Este fim de semana marca o regresso do melhor que o MMA tem para oferecer e na melhor organização do mundo – o UFC.

O VyStar Veterans Memorial Arena na cidade de Jacksonville, na Flórida, prepara-se para receber o UFC 249 naquele que será o primeiro grande evento desportivo a acontecer após o levantamento de restrições no âmbito da pandemia da Covid-19.

As medidas de segurança não são poucas e incluem testes ao coronavírus a todos os atletas e funcionários à chegada ao hotel, sucessivos testes à temperatura corporal e até refeições deixadas à porta de todos os lutadores. No recinto não haverá público, a equipa de comentadores estará separada e também podemos esquecer as habituais entrevistas pós-combate.

O UFC 249 será o primeiro de 3 eventos a serem realizados ao longo de 8 dias, numa promessa de Dana White em dar aos fãs aquilo que perderam durante todos estes meses.

 

https://twitter.com/ufc/status/1258442218781761537

 

Enquanto a misteriosa Fight Island permanece em segredo, o UFC premeia-nos com um dos melhores cards de sempre e com nomes de peso desde as primeiras lutas da noite até ao card principal.

Comecemos por onde se deve começar, pelo início.

Primeiras Lutas:
• Ryan Spann vs Sam Alvey
• Bryce Mitchell vs Charles Rosa
• Vicente Luque vs Niko Price

O evento começa nos meio-pesados na luta entre Ryan Spann (18-5-0) e Sam Alvey (33-12-0), mas os olhos vão estar postos na segunda luta da noite que assinala o regresso de Bryce Mitchell (12-1-0) depois da espectacular vitória em dezembro, onde pela segunda vez na história vimos um lutador conseguir finalizar com um Twister no UFC. Medirá forças com Charles Rosa (11-3-0), que não deverá ter armas suficientes para lidar com “Thug Nasty”.

 

 

Neste primeiro lote de combates há ainda de destacar a luta entre Vicente Luque (17-7-1) e Niko Price (13-3-0) e esta será a oportunidade de Price se vingar da finalização sofrida às mãos do brasileiro, em 2017.

De lá para cá, apesar de um registo com alguns sobressaltos (4 vitórias e 2 derrotas), Price não levou nenhuma luta para decisão e demonstrou a sua espectacularidade em diversos momentos.

Já Luque conseguiu somar 5 vitórias (4 por KO/TKO) em 6 combates e entrar no ranking dos meio-médios. Os dois lutadores não têm medo de ir para a frente com tudo, por isso espera-se uma luta de loucos.

 

 

Lutas preliminares:
• Uriah Hall vs Ronaldo Souza
• Carla Esparza vs Michelle Waterson
• Aleksei Oleinik vs Fabricio Werdum
• Anthony Pettis vs Donald Cerrone

As lutas preliminares arrancam com a eterna promessa Uriah Hall (16-9-0) contra um dos melhores praticantes de jiu-jitsu na história do UFC Ronaldo “Jacaré” Souza (26-8-0), já em fase descendente da carreira. Carla Esparza (15-6-0) e Michelle Waterson (17-6-0) vão assinalar posteriormente a 5ª luta da noite e a única presença feminina no card.

O destaque das preliminares vai no entanto para o regresso de Fabricio Werdum (23-7-1) após 2 anos ausência depois de ter sido apanhado com doping pela USADA. O antigo campeão de pesos-pesados do UFC volta agora para enfrentar Aleksei Oleinik (58-13-1), também ele um especialista em finalizações mas que poucas armas deverá ter para sobreviver a um dos melhores praticantes de jiu-jitsu do mundo, já por 2 vezes campeão mundial da ADCC.

Já com 42 anos e com estes 2 anos de ausência, será no entanto prematuro pensar em Werdum já como o próximo candidato à disputa do cinturão caso vença o russo.

 

 

Fechamos as lutas preliminares em grande com Donald Cerrone (36-14-0) vs Anthony Pettis (22-10-0). Um combate que tenha “Cowboy” é sempre um must see e se do outro lado está um antigo campeão dos pesos-leves e outrora uma das caras da organização melhor ainda.

Cerrone vem de uma derrota em 40 segundos naquele que marcou o regresso de Conor McGregor à competição e mais uma vez voltou a demonstrar que quando as expectativas aumentam a performance não costuma ser a melhor. Já Anthony Pettis sofreu a derrota mais humilhante da carreira frente a Carlos Diego Ferreira no último combate e reencontra o oponente que em 2013 conseguiu derrotar via KO no 1º assalto, vitória esta que na altura lhe deu a oportunidade de lutar pelo título que acabaria por conquistar.

Cerrone e Anthony Pettis encontram-se provavelmente já numa fase descendente das respectivas carreiras mas os seus estilos de striking são a garantia de um excelente combate.

 

 

Card Principal:
• Tony Ferguson vs Justin Gaethje
• Henry Cejudo vs Dominick Cruz
• Francis Ngannou vs Jairzinho Rozenstruik
• Jeremy Stephens vs Calvin Kattar
• Greg Hardy vs Yorgan de Castro

O card principal arranca com os pesos-pesados e com um toque português. O luso-caboverdiano Yorgan de Castro (5-0-0) surpreendeu com um KO brutal sobre Justin Tafa na sua estreia no UFC e tem agora a oportunidade de lutar no card principal num evento desta magnitude, contra talvez o lutador mais odiado do UFC, Greg Hardy (5-1-0), antigo jogador dos Carolina Panthers e Dallas Cowboys da NFL, que em 2014 foi condenado num caso de violência doméstica e entretanto se virou para o mma.

Espera-se um nocaute explosivo de fazer os pesos-pesados no ranking meterem-se em sentido.

 

 

Depois de vermos Jeremy Stephens (28-17-0) assinalar o seu 33º combate no UFC contra Calvin Kattar (20-4-0), o card avança para os pesos-pesados e verá Francis Ngannou (13-3-0), talvez o lutador com as mãos mais pesadas na história do UFC, defrontar Jairzinho Rozenstruik (10-0-0), lutador invicto com grande historial no kickboxing que vem de duas vitórias importantes frente a Andrei Arlovski e Alistair Overeem. A luta não irá a decisão – fica aqui escrito.

O primeiro combate pelo título da noite assinala o regresso do antigo campeão do peso-galo Dominick Cruz (18-1-0). Há quase 4 anos afastado do octógono, Cruz recebeu a bênção para tentar roubar o cinturão de peso-galo a Henry Cejudo (15-2-0) que procurará defender o título pela primeira vez e continuar campeão em 2 divisões distintas (peso-galo e peso-mosca).

Para Cruz, apesar de uma vitória após um longo período de afastamento não ser novidade, nunca esteve de fora este tempo todo e agora com 35 anos o corpo poderá não responder da mesma forma. O seu estilo peculiar de lutar, poderá no entanto oferecer dificuldades acrescidas a Cejudo.

 

 

Com Khabib Nurmagomedov de fora a luta do evento principal será a contar para o título de campeão interino de pesos-leves.

Não há Khabib mas há Justin Gaethje (21-2-0) – um dos lutadores mais violentos da categoria peso-leve e um sinónimo de espectáculo sempre que entra no octógono. No UFC, nenhuma das suas lutas foi por decisão e apesar das 2 derrotas por nocaute que o impediram de chegar à disputa de cinturão mais cedo, a oportunidade surge agora e o seu estilo agressivo e capacidade de nocaute serão as grandes armas para este combate.

Tony Ferguson (26-3-0) é aquele que todos acreditam ser de momento o único com armas suficientes para bater Khabib e a mudança de oponente não poderia acarretar maiores riscos.

A sua excessiva agressividade já por diversas vezes o colocou em situações de risco – que habilmente conseguiu contornar, verdade seja dita – e Justin Gaethje tem um poder nas mãos incomparavelmente superior aos seus anteriores adversários. O seu estilo pouco ortodoxo é no entanto uma mais valia e o seu jiu-jitsu criativo poderá ser uma arma a ter em conta.