Este sábado, às 17h portuguesas, joga-se a final do Campeonato do Mundo de Futebol de Sub 20. Dois finalistas inéditos, dois underdogs, disputam o troféu. Ucrânia ou Coreia do Sul?

As grandes competições desportivas mundiais padecem de um problema enorme: são muito previsíveis. É sempre aquela dança das expectativas, Davides e Golias diversos, ver quem cai primeiro, mas que quase sempre nos leva aos mesmos sítios, aos mesmos jogadores, clubes, vencedores.

Sábado 17h00
Final Mundial Sub 20
Coreia do Sul vs Ucrânia
2.30 – 4.30 – 1.20

Mas, por acaso, – para contrariar esta introdução pseudo-cenas – se há evento onde ainda há surpresas é no Campeonato do Mundo de Sub-20, onde a juventude e falta de maturidade de alguns conjuntos leva a resultados surpreendentes. A isto juntemos jogadores ainda em crescimento, à procura de identidade, de confirmarem as suas qualidades no escalão de sénior onde há papões em armários e empresários como Mino Raiola.

A competição arrancou a 23 de Maio na Polónia, país organizador do 22º segundo torneio mundial deste escalão. Portugal nem passou da fase de grupos. A Argentina e a França foram eliminadas nos oitavos-de-final.

Ou seja, rapidamente se percebeu que se estava a abrir caminho para novas possibilidades. E para as meias-finais sobraram a Itália, a Ucrânia, o Equador e a Coreia do Sul. Isto é, a Itália, era grande favorita, até por ter grandes jogadores como Pinamonti e Pellegrini. E talvez o Equador, com o jogador do Sporting Gonzalo Plata – bem como com Campana, um 9 de estampa física impressionante e remate fácil, e Cifuentes, um 8 com muita saída de bola e força – se colocasse na frente como favorito. Só que não.

 

https://www.youtube.com/watch?v=hcWCWUNUt3U

 

A Itália foi vítima de uma Ucrânia ultra organizada, com um belo guarda-redes (Lunin, titular do Leganés durante toda a época por empréstimo do Real madrid); três centrais de bela qualidade, sobretudo Popov, do Dinamo Kiev; um extremo-direito canhoto, Kashchuk, da equipa b do Shakhtar de fino recorte técnico; Buletsa, também do Dinamo Kiev, um médio ofensivo que é de longe o melhor jogador da equipa, com remate, passe, finta curta, tudo para ser um belo jogador com peso no futebol europeu.

E até os equipamentos da marca Joma à antiga, com uma espécie de gola que faz lembrar os tempos da URSS, faz desta uma selecção à antiga, que faz da organização a sua alma. É uma Ucrânia que nunca tinha chegado mais longe do que os oitavos-final da competição e que agora pode voar bem alto, logo nesta altura em que a série da HBO, Chernobyl começa a levar a gentrificação até a sítios radioactivos. Viva o Instagram.

Já a Coreia do Sul é uma típica equipa asiática: transições rapidíssimas, resistência até mais não – recordemos Park Ji-Sung e de como parecia que para ele o jogo estava sempre a começar, ainda que pudesse estar já no prolongamento – e uma estrutura bastante fechada.

A Coreia que se estreou neste Mundial com uma derrota por 1-0 com Portugal e que, logo nesse jogo, ficou a ideia de que esta não era uma equipa qualquer, difícil de ultrapassar e muito perigosa nas investidas pelos corredores. O expoente máximo da equipa é o jovem de 18 anos que pertence aos quadros do Valência: Kang-In Lee. Um ponta-de-lança de muita, muita qualidade. E que, curiosamente, no jogo com o Equador mal se viu.

 

https://www.youtube.com/watch?v=WAw5pnTNmTs

 

É de esperar portanto uma final muito táctica, força vs velocidade. E dois conjuntos que parecem pertencer ainda um outro tempo histórico, mais imperialista, que se reflecte na forma profundamente organizada como jogam. Esperemos que os jogadores não sejam ameaçados se não trouxerem o troféu para casa.