O título. É a isto que se resume a parte mais significativa que ainda falta jogar na I Liga que hoje regressa à competição.

Há ainda a luta pelos lugares europeus e a sobrevivência nos lugares mais baixos da tabela.

Vamos a isto.

Separados por apenas um ponto na tabela esta batalha promete ser memorável e até ao último apito da última jornada.

 

FC Porto

Pontos Fortes:

• Eficácia nas Bolas Paradas Ofensivas – Mesmo em jogos de menor inspiração com Alex Telles a bater, e colocando nas áreas adversárias Danilo, Soares, Marega ou Mbemba, o FC Porto terá sempre condições para somar golos

• Agressividade Defensiva e Ofensiva – A equipa de Sérgio Conceição vence sistematicamente os duelos em cada metro de quadrado e com isso impõe a sua toada do jogo, remetendo adversários para o seu terço defensivo.

• Capacidade para explorar a profundidade e o jogo aéreo dos seus Avançados – No fundo com Marega e Soares ou Zé Luis, o FC Porto tem soluções no último terço para finalizar em qualquer tipo de criação, sem precisar de criar em catadupa para encontrar o caminho das redes adversárias

• O FC Porto parte líder e tem um calendário com saídas de menor dificuldade que o Benfica, embora ainda falte jogar em Braga.

Pontos Fracos:

• A lesão de Marcano aliada às duvidas sobre a condição física de Pepe podem obrigar Sérgio Conceição a lançar um menos experiente Leite, que porque ainda não totalmente rotinado com o ritmo da primeira Liga, tem cometido alguns erros defensivos.

• Ataque Posicional pouco Criativo – Embora seja uma equipa ousada nos seus posicionamentos, o perfil próprio dos seus atletas não é o de proporcionar entradas “limpas” com bola em espaços curtos. O FC Porto é uma equipa que encontra dificuldades ofensivas quando do outro lado o perfil físico dos oponentes se equipara, por não optar por um jogo mais “rendilhado”.

• Embora líder, a pressão de um deslize ser o quanto baste para condicionar toda a temporada pesará sempre no lado emocional do jogo.

 

Benfica

Pontos Fortes:

• Ligações ofensivas interiores – Com Taarabt, Weigl e o regresso de Gabriel o Benfica junta três médios com grande capacidade de fazer chegar a bola a zonas de criação, seja pelo espaço interior ou pela variação de corredor para o lado fraco do adversário. Melhor Construção dará mais criação e consequentemente maiores possibilidades para finalizar.

• Liderança e Comportamento Táctico de Rúben Dias. Com um sector mais débil em termos individuais, o central encarnado assume uma preponderância enorme em todos os momentos defensivos, quer pela forma como condiciona adversários no início da transição defensiva, quer pela forma como interpreta o jogo defensivo e vence duelos, compensa individualmente lacunas que se notam em quem o acompanha

• Processo de criação veloz quando bola entra no último terço – Ou pelas acelerações de Rafa Silva ou pelas diagonais curtas a pedir bola para finalizar de Vinícius, o Benfica tem ofensivamente soluções para marcar em qualquer momento, seja nas velozes saídas em contra ataque, ou acelerando quando em ataque posicional faz a bola entrar na estrutura oponente

Pontos Fracos:

• Pouca participação defensiva dos alas – O jogo parte-se demasiadas vezes, Rafa demora a fechar o espaço e Pizzi nem sempre aparece para as tarefas defensivas. Sobram 6 para defender e por isso maiores possibilidades dos adversários encontrarem espaços para chegar à baliza de Vlachodimos

• Debilidades individuais defensivas dos laterais (Grimaldo e Tavares débeis fisicamente, perdem duelos e são facilmente contornados em situações defensivas que envolvam espaços mais largos – E uma equipa grande tem sempre de defender espaços mais largos), e dificuldades de Ferro nas abordagens sem bola – Juntando ao não defenderem todos, as dificuldades individuais dos que ficam para defender e fica uma mistura “explosiva” que tantas vezes só é superada pela competência de Vlachodimos

• A ausência de um grande criador, inteligente e criativo em espaços curtos nas costas de Vinícius faz-se notar. Chiquinho tem condições para, mas não tem tido o impacto devido na hora de atirar à baliza.

A Europa

Sporting de Braga, Sporting, Rio Ave, Vitória de Guimarães e Famalicão competirão não apenas pelo pódio mas também pelas vagas de acesso às competições Europeias da próxima temporada.

Com os bracarenses com o terceiro lugar à vista, o árduo calendário leonino deixa dúvidas sobre a prestação do Sporting até ao final – Deslocar-se-à ao terreno do FC Porto, SL Benfica e Guimarães. Rio Ave, Guimarães e Famalicão deverão lutar pelo quinto e sexto lugar.

 

Sporting de Braga

Pontos Fortes:

• Modelo de Jogo consolidado – Custódio optou por manter as agulhas táticas herdadas de Rúben Amorim, e se o Braga vinha sendo uma equipa em crescendo, batendo Benfica e Porto no seu reduto, não é expectável que os comportamentos se percam de forma instantânea

• Palhinha e Francisco Trincão – O plantel do Braga é todo ele bastante valoroso, mas a temporada que os jovens portugueses vêm rubricando elevaram a equipa dos arcebispos para outro nível. Palhinha garante a eficiência da Transição Defensiva e Organização sem bola, enquanto Trincão traz a irreverência e criatividade que desbloqueia ofensivamente os jogos mais fechados

Pontos Fracos:

• Não tendo os mesmos argumentos individuais do Sporting, sobretudo na elaboração do seu 11 inicial, o Braga poderá sempre ter dificuldades para continuar a vencer opositores e cimentar o seu lugar no pódio

 

Sporting

Pontos Fortes:

• O modelo de Amorim – Teve um sucesso incrível em Braga, e tal não foi um acaso. Há na realidade Liga NOS ainda poucas equipas com os comportamentos táticos da equipa de Rúben – 5x2x3 em Organização Defensiva, que possibilita saída em Transição Ofensiva veloz e perigosa após o ganho da bola, e saída a três centrais criando dúvidas no impedir da construção adversária aos seus oponentes, e tal é sempre uma dificuldade acrescida para quem defronta a equipa leonina. No fundo, o Sporting partirá como um modelo que obrigará adversários a se adaptarem a si, ao invés do contrário

• Regresso de Battaglia – Depois de uma longa paragem, o argentino está de volta e poderá ser o “João Palhinha” de Amorim. Um jogador com grande capacidade para comer metros em largura e ajudar a linha média e defensiva nos momentos defensivos em que os alas ainda estão mais projectados, ganhar duelos, recuperar bolas e iniciar o ataque. Se retornar aos índices de condição física de outrora, é um jogador com as características ideais para as ideias de Amorim.

Pontos Fracos:

• Por incrível que pareça, individualmente a linha ofensiva do Sporting tem menos qualidade que a bracarense. Sem Trincão + Paulinho + Horta, Amorim caçará com Sporar, Vietto e eventualmente Plata. Tudo jogadores em fase de adaptação a uma realidade diferente, e cuja qualidade só aparece a espaços, carecendo de regularidade para sucessivamente deixarem a sua marca nos jogos

 

Rio Ave

Ponto Forte:

• Organização Tática – O Rio Ave é uma das equipas mais bem definidas taticamente da Liga, capaz de interpretar todos os momentos com o mesmo grau de competência. Tem soluções para cada fase ofensiva do jogo, sai com critério quando encontra espaço e as suas rotas ofensivas estão bem definidas para promover o que de melhor Taremi tem, mas não é uma equipa que perca discernimento quando tem de passar mais tempo sem bola. Mantem-se organizado, encurta espaços em largura e profundidade e torna muito congestionados todos os acessos à sua baliza

Ponto Fraco:

• Apesar de uma equipa valorosa individualmente, está longe do poderio do Vitória de Guimarães, e o menor rendimento pontual nos jogos caseiros segue claramente o padrão das dificuldades que sente quando os opositores se fecham no seu terço defensivo e obrigam a equipa Vilacondense a depender mais da qualidade individual para resolver problemas criativos perto das balizas adversárias.

 

Vitória de Guimarães

Ponto Forte:

• Combinação “Explosiva” entre Modelo e Individualidades – O modelo de Ivo Vieira pede e proporciona muita chegada apoiada e um futebol aprazível de constantes combinações e ligações ofensivas, e o próprio plantel vitoriano foi construído pensando na qualidade e características do modelo. Marcus Edwards, Pedro Rodrigues, Davidson, André André, João Carlos Teixeira e Lucas Evangelista são jogadores capazes de expressar toda a sua criatividade nas chegadas ao último terço no modelo de Ivo.

Ponto Fraco:

• A partida de Tapsoba deixou a linha defensiva vitoriana órfã do seu elemento mais valioso. Porque é uma equipa de ataque continuado, os seus defesas vêem-se por diversas vezes forçados a defender distâncias largas em situações numéricas indesejadas, e também por isso a partida de um central de grandes capacidades condicionais traz dificuldades acrescidas na resolução de problemas nos contra ataques oponentes.

Famalicão

Ponto Forte:

• Criatividade e capacidade de definição Ofensiva – Com Fábio Martins, Diogo Gonçalves e Rúben Lameiras, alimentados por Uros Racic e suportados pela presença de Gustavo Assunção, o Famalicão alia aos recursos coletivos treinados por João Pedro uma gama de recursos individuais capazes de abanar as redes adversárias em qualquer instante do jogo. O trio de criativos têm ainda grande capacidade atlética e técnica, que lhes permite impacto não apenas no momento de criar, mas também de finalizar, e são autênticos “diabos” à solta entre linhas adversárias.

Ponto Fraco:

• A ideia de jogo de João Pedro carece por vezes de um caminho alternativo aquando da posse. Quamndo é bloqueado na sua construção, o Famalicão soma erros, perde bolas em zonas proibitivas e sofre consecutivamente golos. Foi sempre assim que surgiram os primeiros tombos, e a menos que a paragem tenha servido para rectificar rotas de ataque, ou a própria organização ofensiva do Famalicão poderá continuar exposta à qualidade da pressão oponente.

 

A luta pela manutenção

São já nove longos pontos os que separam o Desportivo das Aves do primeiro lugar que assegura a manutenção na Liga, que é ocupado pelo Paços de Ferreira. O próprio Portimonense com seis de atraso parte numa situação periclitante para as últimas dez jornadas.

A forma como o Paços de Ferreira utilizou o mercado de inverno para se reforçar, resgatando Adriano Castanheira e Eustáquio, garantindo mais valias incondicionais a um jogar já de si bem organizado defensivamente pela mão de Pepa, deverá tornar-se o ponto de viragem que garantiu que a equipa da Mata Real não mais se afundasse na tabela.

Um Marítimo que assenta na energia de Bambock e agora na capacidade de desequilíbrio de Bruno Xadas que define finalizando ou servindo o ainda bastante útil Rodrigo Pinho, parece a salvo de males maiores. Tem qualidade, cresceu com a chegada de José Gomes, e ainda parte com muitos pontos à frente.

Ainda não totalmente a salvo, o Tondela do espanhol Natxo González tem sido a equipa surpresa da Liga pelos resultados que obtém fora de casa. Alicerçado numa dupla de médios que joga e faz jogar – o internacional espanhol Pepelu e João Pedro – encontra na velocidade dos seus alas – Xavier e Murillo – a forma de desequilibrar os jogos fora do seu reduto.

Pela vantagem pontual e consistência da sua organização só uma hecatombe trará o Tondela para uma indesejada despromoção. Fecha o lote de equipas ainda em risco, o Belenenses SAD, agora orientado por Petit.

Um grupo muito jovem mas com a devida mescla de jogadores de rendimento garantido como André Santos, Nuno Coelho, Gonçalo Silva, Licá, Silvestre Varela e Marco Matias, que somou 8 pontos nos quatro últimos jogos e dá corpo a uma nova tendência na Europa utilizando um sistema de três centrais, que lhe tem permitido crescer assente numa organização defensiva cerrada que possibilita posteriormente a saída segura em velocidade nas características dos seus jogadores mais adiantados.