Sabiam todos ao que iam. O Real Madrid tinha ganho as 4 finais da Taça dos Campeões Europeus anteriores e o Eintracht Frankfurt apresentava-se em Glasgow 13 dias depois de ter eliminado ali no Ibrox Park o Rangers por 6-3 (depois de um 6-1 no primeiro jogo dessa meia final).

Antevia-se um jogo equilibrado.

Resultado? 7-3.

Foi o pior jogo das nossas vidas, se formos alemães e do Eintracht. A equipa de Frankfurt nunca mais se levantou – nem voltou a ser campeã da Alemanha ou chegou sequer a outra final da Taça dos Campeões.

Dez golos perante 130 mil pessoas, a maior goleada perante a maior assistência até hoje numa final da Taça dos Campeões. Foi a melhor final de sempre – a 18 de maio de 1950.

«Não penso que sejam marcados outra vez dez golos numa final europeia. Não acho mesmo. Nada é impossível no futebol… além disto» Pachín

Antes já tinham tentado bater o Real na final:

  • o Stade Reims (saiu derrotado 4-3 em Paris)
  • a Fiorentina (derrotada 2-0 em Madrid)
  • o Milan (perdeu 3-2 em Bruxelas)
  • e novamente o Stade de Reims (novamente corrido 2-0 em Estugarda)

Agora era a vez do Eintracht.

 

O que a malta de Frankfurt tinha pela frente não era pêra doce: estamos a falar de Gento, Muñoz, Luis del Sol, Santamaría, Pachín, Puskás e Di Stéfano. Bom, pelo menos tentaram. E até marcaram primeiro – e tiveram o 2-0 à mercê não fosse o poste.

0-1 Richard Kreß
1-1 Di Stéfano
2-1 Di Stéfano
3-1 Puskás
4-1 Puskás
5-1 Puskás
6-1 Puskás
6-2 Erwin Stein 
7-2 Di Stéfano
7-3 Erwin Stein 

No final Puskás entregou a bola (e nessa altura só devia haver mesmo aquela) a Stein. A luta com Di Stéfano estava ganha e isso era o que importava – ficou 4-3 entre os dois com vitória para o húngaro sobre o hispano-argentino.

Nesse ano o Real Mardrid ganharia a primeira edição da Taça Intercontinental goleando o Peñarol por 5-1, tornando-se o primeiro campeão mundial de clubes.

O Real viria a ser derrotado no ano seguinte pelo Benfica, quebrando a hegemonia branca na Taça dos Campeões. Demoraria 6 anos a vencer a sexta taça – e depois 32 anos para arrecadar a sétima. Agora soma 13 (4 às custas de Cristiano Ronaldo).

Não há futebol? Então fique com todas as finais da Champions deste século

 

O Eintracht nunca ganharia uma Taça dos Campeões nem nunca mais foi campeão da Alemanha (foi-o apenas uma vez nesse 1958-59 que lhe deu acesso à prova de 1960). Mas venceu a Taça UEFA em 1980.

Aí, nessa final a duas mãos, bateu o Borussia Mönchengladbach. Perdeu o primeiro jogo 3-2, mas venceu o segundo 1-0 graças ao golo de Schaub – até hoje o golo mais importante da história do Eintracht, 20 anos depois da final de Glasgow.