Adebayo Akinfenwa tem uma marca de roupa (Beast Mode On). E tem uma autobiografia, que lançou 10 anos depois de ter falhado um penálti para o Swansea que lhes daria a promoção.

Foi declarado como o jogador mais forte do mundo no jogo do FIFA. Tem 38 anos e uma alcunha: “The Beast” (86 quilos).

Tem uma carreira toda dedicada a clubes ingleses (14 no total, nunca estando mais do que 30 meses em cada um deles).

Tem um insólito para mais tarde recordar onde se inclui um final de contrato que o levou a pedir no final do jogo pelo AFC Wimbledon (onde conseguiram os playoffs de acesso à League One em 2016) a algum treinador que o contactasse via Whastaap.

E tem, finalmente, um bilhete de ida para o Championship – segundo escalão do futebol inglês – depois de ter ajudado o Wycombe a lá chegar, pela primeira vez em 133 anos de história.

Sim, este é o homem que viu por aí nas notícias, depois de ter conseguido falar com o treinador do Liverpool (de quem é grande fã), Jürgen Klopp.

 

Mas, como dá para comprovar, não se pode reduzir este alemão a um pequeno detalhe. Basta ver o que disse no final do jogo que lhes deu a promoção, para perceber que estamos a falar de alguém completamente contrário àquilo que é o protótipo típico de um futebolista.

“O que importa é a opinião que tens de ti”, afirmou, já quase no final. Pois bem, com 38 anos, o importante é mesmo continuar confiante das suas capacidades.

Um fã confesso dos filmes da Disney – e que até pretende entrar num filme da Marvel, não fosse ele também apelidado por Hulk pela imprensa -, Adebayo foca-se também noutros aspectos do jogo, como preparar as celebrações do jogo, utilizando inclusivamente os ensinamentos da empresa do Rato Mickey.

Chegou mesmo a fazer o “Andy está a chegar” (Toy Story) com os seus colegas de equipa, como confessou numa entrevista à revista GQ. Não encontrando esse resultado na internet, mais vale imaginar.

 

Para além de ir buscar a personalidade eletrizante a tudo isto que falámos, Adebayo tem também como inspiração Zlatan Ibrahimovic ou Paul Pogba. E porquê?

Porque para eles não bastam os três pontos.

“É apaixonante e dura mais quando elas dizem alguma coisa, porque é diferente da norma. São eles próprios, é autêntico, precisamos de mais jogadores assim”, confessou na mesma entrevista.

 

 

Assim como Adebayo, que quase que levanta 100 quilos e que, imagine-se, já jogou na Lituânia, no FK Atlantas (primeiro clube profissional) onde sofreu com cânticos racistas, como conta a BBC. E que, por causa do seu físico, chegou também a ser confundido com um jogador da NFL.

A verdade é que o alemão lida muito bem com as críticas, preconceitos ou mentalidades conservadoras, mesmo que venham do outro lado do campo. “O meu cântico favorito é o “tu és só um Eddie Murphy musculado”, confessou, citado pela BBC. Imaginação para as cantorias não falta em Inglaterra. Já o gosto, é discutível.

 

 

Não parece que vá já pendurar as botas (mesmo que conte com a marca de 200 golos), mas sabe bem o que quer fazer a seguir: ter aulas de representação.

E continuar a insistir nas redes sociais (1,2 milhões de seguidores no Instagram), onde vai partilhando fotografias com outros craques como o Rashford ou Rio Ferdinand.

 

https://www.instagram.com/p/CBivFo6sLIp/

 

É claro que poderá continuar a fazer o que quiser, desde que a mãe autorize ou, pelo menos, desde que Adebayo continue a cumprir com as tarefas domésticas.

“Se eu estivesse prestes a ir para um jogo e a minha mãe me chamasse para voltar para casa, eu tinha de dizer ao meu treinador que tinha de regressar”, contou à GQ.

Respeitinho pela mãe e manter o modo “Besta” activado, como Adebayo gosta de chamar ao seu estado de espírito,. Está tudo na cabeça, afinal de contas. E confiança. Muita.