Aconteceu agora na Ucrânia a Taison, como aconteceu há uma semana em Itália a Balotelli e há 3 semanas a Sterling na Bulgária (como acontece um pouco por todo o mundo). E Taison Barcellos Freda reagiu mostrando o dedo do meio.

O futebolista brasileiro de 31 anos do Shakhtar foi insultado com cânticos racistas por parte dos adeptos do Dínamo Kiev, pegou na bola e chutou-a para a bancada de onde vinham os insultos, no lado afecto aos fãs adversários no estádio de Donetsk.

Expulso pelo árbitro Mykola Balakin, o jogador saiu a chorar. “Minhas lágrimas foram de indignação, de repúdio e de impotência, impotência por não poder fazer nada naquele momento” escreveu o jogador no Instagram. “Mas somos ensinados a ser fortes e lutar! Lutamos por nossos direitos!”.

 

 

O árbitro adotou o “procedimento dos três passos”, instituído pela FIFA e pela UEFA para os casos de discriminação durante os jogos. Mas Balakin não foi até ao fim.

Num primeiro momento as colunas do estádio pediram aos adeptos do Dínamo que parassem com os insultos – na sequência, o árbitro retirou os atletas de campo e o jogo parou por cinco minutos.

O terceiro passo do protocolo seria a suspensão do jogo, mas esse não foi dado.

«Em uma sociedade racista, não basta não ser racista, precisamos ser antirracista!»

Que tal um taser para Taison? Essa arma de eletrochoques não letais mas que é capaz de emitir uma descarga elétrica de alta tensão e baixa corrente com o objetivo de provocar dor e afastar um agressor. O resto seria a justiça a tratar.

 

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A FIFA pronunciou-se sobre o caso de Taison e Dentinho e diz que a responsabilidade é das autoridades ucranianas, reiterando “não haver espaço para qualquer discriminação no futebol”.

A Federação ucraniana já abriu um inquérito, como o fez em anteriores ocasiões, mas as punições passam quase sempre por ser financeiras. O treinador do Shakhtar Luís Castro apoiou o médio brasileiro.

«Hoje os meus jogadores mostraram o seu caráter. Neste momento, quero apoiar todos os que sofrem de racismo e os que sofreram hoje. Qualquer manifestação de racismo é inaceitável. Foi e será uma vergonha para todos. Juntos devemos lutar contra isso, todos os dias», disse o portuguẽs na conferência de imprensa a seguir ao jogo.

Não é a primeira vez que os adeptos do Dínamo fazem isto.

Em outubro de 2015, quando a equipa de Kiev recebeu o Chelsea na Liga dos Campeões os adeptos irromperam na bancada vizinha e agrediram quatro pessoas negras, que também eram deptas do Dínamo.

O clube foi punido em 100 mil euros, dois jogos à porta fechada e obrigados a escrever nas camisolas a mensagem “No to racism” até o fim da temporada.

Em 2017, integrantes da principal claque do Dínamo, a Rodychi, foram ao estádio com roupas do Ku Klux Klan e máscaras com suásticas para o jogo do campeoanto frente ao Shakhtar Donetsk – além da faixa com a mensagem “100% branco”.

Em 2016 surgiu na Ucrânia o partido National Corps, que emergiu do grupo paramilitar Azov. Líderes do partido são também os cabecilhas neonazis do Dínamo.

O Shakhtar também sofre do mesmo problema do Dínamo e já teve da parte do seus adeptod manifestações racistas nesta temporada.

Num jogo da Liga Europa a claque exibiu uma faixa com símbolos de extrema-direita e o clube foi punido pela UEFA.

Na equipa de Luís Castro jogam dez brasileiros: Ismaily, Vitão, Dodô, Taison, Marcos Antônio, Dentinho, Tetê, Alan Patrick, Maycon e Marquinhos Cipriano, além de Marlos.

No jogo deste domingo, o Shakhtar ganhou por 1-0 e atirou o Dínamo para o terceiro lugar. A equipa português lidera confortavelmente a Liga ucraniana com mais 12 pontos sobre o Zorya. O título é uma questão de jornadas…