É mais um frete do que outra coisa. Representar os EUA no Campeonato do Mundo de basquetebol parece ser neste momento uma seca daquelas para as superestrelas americanas.

A maior parte dos jogadores já disse que não está para isso. E quem sofre é o Popovich (o selecionador para quem não sabe).

Será oficialmente o fim da Dream Team?

Usando bom português, o que podemos esperar desta seleção dos EUA é uma coisa feita às três pancadas.

Será feita de segundas e terceiras escolhas, mas mesmo assim vai ter muita, mas muita qualidade.

Teremos sempre a turma de 1992. E esta deve estar neste momento a dar voltas à cabeça e a pensar se foi para isto que elevaram o basquetebol do país ao topo do mundo naqueles Jogos Olímpicos em Barcelona.

O orgulho de representar a seleção deveria ser um privilégio para todos os que nessa posição se colocam, mas neste momento para os americanos isso parece ser mais um sacrifício do que outra coisa.

Em 1992 o mito foi criado: uma seleção munida das maiores estrelas do basquetebol da altura, sem tirar nem pôr.

 

 

Foi apelidada de Dream Team e depois disso todas as que se seguiram tiveram de se contentar com um lugar secundário na história do domínio americano.

Dream Team 1992
Larry Bird
Scottie Pippen
Michael Jordan
Karl Malone
Charles Barkley
Magic Johnson
Patrick Ewing

Para os americanos, o domínio registado nas últimas edições dos Jogos Olímpicos (2008, 2012 e 2016), parece ter provocado uma perda de motivação dos principais jogadores para jogar na equipa nacional.

(Ganhar sempre, afinal também cansa).

Mais recentemente, nos Jogos Olímpicos do Rio em 2016, ficaram de fora nomes como Lebron James, Stephen Curry, Kawhi Leonard, James Harden, Russell Westbrook, Damian Lillard.

Estava dado o aviso. E mesmo assim levaram o ouro para casa.

Curry e Harden que, aliás, dois anos antes, em 2014, tinham participado no Mundial, que é de longe uma prova menos prestigiante que os Jogos Olímpicos.

Mas mais que a importância destas competições em termos de reputação internacional, o que estará a pesar na decisão jogadores em participar ou não, parece recair sobre a influência que estas provas podem ter no decorrer das suas épocas na NBA.

O cansaço, as lesões, a perda de foco, tudo isto poderá contribuir para que o trajeto na NBA seja impactado.

Para estes Mundiais não é de todo estranho pensar que os EUA poderão não ganhar o ouro.

Depois dos falhanços do Mundial de 2002 e 2006 e dos Jogos Olímpicos de Atenas em 2004, terem provado que a invencibilidade tem sempre um prazo de validade – mesmo para os americanos -, os últimos 11 anos parecem ter apagado essas memórias passadas.

EUA
2008 – Jogos Olímpicos de Pequim – Ouro
2010 – Mundial de Turquia – Ouro
2012 – Jogos Olímpicos de Londres – Ouro
2014 – Mundial de Espanha – Ouro
2016 – Jogos Olímpicos do Rio – Ouro

Desde 2004 que os EUA não perdem uma competição internacional e a ideia de que até uma equipa secundária pode varrer tudo parece desmotivar os principais nomes do basquetebol norte americano.

E talvez somente com uma surpresa das boas é que o paradigma poderá mudar.

Este ano a razia foi enorme.

Não há Lebrones, Hardenes nem Currys para ninguém.

Nem mesmo Durant, Westbrook, Irving ou Kawhi. Zero.

Apenas um dos onze americanos presentes na NBA All-Team deste ano deverá constar na lista de Popovich – Kemba Walker.

 

“I will be there for sure. I couldn't care less about who’s dropping out.” – Kemba Walker 🇺🇸 #USAGotGame #FIBAWC

Publicado por FIBA Basketball World Cup em Sábado, 27 de julho de 2019

 

Até o próprio Zion Williamson se declarou indisponível para participar – um jogador que saiu agora dos universitários e nem sequer fez um jogo pela NBA.

 

 

Caso mais nenhum desista ou se lesione, a equipa dos EUA deverá andar à volta destes:

– Andre Drummund
– Brook Lopez
– Kyle Lowry
– Khris Middleton
– Myles Turner
– Jayson Tatum
– Kemba Walker

E atenção, que apesar de nenhuma equipa conseguir neste momento ombrear com os americanos, não nos podemos esquecer que há mais qualidade para outros lados.

Grécia – Giannis Antetokounmpo
Sérvia – Nikola Jokic
Espanha – Marc Gasol, Ricky Rubio

Resta saber se serão suficientes para provocar uma surpresa ou se mais uma vez serão os mesmos de sempre a ganhar o ouro sem muito se esforçarem para tal – seriam a única seleção a conseguir vencer a prova três vezes consecutivas.

Desde a criação da competição, em 1950, os Estados Unidos são os mais medalhados e estão empatados com a Jugoslávia em medalhas de ouro.

Mundial 
EUA 5 ouros, 3 pratas, 4 bronzes
Jugoslávia 5 ouros, 3 pratas, 2 bronzes
URSS 3 ouros, 3 pratas, 2 bronzes

Agora é só esperar pelo início do Mundial que começa a 31 de agosto e até 15 de setembro.

A China irá acolher o evento que servirá também como qualificação para os Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020.

 

 

Alguém interessado?