Serena Williams perdeu a final do US Open. Ou melhor, Naomi Osaka venceu a final do US Open, por 6-2 e 6-4. Mas a história rocambolesca passou-se no segundo set.

Ou algo que podemos chamar Serena, anatomia de uma derrota.

A norte-americana incorreu em três penalizações seguidas:

1 – recebeu instruções do treinador Patrick Mouratoglou no segundo set quando Osaka servia;

2 – partiu a raqueta no segundo set quando sofreu break com 30-40, a servir com 3-1 a favor;

3 – chamou ladrão ao árbitro.

(no dia seguinte a tenista foi multada em 10 mil dólares (8641 euros) por abuso verbal contra o árbitro, 4 mil (3456 euros) por receber instruções do treinador e 3 mil (2592 euros) por partir uma raqueta)

 

 

 

A norte-americana, detentora de 23 Majors, estava à beira de fazer (mais) história, vencer o 24.º título do Grand Slam e igualar a australiana Margaret Court. Mas estas três advertências deram cabo de tudo, até deram cabo da final ganha por Osaka que não pôde celebrar convenientemente a vitória.

Esta é uma história antiga, que teve o seu ponto alto no domingo.

Vamos por partes.

O treinador Mouratoglou fez coaching (deu instruções). O francês admitiria ao fim que tinha dado instruções à sua tenista no segundo set, quando Osaka servia 40-15 no jogo 0-1.

 

 

Começou aqui o diálogo aceso com o árbitro português Carlos Ramos.

“Não faço batota para ganhar, prefiro perder. Eu estou só a dizer.” E voltou para o jogo, mas Osaka venceria no seu serviço.

Williams disse calmamente novamente que não tinha feito batota, e Ramos disse: “Eu sei.”

Foi o último momento de calmaria, com Williams a concluir: “Ok, muito obrigado.”

 

 

Raqueta partida

No segundo set e a servir para fazer o 4-1 , sofreu um break point com 30-40 e passou o encontro para 3-2, com possibilidade de Osaka empatar 3-3 (que foi o que aconteceu). Antecipando isso, Serena atirou com violência a raqueta ao chão. E levou novo castigo.

Osaka começou o jogo de serviço com uma vantagem de 15-0.

Ramos anunciou o marcador e disse “Code violation, racket abuse, point penalty, Mrs. Williams (violação das regras, abuso de raqueta, castigo do ponto).”

 

 

 

“Deve-me uma desculpa”

Williams não se apercebeu do castigo e quando foi avisada do 15-0 para a adversária aproximou-se da cadeira do árbitro: “Isto é inacreditável, sempre que jogo aqui tenho problemas”, disse a tenista a Ramos.

“Deve-me um pedido de desculpas”, disse em voz alta, enquanto o público assobiava. “Eu nunca traí na minha vida. Tenho uma filha e defendo o que é certo para ela e eu nunca traí. Deve um pedido de desculpas.”

 

 

“É um ladrão”

No segundo set, com Osaka a liderar 4-3, na troca de campo, Williams chaou ladrão ao árbitro.

“For you to attack my character, then something is wrong. It’s wrong. You are attacking my character (Para atacar o meu caráter algo está errado. Está errado. Está a atacar o meu caráter).”

Ramos disse qualquer cosa inaudível e a tenista respondeu.

“Yes you are. You will never, ever, ever be on another court of mine as long as you live. (Sim, está. Nunca, nunca, nunca estará noutro court comigo enquanto for vivo).”

Depois de forma mais feroz, voltou a atacar.

“You are the liar. When are you going to give me my apology. You owe me an apology. Say it! Say you’re sorry (É mentiroso. Quando é que me vai dar o meu pedido de desculpas? Deve-me um pedido de desculpas. Diga-o! Diga que está arrependido).”

 

 

Ramos então anunciou ao público. “Code violation, verbal abuse. Game penalty, Mrs. Williams”.

O árbitro chamou as duas jogadoras à sua cadeira para explicar a situação. Serena ficou inrédula.

“Are you kidding me, because I called you a thief? But you stole a point from me (Está a brincar comigo? Por que eu chamei-o ladrão? Mas roubou-me um ponto).”

Depois, a atleta chamou os responsáveis do torneio e disse não entender por que estava a ser castigada. E fez a comparação com o que se passa quando os homens jogam.

“Você sabe quantos homens fazem coisas que são muito piores que isto? Não é justo. Há muitos homens que disseram muita coisa, mas como são homens não lhes acontece nada”, disse a Brian Earley, o árbitro do torneio, e a Donna Kelso, a supervisora do Grand Slam.