Saiam da frente que o seu nome é Giannis Antetokounmpo.

Esta foi a tónico do jogo seis das NBA Finals da temporada 2020/21. Acabou no Jogo 6 com a vitória dos Bucks sobre os Suns 105-98 (4-2 na final).

O “greek freak” fez, provavelmente, o melhor jogo da sua carreira, somando 50 pontos, 14 ressaltos, 5 blocos e duas assistências, tornando-se, obviamente, MVP das finais.

 

 

A barbaridade de número faz-nos ter de invocar alguns feitos: Giannis é o primeiro jogador a marcar 50 pontos num jogo de fecho de campeonato em mais 60 anos (Bob Pettit, em 1958, ao serviço dos St. Louis Hawks fez os mesmos 50 pontos).

E e este número bate ainda os 45 pontos de Michael Jordan em 1998, quando os Bulls bateram os Jazz também num jogo 6.

 

 

Giannis é o segundo jogador da história a somar 40 pontos e 10 ressaltos numas NBA Finals, juntando-se ao lendário Shaquille O’Neill, que o conseguira em 2000.

E foi ainda o primeiro jogador em 50 anos a marcar 20 ou mais pontos em mais do que um período de um qualquer jogo final. Uau.

 

Kareem-Abdul Jabbar, 1971

O número 50 ganha peso e parece gostar dos Bucks.

Foi há meio século que o franchise celebrou o seu primeiro e único título até agora, na altura movidos a Kareem-Abdul Jabbar e a Oscar Robertson — venceram por 4-0 e foram apenas os segundos a conseguir tal resultado numa final da NBA na altura.

O caminho começou complicado, mas ia acabar em festa, os Bucks tornam-se assim a quinta equipa a virar uma final depois de um 2-0 contra e juntam-se aos Cavaliers (2016), Heat (2006), Trail Blazers (1977) e Celtics (1969).

 

 

O anel, logicamente, não é mera responsabilidade de Antetokounmpo, mas num jogo em que soma 17 em 19 da linha de lance livre, como é que os Bucks não iam vencer?

O grego tem uma percentagem de carreira na ordem dos 71%, mas este ano até ficou abaixo, com 68,5% e nos playoffs estava pior ainda: 58,7.

No jogo cinco, por exemplo, teve uma percentagem de 36,4%, o que significa que algo nessa casa ou até bastante superior tinha dado a vitória aos Suns — se o basquetebol e a história do desporto se fizessem de “ses”, claro está.

 

 

A verdade é que esta percentagem, a frieza, a concentração que Giannis demonstrou, a brutalidade com que atacou o cesto, a sede com sacou aqueles cinco blocos…

Desde cedo fez perceber que ia ser difícil para os Suns e que este era o dia de Giannis, o dia em que o rapaz que veio da Grécia num contexto familiar tremendamente pobre, que nos últimos anos foi alvo de críticas — e justificadas, diga-se — por vacilar em momentos decisivos, era o dia em que tudo isso chegava o fim, que nem Frodo Baggins vindo do Shire à procura do anel.

 

 

Tudo o que teve é mais do que merecido e a forma como mal acaba o jogo Giannis corre para juntos dos seus, visivelmente emocionado, não deixa de ser uma lição e uma história de vida fantásticas.

Mas como dizíamos, o anel não é só responsabilidade do “greek freak”. A chegada de Jrue Holiday, que ontem não largou Devin Booker por um segundo, é preponderante.

 

 

A excelente temporada de Bobby Portis idem.

A calma e experiência de Khris Middleton nos momentos da verdade, sempre capaz de colocar a bola lá dentro.

Finalmente, o trabalho desenvolvido nos últimos anos deus frutos e Mike Budenholzer também merece uma palavra de apreço por isso.

 

 

Suns de sonho…

Quanto aos Suns, não deixa de ser uma temporada de sonho, impensável, com um trabalho surreal de Monty Williams que só pode estar muito orgulhoso dos seus jogadores.

Bem se pode queixar da inexperiência e ansiedade de alguns dos seus elementos, da forma inacreditável como deixam fugir o jogo quatro das mãos, que os colocaria bem perto do anel.

Para jovens como Devin Booker e DeAndre Ayton esta é uma temporada de profunda aprendizagem, que vai seguramente ficar-lhes gravada na memória.

 

 

Para veteranos como Chris Paul é uma oportunidade perdida que pode nunca mais se repetir, ainda não foi desta que o base venceu um campeonato.

A forma como se encaminhou directamente para os balneários, com um semblante sério e desiludido, sem dar troco a ninguém é, seguramente, uma das imagens do ano.

Para o ano há mais do melhor basquetebol do mundo.

Se for como este ano estamos mais do que bem entregues.