Por fim, a areia caiu. E o tempo parou.

Desde Dezembro que esperávamos pelo ataque final ao anel, qual Frodo Baggins e Samwise Gamgee contra Gollum, isto é Phoenix Suns de um lado e Milwaukee Bucks do outro.

Tudo de anelar em riste.

Se por um lado os Milwaukee Bucks têm sido crónicos candidatos ao título e também cronicamente têm sucumbido e desiludido fãs e especialistas, o mesmo não podemos dizer dos Phoenix Suns.

 

Os Phoenix já olham para o sol (estão na final)

 

Não é que o trabalho de reconstrução da equipa não tivesse já começado e não tivesse até sido cimentado pela chegada de Monty Williams, em Maio de 2019, mas a verdade é que nos anos recentes a turma de Arizona era das mais frágeis equipas da NBA, com scores francamente maus.

Ou seja: o game-changer dos Suns foi a chegada do veterano e eterno Chris Paul, que viu no projecto de Monty Williams potencial para fazer coisas engraçadas.

 

 

Mas nem mesmo Paul, que aos 36 chega à primeira final da NBA, sonhava em algo deste género.

Para trás ficaram os ainda campeões LA Lakers, Denver Nuggets e LA Clippers.

 

A última final dos Suns foi em 1993

A última vez que os Suns tinham marcado presença numa final da NBA foi em 1993 quando os Chicago Bulls de Jordan e Pippen não deram hipótese — Charles Barkley foi considerado MVP da temporada, mas nem isso chegou.

 

 

E mesmo aquela final de conferência perdida com os Dallas Mavericks em 2006, com Steve Nash como MVP, deixaram um amargo de boca que só agora viria a ser compensado.

 

Bucks, back to 1971

Além do título conquistado em 1971 à boleia de Kareem Abdul-Jabbar, nenhum outro anel chegou a Milwaukee.

E os Bucks têm muitas espinhas atravessadas no que aos playoffs, sobretudo em anos recentes, diz respeito.

Em 2019, caem aos pés dos surpreendentes campeões Toronto Raptors na final da Conferência Este.

 

 

No ano seguinte foram os Miami Heat a fazerem cair os Bucks de forma ainda mais violenta para a turma de Budenholzer, que cai logo nas meias-finais perante um super Jimmy Butler.

 

Peito cheio

Este ano, quando a fé já não era muita, os Bucks enchem o peito e com alguma sorte à mistura, que sempre é precisa nestes contextos, chegam à possibilidade de colocar o anel do dedo.

Na primeira ronda, serviram a vingança fria e venceram os Miami Heat por 4-0, sem dar grande hipótese.

 

 

Bye-bye Nets

Depois, na segunda ronda, contra os favoritos Brooklyn Nets lá veio a estrelinha de que acima falávamos.

Do trio fantástico — Harden, Durant e Irving — que os seus rivais apresentam no plantel só Kevin Durant fez os 7 jogos e o único momento em que coincidiram os três em campo foi no primeiro minuto do jogo 1 – antes da lesão de James Harden.

Este só regressaria no jogo 5, visivelmente diminuído fisicamente, e já com Kyrie Irving de fora, que se lesionou a meio do jogo 4.

 

 

A sensação que fica é que quando os Brooklyn Nets fizerem um playoff com as três estrelas a 100% mais nenhuma equipa terá hipótese.

Isto não retira mérito à caminhada dos Bucks que parecem ter envergado a roupa da experiência, do jogo a jogo, do isto-vai-lá-é-com-calma.

Convém dizer que Giannis Antetokounmpo esteve fora por lesão dos últimos dois jogos da final da Conferência Este diante dos Hawks, que também tiveram Trae Young com problemas físicos.

 

 

Portanto, isto parece uma prova de resistência. Giannis teve tempo para recuperar, mas será isso suficiente para destronar uns Phoenix Suns onde a experiência de Chris Paul, a irreverência de Devin Booker e o real espírito de equipa são as grandes mais-valias?

A resposta chega já na noite de terça para quarta, às 02h00.

Ninguém dorme.