Jorge Fonseca de 26 anos conquistou a medalha de ouro na categoria de -100kg no Mundial de judo, que teve lugar em Tóquio no Japão.

A comemoração está nas bocas do mundo, é que o atleta mostrou que também tem pezinhos para a dança e um humor de fazer inveja a muita gente.

 

 

O judoca do Sporting derrotou o russo Niyas Illyasov e consagrou-se campeão mundial de judo na categoria de -100kg. É o primeiro português a sagrar-se campeão na modalidade num mundial.

Para chegar à tão ambicionada final, o jovem que nasceu em São Tomé, derrotou Elmar Gasimov do Azerbaijão nas meias finais, vice-campeão olímpico, o georgiano Liparteliani, o chileno Briceno, o indiano Avtar Singh e o irlandês Benjamin Fletcher e se fosse preciso tinha energia para mais.

Agora quer ser recebido em festa, com muita dança e sorrisos na cara.

«Quero ser recebido em festa, todo o mundo a dançar e a viver. É isso que eu quero (…) Não consigo imaginar um melhor desempenho para esta competição. Trabalhei bastante para isto e estou muito feliz. Senti-me o melhor judoca do mundo, trabalhei imenso para isto e é um momento muito grande na minha vida. [Ouvir o hino] é uma situação incrível, nunca o tinha ouvido em campeonatos do mundo. Espero voltar a ouvir muitas vezes»

 

 

Mas desengane-se quem acha que a vida do jovem atleta sempre foi fácil.

Ora aí vem mais uma história de talento e superação ☺

A 30 de Outubro de 1992 nascia Jorge Fonseca. Depois de passar a infância em São Tomé, em 2003 rumou a Portugal com 11 anos de idade. Como a grande maioria dos adolescentes começou por dar uns pontapés na bola, mas rapidamente percebeu que jeitinho para o futebol não era o seu forte.

Mas uma coisa é certa, todos temos jeito para alguma coisa e o Jorge não é excepção.

Com a curiosidade à flor da pele, deu por si a ver outras opções, outros desportos que poderia gostar e para os quais tivesse mais jeito. É aí que se começa a formar o seu futuro, cheio de altos e baixos mas com muita força de vontade e dedicação. Os campeões são assim.

É nesta parte da história que entra Pedro Soares, que é o seu treinador no Sporting, clube que representa.

Jorge conheceu-o na Damaia, numa escola onde dava aulas e depois de assistir a algumas aulas pela janela, pediu autorização à mãe para começar a treinar.

Depois da autorização, rapidamente a curiosidade passou a paixão, e assim começou toda transformação física necessária para se tornar um atleta de topo. Os sonhos do miúdo nunca mais pararam.

Em 2009 a paternidade bateu-lhe à porta e as suas prioridades mudaram, mas mesmo assim continuou a treinar e as medalhas começaram a chegar.

Conquistou a medalha de ouro de sub-23 no campeonato na Europa em 2013, mais concretamente a 17 de Novembro, também uma estreia para a selecção portuguesa. Foi buscar o bronze no Open de Glasgow e no Open de Bucareste e o quinto lugar no Grande Prémio de Rijeka.

Mas como o destino é traiçoeiro, em 2015 descobriu que tinha um tumor na perna e teria de fazer tratamentos imediatos, mesmo assim nunca desistiu, continuou a treinar durante os tratamentos e foi buscar ao filho a força que era preciso para continuar.

«Foi complicado, porque quando fazia os tratamentos estava sempre maldisposto, de cara trancada, e tinha ali ao meu lado o meu filho que me fazia rir. Cheguei a ir treinar doente. Na altura dos tratamentos ficava arrasado, mas quando estava com ele ganhava força»

O treino para ser o melhor do mundo é diário, 3 horas de manhã, 3 de tarde, folgas só ao domingo, são 6 dias por semana de trabalho árduo e contínuo que lhe deram o primeiro ouro de sempre da história de Portugal na modalidade.

O futuro passa por ser profissional de segurança pública, polícia, por outras palavras, mas antes disso ainda há Jogos Olímpicos de 2020 para disputar e o jovem judoca garante que os quer ganhar.

Por agora o que interessa é gozar o presente e aproveitar todas as felicitações que não tardaram a chegar.

 

 

 

 

Bárbara Timo foi a primeira a ganhar uma medalha no mundial, na categoria de -70kg, conquistou o segundo lugar no pódio.