Como futebolista, Reiss só conhece praticamente um clube: o Arsenal, desde 2008.

É rápido, joga em qualquer posição da frente (ainda que seja melhor no lado direito), tem grande controlo de bola e tem a cabeça no sítio – que é, basicamente, o mais importante para ser um vencedor.

Começou a sua carreira a nível sénior num jogo da Community Shield, jogando apenas cinco minutos contra o Chelsea, e com 17 anitos feitos. O irmão mais velho, que é uma grande referência – como costuma ser em todos os casos – foi sempre o garante do foco de Reiss.

Ambos cresceram em Aylesbury, a sudoeste de Londres – esta foi a localidade em que Tony Blair fez o primeiro discurso como primeiro ministro em 1997, para falar das “pessoas esquecidas”. E, como conta o The Guardian, manter o foco não era fácil por aquelas bandas.

Domingo 26 julho 16h00
Inglaterra – Premier League
Arsenal vs Watford
1,90 – 3,70 – 3,55

 

“Sem ele acho que não estaria aqui a fazer coisas boas pelo Arsenal”, afirmou o jovem jogador. É que Nelson teve um companheiro no Arsenal que acabou mesmo por ir por maus caminhos (drogas e envolvimento em gangues).

É amigo próximo de Jadon Sancho – que, enfim, tem sido citado recorrentemente nestes artigos como uma espécie de messias da nova geração – porque cresceram a cinco minutos de cada um.

Um em Walworth outro em Kennington. Por serem jogadores parecidos, a competição foi surgindo, mas só para os que os viam a jogar de fora. Mas dentro daquela relação só existe uma certeza: é como se fossem irmãos.

Desses tempos, Nelson recorda as inúmeras amizades que fez na rua, com jogos de futebol em que havia uma bola e 20 miúdos, naquilo que ele chama de “jaulas” (pequenos recintos como um campo de basquetebol) – por falar nisso, vale a pena ler o texto dele no Tribune, o “Império dos Guerreiros”.

 

 

“Há miúdos que agora vão fazer grandes coisas e que, ao mesmo tempo, têm a cultura de rua, onde sentem que estão a jogar como se estivessem a jogar no parque”, conta o inglês ao jornal britânico.

Pois é, mas Nelson também terá sempre essa cultura, porque desde cedo começou a criá-la: quando entrava para “a jaula” vestia o equipamento do Arsenal, fingia que era o Cesc Fàbregas, já que toda a família era adepta do clube.

Assim foi na “jaula” e assim foi na vida fora dela.

 

Para já, se Arteta continuar a ser treinador do Arsenal, e se Nelson mantiver o tal foco, o lugar no plantel é garantido – até porque o treinador australiano passou a ser uma espécie de mentor deste jovem avançado, substituindo o irmão mais velho.

“O Reiss tem o potencial de ser o que quiser”, afirmou o treinador dos gunners no início do ano.

Esta relação mais próxima com o treinador – que já vem do tempo de Arsène Wenger, que acredita que Nelson fez parte dos melhores 15 jovens que lhe passaram pela equipa – não foi encontrada quando jogou no Hoffenheim (marcou sete golos na Bundesliga), por empréstimo, e estava a ser orientado por Julian Nagelsmann: jogou muitas vezes como substituto e sofreu lesões.

 

Além de que o próprio jogador admite que o Julian não gostou muito de saber o background de Nelson. A experiência na Alemanha, ao menos, deu-lhe algo importante: resiliência.

Certo é que esta época leva 21 jogos e três golos. E que David Luiz (sim, esse mesmo) é mais um dos seus mentores. Veremos o que poderá fazer Reiss na próxima época. Arsenal não lhe falta.