Em 2018, foi considerado pelos seus colegas do circuito, como o Newcomer of the Year. Este ano, apesar de alguns tropeções, o australiano (que tem também nacionalidade espanhola) termina o ano em #18 do ranking ATP, com três títulos do circuito 250 e a certeza de que está para ficar. 2020 poderá ser dele.

Estranhava-se o nome. Quem é este rapaz que já chega a umas primeiras-rondas de Grand Slams e usa chapéu – ora para a frente, ora para trás – cuja grafia do apelido sugere que seja espanhol, mas que afinal é australiano? Mas quantos tenistas não vimos já nós a habitar quadros de torneios de grande importância para depressa ao anonimato voltarem? Em 2017, pode ter sido essa a ideia.

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Taça Davis
Diego Schwartzman vs Rafael Nadal
4,80 – 1,03

Mas um ano volvido, quando chega à final do ATP 250 de Sydney, onde perde para Medvedev as dúvidas sobre o jovem do chapéu começaram a dissipar-se. O seu fantástico jogo de pernas, a facilidade de esquerda e de direita, sempre com pancadas secas e profundas, convenceu o mundo.

Mais tarde nesse ano de 2018, em Agosto, chega à final do ATP 500 de Washington D.C., perdendo apenas na final para Sasha Zverev, vencendo pelo caminho nomes como Chung, Steve Johnson, Andy Murray ou Rublev. E ainda foi à final das NextGenFinals onde saiu derrotado pelo grego Stefanos Tsitsipas.

 

 

Foi natural por isso, vê-lo vencer o torneio de Sydney em Janeiro deste ano. Só que os meses que se seguiram foram uma desilusão, quando se pensava que o aussie ia escalar montes, torneios e redes, acumulou uma série de derrotas em primeiras e segundas rondas algo impossíveis de compreender, uma delas em solo nacional, no Millennium Estoril Open, com João Domingues.

Mas Alex deve ter um fascínio qualquer com os Estados Unidos. No ATP 250 de Atlanta despacha Klahn, Tomic, Opelka e e Fritz para vencer o torneio. Foi o american dream de De Minaur a funcionar.

Foi ainda na terra do fast-food que alcançou o seu melhor resultado de sempre em Grand Slams chegando à quarta-ronda do US Open, vencendo pelo caminho gente de muita qualidade como Herbert, Garin e o então número 7 mundial, Kei Nishikori, caindo apenas perante um Grigor Dimitrov endiabrado que chegou às meias-finais do torneio e pelo caminho limpou Roger Federer.

Na ressaca do fast-food e, eventualmente, do bourbon, ruma em busca de tapeçarias no Oriente para vencer o ATP 250 de Zhuhai, onde nas meias-finais cilindrou o número dez mundial à altura, Bautista-Agut por duplo 6-2. E ainda foi a tempo de perder mais duas finais: Basileia, cedendo ante de Roger Federer e de novo e final das NextGenFinals, desta vez para o miúdo-maravilha italiano Jannik Sinner (já agora, cuidado com este para o ano que se segue).

Ontem, ganhou a um dos tenistas em melhor forma actualmente no circuito: Denis Shapovalov em três sets, nas Davis Cup Finals, ao serviço da Austrália e com o seu treinador sentado a seu lado, capitaneando os cangurus.

 

 

De facto, ver De Minaur a jogar dá vontade de reforçar a alcunha e a ligação do seu país natal com estes animais, é impressionante a velocidade de execução e das pancadas do saltitão Alex, como lhe poderíamos apelidar. Relembremos ainda que este canguru tem apenas 20 anos, ainda mal se libertou da bolsa da mãe.

Quando tiver mais dez será, se tudo correr bem, um dos melhores do circuito. 2020 pode bem ser o ano dele. Aliás, vai ser o ano dele. Se assim não for, na melhor das hipóteses, oferecemos uma média a quem vier apresentar reclamação.