Finalmente o UFC vai chegar à tão aguardada Ilha da Luta, o projecto idealizado pelo presidente do UFC para dar aos lutadores fora dos EUA a oportunidade de poderem lutar durante os tempos de pandemia.

A ilha de Yas, nos Emirados Árabes Unidos foi o local escolhido para acolher o UFC 251 e mais uma vez, julho dá-nos o mês com os melhores combates do ano, mesmo em tempos de pandemia.

3 combates pelo cinturão e um total de 13 lutas espalhadas por 10 categorias de peso diferentes prometem ação que chega e sobra ao longo da madrugada portuguesa. Os combates do card principal apenas começam às 3 da manhã, por isso é só para os mais rijos.

 

 

Na Disney World da Flórida, a NBA, em Lisboa a Liga dos Campeões e no UFC teremos uma ilha em Abu Dhabi pronta a acolher os combates do UFC 251. A ilha de Yas que por si só já é um autêntico parque de diversões tem agora nos seus 2500 hectares de dimensão uma arena exclusiva para acolher os próximos 4 eventos do UFC.

A expectativa era muita quanto à ilha que os responsáveis iriam escolher. Muito se falava numa ilha deserta que seria completamente transformada para acolher os eventos da maior organização de mma do mundo.

Falava-se também de um cenário idílico para receber os combates, com um octógono junto à praia e os lutadores a terem que se deslocar de barco para a ilha.

Para quem tinha as expectativas de ver as projecções de um jogo de Mortal Kombat na vida real, estas poderão ter sido defraudadas. De facto, está neste momento montado um octógono junto à praia, mas apenas para inglês ver.

 

 

Na verdade, o UFC na ilha de Yas não é propriamente uma novidade. Já por 3 vezes a ilha acolheu eventos do UFC.

A diferença para o UFC 251 será mesmo para além de todos os protocolos de segurança implementados pela organização, uma arena construída exclusivamente para receber os combates, a Flash Forum Arena, financiada pelo governo dos Emirados Árabes Unidos por forma a dinamizar e a dar exposição internacional à ilha.

Por essa mesma razão os combates serão realizados em horário nobre americano, às 6 da manhã da hora local.

Quanto ao que mais importa, os combates, melhor não poderíamos ter.

13 combates espalhados por 10 divisões diferentes e ainda 3 disputas de cinturão.

Apesar de nos habituais eventos preliminares existirem combates com ingredientes para entreterem as massas para o card principal – destaque para Muslim Salikhov vs Elizeu Zaleski dos Santos ou Volkan Oezdmir vs Jiri Prochazka – é neste último que está a nata da nata.

Amanda Ribas vs Paige Vanzant

O card principal arranca nos flyweights femininos, com a mais recente promessa da organização, a brasileira Amanda Ribas (9-1) a enfrentar Paige Vanzant (8-4) a maior aposta feminina do UFC desde Ronda Rousey.

Para Paige, este será o último combate do contrato e o futuro é algo incerto. Apesar da parca experiência foi promovida fortemente pela organização durante os últimos 5 anos na esperança de desenvolverem a próxima estrela no mercado feminino de mma, mas derrotas importantes contra a futura campeã Rose Namajunas e Michelle Waterson, abrandaram um pouco as expectativas.

A lesão que sofreu num braço impediu-a da regularidade que necessitava para progredir (apenas 2 combates nos últimos 3 anos) e agora encontra-se numa encruzilhada. Enfrenta Amanda Ribas, faixa preta de Jiu-Jitsu que ainda não perdeu no UFC e vem de 4 vitórias consecutivas.

 

 

Jessica Andrade vs Rose Namajunas

Vingança para “Thug” Rose? A segunda defesa do cinturão dos 52kg femininos para Rose Namajunas (8-4) foi precisamente contra Jessica Andrade (20-7) no UFC 237. Após dominar por completo a luta em pé até no tempo em que o combate decorreu, a brasileira proporcionou um dos nocautes mais violentos na história do UFC, com uma projecção ao tapete sobre o pescoço de Rose.

Por alguns considerado simplesmente um golpe de sorte face ao domínio imposto pela americana até esse momento, esta terá a oportunidade de deixar tudo esclarecido na revanche que já não será a contar para o título, depois da brasileira ter perdido para a actual campeã Zhang Weili em 41 segundos.

 

 

Petr Yan vs José Aldo

Com Henry Cejudo a sair de cena o título dos bantamweight ficou pendente de um campeão. Com alguma estranheza e fruto das circunstâncias, a lenda dos featherweight, José Aldo (28-6), foi chamado para a disputa de cinturão depois de ter perdido contra Marlon Moraes na sua primeira experiência numa categoria de peso inferior – apesar da derrota ter sido muito discutida.

Com duas derrotas consecutivas no cartório e apenas 3 vitórias nos últimos 7 combates e claramente numa fase descendente da carreira, tem agora a oportunidade de ouro de ganhar um título noutra divisão.

Terá uma tarefa bastante complicada frente ao russo Petr Yan (14-1) que é o favorito e apresenta poucas fragilidades no seu jogo. Segue neste momento com 9 vitórias consecutivas na carreira, 6 delas no UFC e pode muito bem ser o próximo a dominar uma divisão de bantamweight cheia de tubarões.

 

 

Alexander Volkanovski vs Max Holloway

Quando o hawaiano Max Holloway (21-5) perdeu o título para Alexander Volkanovski (21-1) no UFC 245, poucos pensavam que era possível “Blessed” defraudar qualquer tipo de expectativas dentro do octógono.

Apesar de ter nivelado um pouco nos últimos 2 assaltos desse combate, no final ficámos todos com a ideia de que Max nunca conseguiu meter a segunda mudança, tal como sempre faz.

De elogiar o australiano que desenvolveu uma estratégia que permitiu mitigar todas as armas de Holloway e levar para casa o título que defende agora novamente contra o hawaiano.

Conseguirá repetir a proeza? Afinal de contas falamos de ganhar 2 vezes consecutivas àquele que todos já diziam ser um dos melhores featherweights de sempre.

 

 

Kamaru Usman vs Jorge Masvidal

Este é o combate que vai reunir todas as atenções. Era suposto estar Gilbert Burns mas o coronavírus pregou uma partida ao brasileiro que ficou arredado de disputar o título do UFC pela primeira vez.

Em seu lugar e a 6 dias do combate chegou Jorge Masvidal para o substituir, naquela que foi sempre a luta pedida pelos fãs para colocar em jogo a 2ª defesa de título do nigeriano Kamaru Usman (16-1). Com Jorge Masvidal temos todos os olhos postos neste evento, mesmo por parte daqueles que normalmente não seguem o UFC.

Tornou-se um ícone da organização ao longo do ano de 2019 num dos maiores ressurgimentos na história da organização, graças ao nocaute mais rápido da história do UFC (5 segundos) sobre Ben Askren e também ao título fantoche ganho a Nate Diaz – o título BMF.

Já com 35 anos e com 48 combates na carreira, será o lutador do UFC que mais combates teve de enfrentar até conseguir disputar o cinturão.

Conseguirá impor o seu boxe contra Kamaru Usman, talvez a par de Khabib, um dos lutadores com o wrestling mais dominante da organização?