As alcunhas são muitas, Half-Man Half-Amazing, Vinsanity ou Air Canada. É como preferirem.

Não ficará na história com um dos melhores de sempre isso é certo. Faltaram-lhe os anéis de campeão e os prémios de mvp para o elevarem a esse estatuto.

O que Vince Carter nos deu foi nada mais nada menos que mais de duas décadas na NBA com momentos verdadeiramente expectaculares e uma influência tremenda nas gerações de basquetebolistas que surgiram posteriormente.

 

22 anos a jogar na NBA é inédito. Em mais nenhum momento na história da NBA existiu alguém com a longevidade de Vince Carter que foi também o único jogador a jogar em 4 décadas distintas na NBA, de 1998 até 2020.

Ao longo dos 22 anos representou as cores de 8 equipas diferentes: Toronto Raptors (1998-2004), New Jersey Nets (2004-2009), Orlando Magic (2009-2010), Phoenix Suns (2010-2011), Dallas Mavericks (2011-2014), Memphis Grizzlies (2014-2017), Sacramento Kings (2017-2018) e Atlanta Hawks (2018-2020).

Apesar das 22 épocas na NBA não lhe terem dado os prémios e os títulos que o permitiriam ascender ao patamar dos melhores, a história da promessa que ficou por cumprir é coisa que não se aplica a Vince Carter.

Aqueles primeiros tempos em Toronto de facto conotaram-lhe com uma aura de estrela que nunca mais foi replicada. Foi ele quem trouxe os recém criados Raptors para a ribalta e colocou Toronto e o Canadá no mapa do basquetebol. E fê-lo da forma mais espectacular possível, com afundanços nunca antes vistos que lhe deram todas as alcunhas por que hoje é conhecido. Talvez por isso as expectativas estavam bem altas.

 

 

Mas desengane-se quem pensa que Carter foi um flop. A sua passagem pelos New Jersey Nets teve grandes momentos e nas inúmeras equipas por onde passou foi sempre deixando a sua marca e mostrando ao mundo a sua evolução e maturação como jogador.

Os afundanços continuavam lá mas o seu jogo ganhou outras armas. Os triplos por exemplo passaram a ser presença assídua na hora de lançar ao cesto, especialmente a partir da altura em que vai para Dallas e passa a treinar com Holger Geschwindner, que ensinou a Dirk Nowitzki como fazer e quem viria a meter o bichinho dos triplos na cabeça de Carter. O resultado ficou à vista e Vince tornou-se o 6º jogador com mais triplos na história da NBA.

O passar dos anos deram maturidade a Vince Carter. Passou da explosão para a técnica. Passou dos “Wows” para um jogador de equipa, um mentor.

Aos 43 anos, o velhinho Carter deixa para trás 22 épocas ao mais alto nível na NBA e com feitos dignos de registo.

22 épocas – um máximo na liga
1541 jogos – 3º jogador com mais jogos na história da NBA
25728 pontos – 19º com mais pontos na história da NBA
2290 triplos – 6º jogador com mais triplos na história da NBA
8x All-Star
Rookie do Ano – 1999
Vencedor do Concurso de Afundanços – 2000
Medalha de Ouro Jogos Olímpicos – 2000
Medalha de Ouro FiBA Americas – 2003

Os registos podem não parecer os melhores mas há uma razão pela qual qualquer criança no final dos anos 90 e início do milénio sempre que ligava a televisão ficava com os olhos colados em Vince Carter. Era o jogador cool e a fantasia de qualquer fã que via NBA em busca daqueles momentos especiais que ficariam eternizados na história do desporto.

Com Vince Carter há um sem fim desses momentos e é por isso que não precisou de anéis de campeão ou qualquer outro título para ficar na história. O Hall da Fama é um destino óbvio.

Se quisermos compilar alguns dos melhores momentos de Vinsaty ao longo dos seus 22 anos de carreira, a escolha apesar de ser difícil terá de incluir obrigatoriamente aqueles que passamos aqui a mostrar.

O primeiro e talvez o mais espectacular de todos foi ao serviço da selecção dos Estados Unidos nos Jogos Olímpicos de Sidney em 2000. Foi apanágio seu afundar sobre autênticos arranha céus mas este, sobre o francês Frédéric Weis de 2.18m, foi qualquer coisa de especial e levou até a imprensa francesa da altura a apelidá-lo de “le dunk de la mort”, o afundanço da morte.

 

 

Para os compêndios da história ficou também aquele afundanço sobre Alonso Mourning em 2005. Mourning era um dos melhores bloqueadores da liga e depois desta humilhação Vince Carter chegou mesmo a dizer que o homem grande dos Heat ficou 7 anos sem lhe dirigir a palavra.

 

 

O concurso de afundanços do ano de 2000 não poderia ficar de fora. Foi aqui que Vince Carter foi catapultado para o estrelato e se tornou numa figura icónica na NBA.

O carro não pegou, chegou atrasado à arena e nem sequer foi a tempo de aquecer. Quando foi hora de começar o show, Carter diz que nem sequer tinha tentado ou sequer pensado nalguns dos afundanços que sacou da cartola naquele dia. Foram memoráveis e alguns deles até mereceram alcunhas como “Honey dip”, aquele afundanço em que fica com o braço dentro do cesto.

Estética, explosão, criatividade, poucos afundanços se equiparam aos que Vinsanity mostrou naquele dia.

“It’s over”

 

 

Ironicamente acaba agora a carreira tal como começou, com a temporada encurtada. Na época 1998-1999 face a conflitos laborais entre os jogadores, as equipas e a liga, a temporada só contou com 50 jogos, tal como acontece agora devido à pandemia do coronavírus.

Os Atalanta Hawks não farão parte do lote das 22 equipas a ir para o complexo da Disney, em Orlando, terminar o resto da temporada e, posto isto, uma vez que já tinha dito que esta seria a sua última época, o fim foi mesmo anunciado.

Para trás ficam 22 temporadas de puro entretenimento e um último jogo que serve bem a despedida – o último antes da NBA fechar portas devido à pandemia. Fiquem com este último momento e por favor, vejam o documentário The Carter Effect.