O último judoca que tinha conseguido derrotar Teddy Riner havia sido o japonês Daiki Kamikawa. Estávamos em 2010.

Passaram dez anos (ou nove anos e meio se quisermos ser precisos), o francês fez 30 anos e passou 154 combates invencível. Até aparecer outro japonês: Kokoro Kageura.

A pergunta que se faz é: como é que conseguiu?

Kageura tem 1,79 metros e 120 quilos, ou seja menos 25 centímentros e 11 quilos que Riner (que mede 2,04 metros e pesa 131 quilos).

Insistimos: como é que Kageura conseguiu?

O francês é bicampeão olímpico (2012 e 2016, além de um bronze em 2008) e dez vezes campeão mundial. Os treinos têm sido de preparação para os próximos Jogos Olímpicos de Tóquio e fala-se já nos Jogos seguintes. Contra esta montanha de músculos e currículo, o japonês diz que se valeu da técnica, da paciência e, confessou, do estudo da única luta prévia entre os dois, em 2019.

 

 

«Estava à espera da minha oportunidade. Tinha a minha atenção toda focada nisso. Capitalizei em cima do que estudei sobre o Riner. Só eu conseguiria vencê-lo» Kageura

O jovem japonês conseguiu o impossível mas deixou escapar o possível: eliminou o francÊs nos oitavos de final mas perdeu a final do Grand Slam de Paris perante o holandês Henk Grol e ficou com a medalha de prata.

Para os Jogos de Tóquio, um dos objetivos do Japão enquanto país-sede foi investir em atletas da categoria acima dos 100 kg que pudessem ser capazes de levar o francês ao tapete.

 

 

Kageura é o 10.º do ranking olímpico da federação internacional nessa categoria, o que quer dizer que não é o melhor judoca do país na lista. Esse posto é de Hisayoshi Harasawa, de 27 anos, vice-líder, atrás do checo Lukas Krpalek, 29 anos, outro que quase bateu Riner recentemente.

 

Ninguém derruba este peluche

 

 

«Não estou em choque. Vou ser vulgar, mas aquilo que eu pensei foi: ‘Merda, já passou’. O meu objectivo é o que eu tenho dito sempre, Tóquio 2020. E também tenho dito sempre que, se tivesse de perder, que fosse antes dos Jogos Olímpicos. Assim, tanto melhor, descarreguei a pressão. Andar a combater para apanhar o recorde de Yamashita é cansativo»