A semana começou da pior maneira com a notícia da morte de Kobe Bryant, após a queda do helicóptero em que seguia, com destino a um jogo de basquetebol da filha, Gigi, também ela uma vítima fatal do acidente. 7 outras pessoas acabaram também por perder a vida.

A perda de um dos expoentes máximos da história do basquetebol emocionou o mundo, muito para além dos fãs da modalidade, estendendo-se a todas as esferas da sociedade e pelos 4 cantos do mundo.

Sexta-feira 00h05
NBA
Cleveland Cavaliers vs Toronto Raptors
4,65 – 1,14

 

As homenagens foram e têm sido às dezenas durante toda a semana, não só da parte de fãs do jogador, que se têm reunido ao longo dos últimos dias nas imediações do Staples Center, como também por parte de jogadores e antigos colegas de Kobe na NBA.

Seja através das redes sociais e dos media um pouco por toda a parte, o apreço pelo legado que Black Mamba deixou na NBA é por demais evidente.

 

 

Kobe tinha apenas 41 anos. O seu percurso pela NBA foi dado como encerrado somente há 4 anos, em 2016, e havia ainda a ideia de que se assim o desejasse podia perfeitamente regressar e dar muito boa conta de si. Fisicamente estava impecável e a confiança inabalável nas suas capacidades aliada ao trabalho incansável dentro e fora da quadra iriam sempre acompanhá-lo.

Talvez por isso a sua partida tenha chocado ainda mais. A reforma era ainda precoce e talvez por isso as homenagens em vida, como sempre acontece, pecaram por escassas.

Se restavam dúvidas, agora na pior das situações estas dissiparam-se. A persona de Kobe transcendia a modalidade que o tinha catapultado para o estrelado – fenómeno cada vez mais raro no mundo do desporto e apenas ao alcance de pequena percentagem de atletas.

 

 

No meio de todos os testemunhos de amigos e atletas que partilharam consigo o palco da NBA, um sobressaiu – o de Tracy McGrady.

 

 

«He used to say all the time, ‘I want to die young’, ‘I want to be immortalized and, you know, have my career be better than Michael Jordan and I want to die young’» Tracy McGrady sobre Kobe Bryant

O desejo de ser o melhor de todos os tempos acompanhou sempre a carreira de Black Mamba.

No tempo em que os holofotes apontavam todos para si, a competitividade a roçar o extremo abriu o caminho para a sua consagração como o melhor da sua geração, projectando ao longo da sua carreira uma imagem de arrogância, de um louco por vitórias que levava os seus oponentes e fãs de outras franquias à loucura.

 

 

A ambição desmesurável de Kobe condiz perfeitamente com a mensagem que o seu antigo rival McGrady tenta aqui passar. Uma vontade de ganhar ao ponto de confessar o seu desejo em morrer jovem de forma a ser imortalizado e ultrapassar Jordan na discussão do melhor de todos os tempos.

O talento e apetência natural para o jogo, aliado à ética de trabalho que o levava muitas das vezes a treinar às 5 da madrugada ainda no liceu, em combinação com uma vontade incessante em ser o melhor, foram os ingredientes necessários para levar Kobe ao topo.

No total foram 20 anos, de 1996 a 2016. Títulos individuais, colectivos e recordes que ficarão registados para sempre.

5x campeão da NBA (2000, 2001, 2002, 2009, 2010)
2x MVP das Finais (2009, 2010)
MVP da NBA (2008)
18x All-Star (1998, 2000-2016)
2x melhor marcador da NBA (2006, 2007)
2x Ouro Olímpico pelos EUA (2008, 2012)

Os momentos que marcaram a sua carreira foram tantos que o difícil é mesmo escolher. Desde o tricampeonato ao serviço dos Lakers e a dupla destrutiva que formou com Shaquille O’Neal, passando por jogos arrebatadores como aquele frente aos Raptors, em 2006, em que somou 81 pontos, o segundo melhor registo de pontos num só jogo na história da NBA.

 

 

Ainda assim, ninguém pode esquecer a última vez de Black Mamba na NBA. Uma despedida para a história frente aos Utah Jazz, onde acumulou um total de 60 pontos.

 

 

O 8 e o 24, números que envergou pelos Lakers, foram nesse dia retirados como manda a tradição. Esta semana, com a triste notícia da sua partida, jogadores e outras franquias têm seguido o mesmo caminho.

Os Dallas Mavericks foram os primeiros, com o seu presidente Mark Cuban a deixar bem claro que mais nenhum jogador utilizará o 24.

Spencer Dinwiddie, jogador dos Brooklyn Nets, deixou de ser o 8 para começar a utilizar o 26. Terrence Ross, dos Orlando Magic, espera ainda aprovação da liga para mudar do número 8 para o 31. E mais poderão seguir-se, já que existem neste momento 19 jogadores com o número 8 e outros 11 com o 24.

As homenagens pela NBA não pararam por aqui. Nos jogos que têm vindo a decorrer ao longo da semana, quase todas as equipas optaram por quebrar cada uma a regra dos 24 segundos ou dos 8 segundos, em memória do icónico 24 e 8 dos Lakers.

 

 

 

Durante as próximas semanas, esperam-se mais homenagens ao jogador e aquela por que todos mais aguardam: a dos Lakers, que terá certamente algo preparado para o jogador que acolheram durante 20 anos na NBA.