O empresário inglês vai do ciclismo para o futebol e vira as atenções para o Nice – e para uma fábrica de jipes em Estarreja.

Mas o que interessa aqui mesmo é a Ligue 1. Por 100 milhões (ao que tudo indica) Jim Ratcliffe, o dono da INEOS, aproveitou o embalo das bicicletas e vira-se agora para a bola.

Destino?

Esse é de luxo…

Será em plena Côte d’Azur, na casa do OGC Nice.

Agora a questão que se coloca é se será possível ombrearem com o PSG pelo título ou se o objetivo passa apenas por chegarem a lugares europeus.

Uma coisa é certa: há dinheiro. Não fosse Ratcllife o homem mais rico do Reino Unido.

Resta apenas saber se quererá esbanjá-lo ou se procurará um caminho diferente do PSG.

1 de setembro 14h00
Ligue 1
Stade Rennes vs Nice
1.58 – 3.20 – 4.80

O multimilionário Jim Ratcliffe está a pouco e pouco a entrar pelo mundo do desporto com uma arma que ninguém dispensa: o dinheiro.

O Nice foi a mais recente aquisição e é o novo projeto desportivo daquele que é o homem mais rico do Reino Unido.

Esta não será no entanto a primeira vez que o britânico se aventura no futebol. Em 2017 teve a primeira experiência no desporto rei, ainda que tenha sido algo tímida considerando o seu poder de investimento.

O primeiro projeto desportivo do milionário britânico fez-se por terras suíças, onde passou a ser um dos principais investidores do Lausanne, um clube suíço que disputa o segundo escalão do país.

A primeira ingressão pelo mundo do desporto do líder da INEOS – empresa de produtos químicos) – , apesar de não ter corrido como o esperado, serviu para ir apalpando terreno para o que daí viria.

Passados dois anos e após muito planeamento e ponderação, Jim Ratcliffe chegou-se à frente com o dinheiro e comprou os naming rights da equipa mais poderosa do mundo do ciclismo, a Team Sky, patrocinada precisamente pela emissora televisiva.

Como os valores falam mais alto que tudo, a INEOS decediu investir mais de 45 milhões de euros anuais para comandar a equipa, batendo os cerca de 15 milhões que a Sky pagava.

A compra foi feita no inicio deste ano e a INEOS virava-se oficialmente para os pedais.

Entretanto até já conseguiu com que o corredor seu vencesse a Volta à França – o colombiano Egan Bernal.

 

Le Tour de Bernal

 

Esta semana foi anunciado o que já andava a ser preparado há meses.

O inglês abriu novamente os cordões à bolsa e virou-se para o desporto rei e desta feita para um projeto sem dúvida mais aliciante – com todo o respeito para com o Lausanne e toda a comunidade luso-descendente que apoia o clube suíço.

Ao que tudo indica foram 100M (números não confirmados), o dobro do que foi pago pela Qatar Sports Investment para adquirir o PSG.

Com esta compra, Ratcliffe conseguiu adquirir um clube francês, da primeira divisão, 7º classificado da última edição da Ligue 1 e 4 vezes campeão francês.

Como seria de esperar a escolha não recaiu num clube de topo, habituado a vencer tudo.

Já se sabe à partida que a compra de clubes de futebol por parte de milionários vai sempre ao encontro da melhor oportunidade de negócio possível e tendo em conta o potencial global do clube.

O Nice é uma equipa competitiva em França e teoricamente mais fácil de levar a um sucesso desportivo a curto prazo do que se fosse para apostar, por exemplo, num Amiens, num Nîmes ou Dijon.

Isto também porque em França, o caminho para a glória parece ser mais facilitado do que noutras realidades, como a inglesa, espanhola ou italiana.

Neste momento a Ligue 1 é PSG mais 19 equipas e não será de espantar que em poucos anos o Nice se consiga intrometer pelo menos na corrida ao top 3, como aliás já o conseguiu em 2016/17.

Mas ainda assim, Ratcliffe quando decidiu avançar para este negócio estava claramente a ter uma visão mais ampla das coisas.

Afinal de contas investir no Nice significa apostar numa com um poder de atração invejável.

Que mais um investidor poderá querer senão apostar num clube situado em plena Riviera francesa com todas as vantagens que isso poderá trazer.

«Estamos profundamente agradados por concluir a aquisição do Nice. Demorou muito tempo, mas sempre estivemos determinados em finalizar a compra do clube. Analisámos muitos clubes, de acordo com a nossa visão de negócio na INEOS – em termos de valor e potencial – e o Nice corresponde positivamente a esses critérios. Com um razoável e bem medido investimento, queremos fazer com que o Nice seja um clube capaz de participar regularmente nas competições europeia» Jim Ratcliffe

O último jogo do Nice, no Allianz Riviera, foi a primeira oportunidade dos novos dirigentes, neste caso o irmão de Jim Ratcliffe, Bob, de ver em ação o clube recém adquirido.

A primeira impressão não foi claramente a melhor.

 

 

Na partida da terceira jornada do campeonato francês entre o Nice e o Marselha, estavam decorridos 28 minutos de jogo quando o árbitro do encontro, o senhor Clement Turpin, decide interromper a partida.

Nas bancadas estavam estavam estendidas tarjas e eram entoados cânticos homofóbicos para com a liga francesa por esta ter aprovado menos zonas vedadas aos adeptos nos estádios e que isso iria fazer com que houvessem estádios “mais gays” pela Ligue 1.

No mesmo tom jocoso, estenderam uma tarja com referências à equipa de ciclismo de Ratcliffe e com o uso da palavra “pedale” – termo pejorativo utilizado para descrever homossexuais.

10 minutos depois, e após as equipas terem abandonado o relvado e se terem dirigido aos balneários, a situação ficou resolvida e o jogo recomeçou com normalidade e o Marselha viria a vencer a partida por 2-1.

Apesar do momento menos bonito, Bob Radcliffe foi recebido euforicamente pela massa adepta do Nice, que nitidamente espera que os novos donos possam desde já levar o clube a outro patamar.

 

 

Entretanto os investimentos já começaram.

O primeiro reforço foi Kasper Dolberg contratado ao Ajax por 20 milhões, batendo o recorde de transferências pago pelo clube a um só jogador.

Por 15 milhões veio também a promessa francesa que atuava na Ligue 2, Alexis Claude-Maurice.

Até onde irá este Nice?