É certo que há quem tenha mais preponderância do que outros, mas facto é que são o futuro, aqui ou noutra competição qualquer.

Começamos pelo mais óbvio: Tammy Abraham. É claro que a maravilhosa época do ponta-de-lança inglês de 22 anos só para os mais distraídos é uma surpresa. Já em 2017/18 tinha sido emprestado pelo Chelsea ao Swansea, vindo directamente da equipa de sub-23 de Stamford Bridge para o clube galês, então ainda na Premier League. Marcou cinco golos, acabou por perder fulgor na segunda metade da época, mas cedo se percebeu, aos primeiros jogos, que estava ali um jogador de talento impressionante.

A prova disso chegou o ano passado, com 26 golos no Championship, ao serviço do Aston Villa, prestação que lhe valeu o regresso à casa-mãe, onde é a grande figura, somando já 11 golos em 16 jogos, mais dois na Liga dos Campeões. É um 9 mortífero, rápido, alto, características que fazem dele um dos grandes avançados do mundo, neste momento. Este Chelsea é um clube de jovens poetas da bola – talvez por isso alguns resultados menos ajustados, como aquele educador de infância que deixa os miúdos em total liberdade no recreio – onde se salientam estrelas como Mason Mount, Reece James, Fikayo Tomori.

 

 

Outro génio que não surpreende nada nem ninguém é Phil Foden. Há muito que está no banco de suplentes de Guardiola, mas o que é facto é que sempre que Pep lhe dá tempo de jogo, o médio ofensivo corresponde. É, a nosso ver, um dos futuros melhores jogadores do mundo, com um passe e visão de jogo ao alcance de poucos, remate fácil, físico interessante. Se não for em Manchester vai ser noutra morada qualquer. Mas escrevam, como Foden há muito poucos por década. Tem 19 anos.

No inconstante Manchester United habita um galês que de pequeno só em tamanho. Daniel James (22 anos) tem sido um dos elementos mais inconformados da turma de Solskjær. Veio do Swansea, já é, lógico, internacional do País de Gales de Ryan Giggs, tem um pontapé perigosíssimo, um cruzamento letal, uma velocidade explosiva. Veremos se terá tempo e apetência para se tornar uma referência do United a longo prazo.

Continuemos em terra galesas para falar do extremo-direito de 22 anos dos quadros do Liverpool, mas emprestado ao Bournemouth: Harry Wilson. Já o ano passado, sob o leme de Frank Lampard, marcou 15 golos no Championship, pelo Derby County. Obviamente sem espaço na equipa de Klopp, o futuro de Wilson pode passar por sair em definitivo para uma equipa onde possa ter espaço. Mas a sua capacidade na faixa direita, o controlo da bola, a velocidade, a clarividência são garantia de futuro para Wilson.

 

 

Se há outro talento que esta edição da Premier League já revelou é o jovem prodígio inglês: Todd Cantwell. Aos 21 anos, e com capacidade para jogar mais como médio interior ou encostado à ala esquerda, faz uso da sua técnica estupenda para se destacar na equipa do Norwich. Teemu Pukki, o avançado finlandês dos Canaries, que o diga, sempre servido por Cantwell com uma classe arrepiante. Soma quatro golos e duas assistências.

Declan Rice é já um nome que talvez não devesse estar aqui. Mas como não estar? O trinco inglês, ainda que seja já muitas vezes titular da selecção inglesa, tem apenas 20 anos. É um portento físico, uma autêntico armário, que ascendeu à equipa principal do West Ham como defesa-central, mas depois percebeu-se que a sua facilidade a sair a jogar, a sua facilidade a roubar a bola eram um desperdício para estar encostado ao guarda-redes. É um dos médios mais interessantes da europa neste momento.

Para o fim, aquele que mais me tem surpreendido: Gabriel Martinelli. A genialidade do talento deste brasileiro de 18 é de arrepiar. Tem sido, nos últimos jogos, titular do Arsenal na esquerda do ataque e é daqueles jovens que quase poderíamos chamar inconscientes, ou sem sentimentos, pela forma desinibida e agressiva com que parte para cima do adversário, num drible curto e numa velocidade que até provocam tonturas. É um talento nato. E é mais uma prova da incrível equipa de scouting do Arsenal, que o contratou ao modesto Ituano, do Brasil, por 6,7 milhões de libras. Está mais do que pago.