dos 23 jogos desta época, mas a equipa é demasiado curta. As assistências, o acerto nos passes (média de 70%), os dribles além dos desarme têm tido pouca correspondência – o Brescia é último e a continuar assim pode descer e perder a sua jóia.

Não pode haver pior final de época para o presidente Massimo Cellino.