As senhoras primeiro.

Escândalo em Melbourne.

A primeira cabeça-de-série e número 1 mundial caiu diante da checa Karolina Muchova, que já tinha eliminado Karolina Pliskova e Elise Mertens, mas que agora sobe o nível e vence uma das principais favoritas ao título final, que ainda para mais jogava em casa.

Barty vencia por 6-1 e 2-0 e acabaria por ser derrotada: 1-6, 6-3 e 6-2. Está difícil o regresso aos títulos individuais de grand slam para a australiana: o único foi alcançado em 2019, na terra batida de Roland Garros.

 

 

Os quartos-de-final femininos prosseguiram com um duelo norte-americano, onde Jennifer Brady continuou a provar que é peixe dentro de água em majors.

Em agosto/setembro de 2020, no US Open, só Naomi Osaka foi capaz de parar a americana, já nas meias-finais, fase a que agora também chega em Melbourne.

 

Brady precisou de três sets para superar Jessica Pegula — a filha de Terry Pegula, dono da equipa da NFL os Buffalo Bills e um dos homens mais ricos do planeta —, que é apenas número 61 do mundo e pelo caminho havia vencido Elena Svitolina.

Brady está no melhor momento da sua carreira, alcançado a segunda meia-final de grand slam e tem uma oportunidade de ouro para chegar à primeira final.

 

Não será, certamente, fácil levar de vencida Karolina Muchova, mas é seguramente melhor do que estar presente na outra meia-final, que mais parece uma final antecipada.

Às 03h da manhã da próxima madrugada, Naomi Osaka e Serena Williams disputam o primeiro lugar na final e logo os fantasmas das finais perdidas aparecem na campeoníssima Serena — tal como na memória de todos os fanáticos de ténis.

 

Sobretudo aquele fantasma da final do US Open de 2018, perdida para Osaka, que tantas marcas parece ter deixado em Williams.

Será desta que chega aos 24 slams?

O que é certo é que a sua vitória diante de Simona Halep é um bom indício nesse sentido. Mas nada como esperar, acordado — é meter palitos nos olhos, se for preciso — e ver para contar.

 

Tsi-Tsi-Tsitsipas

Nos homens, ainda durante a madrugada passada, o duelo russo acabou da mesma forma de sempre: com uma vitória em sets directos para Daniil Medvedev.

Ainda não foi desta que Andrey Rublev deu esse passo em frente, esse desbloqueio que o permitirá chegar a um novo patamar de ténis, sobretudo mentalmente, ele tem tudo para fazer mais e melhor, mas a confiança não se vende em qualquer supermercado.

 

 

Medvedev vai agora defrontar Stefanos Tsitsipas nas meias-finais, que derrotou o espanhol Rafael Nadal por 2-6, 3-6, 7-6, 6-4 e 7-5.

O primeiro set estava a ser, aparentemente, dominado por Stefanos Tsitsipas.

O grego foi mais expedito no seu serviço, encurtou os pontos, não deu espaço de manobra ao veterano espanhol.

Pelo menos até ao sétimo jogo.

 

 

Aí, bastou um ponto de break — o primeiro e único do encontro até aqui — para Rafa roubar o set, que claramente não era seu.

Quando no primeiro jogo do segundo set, Tsitsipas volta a sofrer um break, já não podemos falar em furto.

O grego achou que ia vencer Nadal a bater com força na bola e a colocar em prática o seu ténis ofensivo…

Ora, isso é meio um suicídio diante do melhor jogador do circuito no momento do contra-ataque.

 

Karatsev, a Austrália é dele

 

O segundo set foi um passeio para o espanhol, que ficou fechado em 6-2. Tudo estava a fazer lembrar a meia-final de 2019 (6-2, 6-4, 6-0), pronto, era um jogo sem história, íamos à nossa vida, pensávamos no almoço, por aí.

Mas Tsitsipas começa a acertar mais, não propriamente a jogar de forma diferente, mas mantendo pressionado o pedal da agressividade.

A isso junta uma aparente ideia de não preocupação, como se já tivesse perdido, como se o campo estivesse maior e as bolas caíssem mais perto das linhas.

Com um tie-break mandão de Tsitsipas o encontro segue para o quarto set.

 

Quando se esperava a reacção de Nadal, homem que sempre parece vir com tudo quando está por baixo, quando as coisas lhe correm menos bem, foi precisamente o contrário que aconteceu.

O equilibrado quarto set — onde pairava a ideia de que, mais tarde ou mais cedo, Rafa faria o break — caiu para o lado de Tsitsipas, que começou a defender de forma muito mais consistente e a prolongar os pontos, táctica que não costuma resultar com o espanhol.

Mas a verdade é que os melhores também falham, como aqui ficou provado e Tsitsipas conseguiu o break ao nono jogo e fechou, de forma assertiva, o set logo de seguida.

No quinto set, Nadal cedeu fisicamente, começou a acumular ainda mais erros, e viria a perder o serviço ao décimo primeiro jogo do quinto set, numa altura em que, apesar do cansaço, a emoção parecia elevar o nível de jogo — o fanático de ténis começa a ver tudo, mesmo quando não existe.

O final sorriu para Tsitsipas, que conseguiu apenas a segunda vitória sobre Nadal e a sua terceira meia-final de grand slam.

Também amanhã, já de manhã, às 08h30, o número um mundial Novak Djokovic escreve o próximo capítulo do conto-de-fadas de Aslan Karatsev, o qualifier russo de 27 anos, que participa pela primeira vez num torneio de grand slam, terá pela frente o temível sérvio.

 

 

Será capaz de prosseguir o enredo? Lá bonito era.

Nem as aves que sobrevoam a Rod Laver Arena saberiam o que cantar.