Deus existe. Bom, talvez seja melhor irmos com calma nas afirmações, mas a verdade é que desde 2009/10 que os meus Phoenix Suns não estão nos Playoffs da NBA, ano em que chegaram à final de Conferência, sucumbindo perante uns Lakers que arrecadariam o anel à boleia de Shaq e Kobe.

Desde esse mágico ano, com o base com mais classe de todos os tempos Steve Nash a liderar um plantel onde ainda se encontravam Amar’e Studomire, Jason Richardson, Goran Dragic, Leandrinho Barbosa, Grant Hill. O treinador era Alvin Gentry, que agora está vive nos New Orleans Pelicans.

 

 

Saudades ou não? Quem carrega o roxo e laranja no coração só pode ter vertido uma lágrima. Mas animem-se gente, que esta nova temporada começou da melhor maneira. Em sete jogos, ganharam cinco e perderam dois, num score positivo há muito não visto para os lados no Arizona e muito menos o segundo lugar da Conferência Oeste com o mesmo número de vitórias e derrotas que os LA Clippers, que estão em terceiro lugar, e com menos uma vitória que os LA Lakers, líderes.

Hoje 2h05
NBA
Chicago Bulls vs LA Lakers
3,20 – 1,28

As derrotas foram ambas pela margem mínima, a primeira em Denver, diante uns Nuggets obviamente candidatos a Playoffs, e a segunda, essa mais grave por ser em casa, mas perante uns Utah Jazz que são sempre um osso duro de roer.

À parte destes dois percalços, foi sempre a ganhar e ontem foi a vez dos Philadelphia 76ers provarem desta lança desértica vinda de Phoenix. Devin Booker estabeleceu recorde de temporada com 40 pontos. E convém dizer que o actual treinador dos Suns, Monty Williams, era adjunto de Brett Brown o ano passado, portanto, sim, foi uma pequena traição. Mas afinal, que rejuvenescimento é este? Os mortos sempre ressuscitam? Na NBA parece que sim.

 

 

Para a época 2019/20, os Suns despediram o treinador sérvio Igor Kokoškov, que não conseguiu estabelecer o seu basquetebol europeu, mas, diga-se, em bom da verdade, que as condições não eram as melhores.

Este ano, Monty Williams juntou Ricky Rubio, Dario Saric, Aron Baynes, Frank Kaminsky ao plantel onde já habitavam Devin Booker, De’Andre Ayton, Mikal Bridges ou Kelly Oubre Jr. E ainda que não se seja uma equipa repleta de estrelas, é, seguramente, uma equipa de trabalhadores natos, uma fábrica onde operários cumprem o que lhes é pedido e, eventualmente, fazem horas extras que são, claro, muito bem pagas.

Rubio vem demonstrar que ainda que o seu corpo o tenha traído inúmeras vezes durante a sua carreira é, sem questões, um dos bases mais talentosos da liga, com uma capacidade de organizar ataque, de fazer jogar, de assistir, como muito poucos.

E, convenhamos, se havia coisa que os Suns precisavam era de organização, clarificar o que andavam aqui a fazer, como fazer, e nisso o espanhol é rei. A visão de jogo e o passe brilhante fazem até recordar o nosso eterno Steve Nash.

 

NBA, imprevisível como de costume

 

Devin Booker é um dos melhores lançadores da liga e a continuar assim vai para a lista de favoritos de MVP da fase regular. É, no fundo, a nossa estrela que queremos fazer brilhar. Ayton será um dos melhores postes da liga assim que deixar de tomar diuréticos, melhorar a sua cabeça e o seu lançamento – lembremos que foi apanhado num teste anti-doping e recebeu uma suspensão de 25 jogos. Kelly Oubre Jr. é um extremo de enorme qualidade, que justifica a sua contratação a cada jogo que passa. Resumindo: está tudo bem no Arizona.

Mas é lógico que os críticos suspeitam, é natural que até os adeptos, cegos e doentes como eu, duvidem. A primeira reacção que tive até foi de: “Sim, sim, devem achar que me enganam, devem achar que me vão fazer acreditar”.

Matei o velho do restelo que há em mim e hoje acredito. Não, não seremos campeões. Mas acredito que podemos chegar longe nos Playoffs. Quem sabe repetir essa final com os Lakers de 2009/10. O próximo jogo é diante de Miami, líderes de Este. Que venham eles. Se Deus existir, está com os Phoenix Suns, disso estou certo.