Um tipo cool é sempre um tipo cool.

Que o diga Maxwel Cornet que, ao ler as entrevistas que vai dando à imprensa francesa, leva sempre com essa descrição.

O avançado/extremo do Lyon tem 23 anos mas já calçou em seis épocas consecutivas no clube francês. Antes passou pelo Metz, onde se formou, mas não ficou para continuar uma carreira profissional.

Vai estar presente na Taça da liga francesa diante do PSG desta semana. Coisa pouca, até para quem já marcou golos na Liga dos Campeões (diante do Valência).

Sexta-feira 31 julho 20h10
França – Taça da Liga
PSG vs Lyon
1,38 – 4,30 – 5,35

A verdade é que foi sendo visto como uma grande promessa mas ainda não saiu de França.

O Manchester City já o sondou mas, falta selar a saída. É, de facto um bom extremo, muito veloz, mas falta-lhe aquele quê de magia. Ou de sorte. Atitude, isso, não lhe falta.

O problema é mesmo que a oportunidade não está já around the Cornet.

Conta que “nasceu” com a bola nos pés. Até saltava refeições para jogar à bola. Mais: não sabemos bem porquê, mas quando Julien Faubert (veterano que jogou no Bordeaux, no West Ham e imagine-se, no Real Madrid, por empréstimo, apenas dois jogos) deu a camisola a Cornet quando o costa marfinense ainda estava no Metz, o próprio teve um momento de luz e percebeu que era isto que queria fazer profissionalmente.

Enfim, cada um com a sua mania. E com os seus ídolos.

O pai era soldado – e agora empresário – por isso, em parte, teve uma educação dura (até com umas bofetadas à mistura), ainda que tivesse um lado mais brincalhão – praticado longe dos olhares do progenitor, na escola.

Numa longa entrevista à revista Onze Mondial, de 2019, Maxwel, aqui descrito como um tipo cool, que muda muitas vezes de penteado, adora ir ao cinema, e que relembra que gostava muito de motas, mas que, graças ao pai, teve sempre de ter muita calma com esse fascínio. Valeu-lhe a educação.

Formou-se no Metz, mas não aceitou profissionalizar-se no clube francês. O avançado costa marfinense diz, nesta entrevista, que não recusou, a verdade é que em 2015, no meio deste conflito, acabou por saltar para o Olympique de Lyonnais.

Descontraído, auto-proclama-se como “bon vivant”, ganha também o carimbo de tipo mais bem humorado do balneário (que até conta anedotas mas, na tradução para português, este que vos escreve não conseguiu percebê-la).

Também gosta de tatuagens – tem uma chita (animal favorito), um elefante (para lembrar a Costa do Marfim) ou o nome da avó (porque, enfim, é a avó) – e de tatuar o seu nome na seleção do seu país.

Ainda que tenha alinhado pelos franceses no sub-21, preferiu envergar a camisola marfinense (19 internacionalizações e 5 golos apontados), sendo que tem as duas nacionalidades.

Quer também ser empresário como o pai quando pendurar as botas, mas ambiciona chegar a um grande clube europeu: do Real Madrid ao Borussia Dortmund. E se nada disto tivesse resultado? Soldado, claro, tal como o pai.

 

nota: o leitor terá reparado que Maxwel Cornet disse que gostava de filmes. Mais tarde, quem vos escreve descobriu que o Cornet tem dois filmes preferidos: “I am a Legend” (ok, tudo bem) e “Avatar” (ok, nada bem). Pedimos, por favor, que não visione o segundo filme. Não lhe vai fazer bem. Oiça antes a música “Just Around the Corner” porque, primeiro, é um bom trocadilho com o nome do jogador, e depois porque sairá muito mais satisfeito do que ver aquele filme bizarro de seres azuis.