Nem sequer sou pai, a questão não é essa, mas tem dado gosto ver jogar Gaël Monfils durante esta temporada. Ontem atropelou Pablo Andújar (6-1, 6-2 e 6-2) para chegar aos quartos-de-final do US Open. Nos quartos-de-final enfrenta o italiano Matteo Berrettini (#25).

Em 2004, no seu último ano de júnior, Gaël Monfils venceu os três primeiros slams da temporada, não conseguindo apenas vencer o US Open. Terminou o ano como líder do ranking mundial de júnior, e em 2005, no seu primeiro ano como profissional, venceu o seu primeiro título ATP, em Sopot (Polónia), frente ao alemão Florian Mayer.

E nesse ano foi escolhido pelos jogadores como ATP Newcomer of the year, ou seja, o tenista francês sempre impressionou pelo seu talento, pelas suas pancadas inovadores, pelo espectáculo que sempre agitou as bancadas por todos os torneios onde passava.

Só que depois Monfils meio que se eclipsou nessas bolas que por vezes se assemelhavam mais a números de circo do que a ténis propriamente dito. É certo que chegou a duas meias-finais de Grand Slam: Roland Garros (2008) e US Open (2016).

Mas também se diga que de 2007 a 2016 falhou nove Grand Slams por diversas lesões no joelho, no ombro e no tendão de aquiles. Ou seja, as lesões também não permitiram a Monfils amadurecer e tornar-se um tenista consistente e capaz de assustar os melhores. O seu melhor ranking foi o número seis do ranking mundial, depois dessas meias-finais do US Open de 2016, mas foi sol de pouca dura.

Depressa voltou a constar do top 30 e 40 do Ranking ATP e por aí foi ficando, subindo gradualmente até agora ser número 13, tendo já conquistado o ATP de Roterdão este ano na sua única final do ano.

Isto para dizer que já tínhamos gostado de o ver este ano – é normal que tenha perdido com um fantástico Thiem na quarta-ronda de Roland Garros –, mas a forma como está a jogar no US Open não deixa de surpreender. Despachou sem grande problema Albert Ramos-Vinolas e Marius Copil, sem perder um set, nas duas primeiras rondas. E na terceira ronda enfrenta um super Denis Shapovalov, num duelo a 5 cinco sets que foi um dos melhores do torneio – e que esperemos que todos tenham visto.

Monfils já esteve condenado por meio mundo. E hoje, aos 33 anos, é um jogador profundamente concentrado, que bate forte na bola – como sempre bateu – e que é capaz de defender como nunca antes. Aliás, ontem com Andújar bem se viu como tem sido difícil fazer um winner ao número 1 francês. A consistência da direita e da esquerda estão bem no ponto, o serviço está altamente feroz, e as lesões é rezar para que não voltem a aparecer.

É porque Monfils ficou mais velho, mais calmo, mas não deixou de fazer dos seus números, não deixou de publicar vídeos divertidos nas redes sociais a dançar com a sua namorada e também jogadora: a ucraniana Elena Svitolina (#5).

E não deixou de fazer smashes impressionantes. Se acham que Monfils está acabado vejam isto. Só lhe falta ganhar a Berrettini e esperar para ver o que é capaz de fazer nas meias-finais frente a Rafa Nadal ou a Diego Schwartzman. Que orgulho, Monfils.