Os recordes foram feitos para serem batidos. Não este.

Wilt Chamberlain fez 100 pontos no dia 2 de março de 1962 e o mais perto que alguém chegou foi Kobe Bryant em 2006 – e mesmo assim Kobe ficou a 19 pontos de Wilt (fez 81).

Nem Kobe, nem Jordan, nem LeBron.

(em 1962 não existia a linha de 3 pontos, que só apareceu na NBA em 1979)

 

 

A época de 1961-62 foi só por si incrível:

  • Oscar Robertson terminou com uma média inalcançável até hoje de triplos-duplos (30,8 pontos, 11,4 assistências e 12,5 ressaltos)
  • os Boston Celtics venceram o quarto título consecutivo
  • pela primeira vez a NBA teve 80 jogos na fase regular

Mas nada se compara àquele dia.

A exibição de Wilt Chamberlain levou a coisa para níveis estratosféricos. Tão estratosféricos que até tem uma entrada na Wikipedia.

 

Qual é a surpresa para quem tinha uma média de 50 pontos e 25 ressaltos por época?

E no mês de dezembro anterior tinha anotado um novo máximo num jogo com 78 pontos (o anterior era de 71)?

Neste mesmo ano de 1962 (depois dos 78 pontos em dezembro em 1961) Wilt faria mais 2 jogos épicos:

  • 73 pontos a 15 de novembro
  • 72 pontos a 3 de novembro
    (Kobe com 81 pontos tem a 2ª melhor marca de sempre, a 1ª, 3ª 4ª e 5ª pertencem ainda hoje a Wilt)

Mesmo para o poste de 2,16m que levava 15 jogos com mais de 60 pontos na época chegar aos 3 dígitos parecia impensável.

 

Tudo mudou neste 2 de março de há 59 anos com a vitória dos Philadelphia frente aos New York Knicks por 169-147 na Hershey Sports Arena: Wilt transformou-se no homem dos 100 pontos.

O mais espantoso é que quase ninguém viu: não há imagens, estavam poucos jornalistas no pavilhão e sobra apenas um registo de rádio para confirmar o momento.

 

 

 

Estavam 4124 pessoas na Hershey Sports Arena, na Pensilvânea.

E foram essas a assistir aos

  • 23 pontos no primeiro período
  • 18 no segundo
  • 28 no terceiro

Ao intervalo a estratégia dos jogadores dos Warriors foi passar a bola a Wilt e este chegou ao último período com 69 pontos.

Aqui os jogadores dos Knicks já começavam a ficar irritados e queriam fazer faltas para parar Chamberlain.

Só que até na linha de lance livre – o ponto mais fraco do poste – as bolas iam entrando: acertou 29 em 32.

Wilt tinha pouco mais de 60% de aproveitamento na zona de lance livre…

Outra estratégia foi o próprio Wilt levar a bola de ponta a ponta e encestar.

Wilt fazia todo o court como um comboio, com a sua passada gigante, e os pontos entravam de todo o lado: desde os famoss ganchos, aos afundanços, até tiros de longe.

Assim, Wilt fez 31 pontos no derradeiro período e chegou aos 100.