O Dia Seguinte de 8 de abril foi um programa diferente desta vez. Porquê? Porque se preocupou, sobretudo, com o meio ambiente. Deve-se à força das toupeiras no campeonato português? A uma maior consciência dos comentadores relativamente ao aquecimento global já que a temperatura de jornada em jornada não pára de subir? Ou ao novo trailer do Rei Leão? Não sabemos… nem queremos.

Adiante, patas para a frente. O pivô João Abreu abriu o programa do dia 8 de abril, na ressaca do Benfica-Feirense (4-1) com duas referências a labaredas, naquela que já considerado a expressão número um nas escolas de jornalismo para começar qualquer debate desportivo: “Mais uma jornada que incendiou [inserir local, principalmente redes sociais]”.

 

https://youtu.be/VWsiNYad04s?t=7

 

E o que é que combate um incêndio? Água, dirão os mais leigos, como quem vos escreve.

E foi por isso que no painel em vez de Pedro Marques, tivemos o empresário João Koehler, habituado a águas cheias de tubarões (Shark Tank). Ao lado de Vasco Mendonça (Benfica) e Rodrigo Roquette (Sporting).

E ainda que para quem vê este programa há anos esteja habituado a que o prato principal seja uma espécie de pescadinha de rabo na boca onde só se anda à volta de arbitragens, em vez de se falar de futebol, o desta semana foi diferente: falou-se, especialmente, de benefícios de dúvida nas arbitragens, o que é beeem diferente.

Mas calma, não foi por falta de vontade.

«Eu gostava de estar a falar de futebol», chutou Vasco Mendonça a certa altura. Nós também gostávamos de vos ouvir a falar de futebol, e que o ambiente do campeonato português fosse menos de cortar à faca, mas cada um tem o que merece

Nas quase duas horas de programa, esta autêntica fauna da late night TV de domingo à noite não falhou nas expectativas.

Até o ex-árbitro e pessoa que ainda usa gel no cabelo no século XXI, Duarte Gomes, tirou as garras de fora para se defender do Rodrigo. “É a última vez que me chamas incoerente”, atirou para o representante verde e branco. Ui, isto já nem precisa de mais achas para a fogueira. Chamem os bombeiros e já. Ou o Al Gore, que esta selva está a ficar sem oxigénio.

E Rodrigo a modos que lá merecia troco. É que, sendo expectável que seja o leão por defender o clube de Alvalade, foi quem passou mais tempo a rugir. “Este é o programa do Rodrigo, ninguém te avisou?”, disse Vasco para Koehler a certa altura.

Roquette não parou: ele foi críticas à arbitragem, ao “clima insustentável do futebol”, citar o “International Board”, falar do var para aqui, var para acolá, “enfiar barretes” para ali, criticar o sector (qual sindicalista da CGTP) tentando depenar a águia que Mendonça traz ao peito.

Já Koehler, esse, como manda o bom empreendorismo, “não se quis meter na guerra”, porque cedo percebeu que este negócio não ia comprar. Ele bem tentou, mas falta-lhe treino. Para a próxima época do campeonato de painelerismo talvez dê, João. E toda esta azáfama só para o rescaldo do jogo em Santa Maria da Feira. Nossa. Senhora.

Nem deu tempo para dar conta que o pivô continuava ali, que claramente faltou às aulas de «Como Domar Paineleiros» quando fez o curso. «Está quentinho o debate», disse. Está está, e futebol? Não, isso não

Ainda se passou pelos restantes jogos dos dois grandes e também da semi-final da Taça de Portugal entre Benfica e Sporting e os últimos jogos de águias e leões, que entre convites para bifanas no Jamor, melões, favas contadas e desenhos de Bruno Lage, teve tempo para falar da ciência dos balões.

É que, segundo dizem as leis que regem este planeta, na selva, pouco ou nada se pensa porque… não há seres humanos. Pois na selva do “Dia Seguinte”, para além de muito se pensar sobre lances polémicos, também há tempo para falar do som que um balão faz quando rebenta. “Puff”, elucidou Roquette.

“Não é esse o som de um balão”, esclareceu Vasco. “Não sei o que é que estou aqui a fazer, mas talvez esteja aqui uma ideia de negócio”, pensou Koehler. “Qual é o sentido da vida?”, vagueou o pivô, certamente.

Vitor Bruno, jogador do Feirense disse, depois do jogo com os encarnados, que o futebol “já não o fascinava”. Depois deste programa, essa é uma certeza. Mas há um twist: é que nesta selva televisiva já não importa falar do desporto rei. Isso morreu. O importante é salvar o país deste incêndio em que se transformou a selva do Dia Seguinte.