Imaginem ser pai muito novo. Não é fácil, certo? E ser pai aos 14 anos? E ser pai aos 14 anos ao mesmo tempo que se passa a ser jogador profissional de futebol? E ter logo mais um filho passado dois anos?

Pois bem, Wesley Moraes, avançado do Aston Villa, que custou 26 milhões no mercado de verão de 2019, não precisa de imaginar, porque tudo isto lhe aconteceu quando ainda estava no Brasil.

“Tive o meu primeiro filho aos 14 anos. Foi difícil porque foi aí que tentei jogar futebol profissional. Trabalhava de dia e ia treinar à noite”, afirmou Wesley em entrevista à SkySports em outubro do ano passado.

Mas como uma adversidade nunca vem só – e no caso deste avançado de Juíz de Fora (Brasil) ela até veio antes – Wesley antes de ser pai, já tinha perdido o seu aos 9 anos. Um derrame cerebral, fez com que a família de 4 irmãos, sendo Wesley o mais novo, atravessasse ainda mais dificuldades.

Foi preciso trabalhar numa fábrica, 11 horas por dia, a receber perto de 200 euros por mês, ao mesmo tempo que começava a carreira, em modo semi-profissional, com apenas 17 anos. Antes já tinha jogado futebol de salão no Little Botafogo, como conta um artigo do Diário de Notícias.

“No Brasil a primeira prenda que recebes quando nasces é uma bola de futebol. No Brasil não amamos apenas o futebol, nascemos com ele”, contou, citado pelo DN.

Mas para Wesley o futebol não era só sina, era também uma espécie de salvação: em 2015 salta dos juniores do Itabuna para o AS Trencin na Eslováquia, fazendo 22 jogos e marcando 8 golos. Mas atenção, antes Wesley já tinha sido encontrado pelos olheiros do Atlético de Madrid, mas ficou apenas alguns meses nos sub-20, sem conseguir grande coisa.

Depois do Trencin chegou o Club Brugge onde começou a dar nas vistas com maior regularidade, chegando aos 17 golos na época 2018/2019. E foi aí que Inglaterra começou a olhar para ele de outra forma. De uma forma que fez com que o Aston Villa fizesse a sua contratação mais cara de sempre.

E até conseguiu ser chamado para jogar na seleção brasileira – sim, foi só uma vez, mas com apenas 23 anos não é nada mau.

Mas para além de todas estas adversidades, Wesley ainda teve de contar com mais uma: ter uma perna maior do que a outra, apenas 3 centimetros. Ou seja, a perna esquerda é maior do que a direita.

“Já tentei colocar uma palmilha, mas o meu corpo não se adaptou. Mas creio que isso não muda nada, se mudasse não estaria aqui. É como o Garrincha. Garrincha deu certo, não é?” (o brasileiro tinha as pernas tortas), comentou, citado pelo Globo Esportes. É ver se consegue deixar uma marca no futebol. Não será fácil. Semelhante.

Falta só saber porque é que Moraes tem a alcunha de Jacaré. É simples: o avançado brasileiro, em tempos, costumava imitar um dançarino do Brasil, cada vez que celebrava um golo. Agora resta esperar para ver se Wesley consegue morder as redes do Manchester United de Bruno Fernandes, esta noite.