Pode parecer estranho que hoje seja segunda-feira. Normalmente, os almoços de família com comida suficiente para se tornarem jantares decorrem ao domingo. Essa ideia de banquete parece não bater certo com um dia em que o comum mortal está de serviço e do outro lado do Atlântico há um porco no espeto do melhor ténis do mundo à nossa espera.

É verdade, começa hoje o segundo e este ano não último Grand Slam. O US Open proporciona-nos a maior barrigada de ténis de 2020 — se não é, pelo menos parece. São 62 jogos distribuídos entre o torneio feminino e masculino, a começar pelas 16h e a poder prolongar-se até relativamente tarde. Resumindo: peça lá ao patrão para sair mais cedo e corra para o sofá.

Começando pelas senhoras, é essencial que comecemos por lamentar a ausência da vencedora de 2019, a canadiana Bianca Andreescu, que, tal como outras jogadoras de alto ranking — Barty, Bertens e Svitolina — optaram por não marcar presença em Flushing Meadows devido a toda a situação pandémica existente. Assim sendo, Karolina Pliskova, Sofia Kenin, Serena Williams e Naomi Osaka são as primeiras quatro pré-designadas e principais favoritas a erguer o troféu.

Como sempre, um dos grandes ingredientes do torneio é perceber se Serena vai chegar ao 24º major, depois de duas finais consecutivas perdidas nos dois últimos anos — se chegar a esse número iguala Margaret Smith Court, recordista com precisamente 24 títulos. Também a vencedora de 2016 Angelique Kerber, com um ranking actual bastante mais baixo do que o seu valor, pode fazer das suas numa superfície de que tanto gosta.

Numa situação idêntica está a campeã de 2017 Sloane Stephens, que já passou momentos mais positivos na carreira e que é uma incógnita para a competição. Outro enorme facto de destaque: o regresso de Kim Cljisters. Depois de se retirar duas vezes do ténis ao mais alto nível, depois da maternidade, depois de três títulos US Open — 2005, 2009, 2010 — a belga vai tentar o quarto. Na primeira ronda defronta a jovem russa Ekaterina Alexandrova, ou seja, não vai ser fácil.

 

 

Mudamos de rumo agora para a zona de roupa masculina. E começamos logo com números grandes: um dos primeiros jogos do dia é dos que mais interesse despoleta, o confronto entre Kevin Anderson e Sascha Zverev. Ainda nos XXL, Reilly Opelka teve o azar de o sorteio o fazer defrontar, logo na primeira ronda, o top 10 mundial David Goffin — o belga também pode achar que o azar é dele.

Há ainda dois portugueses no quadro principal de um slam que este ano não teve direito a qualificação. Assim sendo, Pedro Sousa defronta o wildcard Mitchell Krueger e a João Sousa calhou-lhe o também wildcard Michael Mmoh. Em teoria, os portugueses deviam conseguir superiorizar-se, mas em terras norte-americanas e em piso rápido a cantiga pode ser outra.

O número 1 mundial venceu Milos Raonic na final de Cincinnati e continua invicto em 2020, o que nos deixa com a eterna dúvida à partida para este torneio: alguém vai conseguir atirar o homem ao chão? E logo num ano em que Rafael Nadal e Roger Federer não marcam presença. Defronta hoje Damir Dzumhur, enquanto que Dominic Thiem (depois da queda inesperada contra Krajinovic) terá de superar o espanhol Jaime Munar.

Medvedev joga diante de Federico Delbonis e o renovado Andy Murray terá o difícil e pequeno japonês Nishioka pela frente. Outro jogo que deve garantir espectáculo, é o debate por um lugar na segunda-ronda entre o espanhol e muito em forma Bautista-Agut e o sempre difícil de bater em hard court: Tennys Sandgren.

Faça como nós dissemos: saia cedo e apanhe esta barriga de ténis até adormecer. Amanhã há mais.

Sugestão de aposta:
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