O Mónaco, de Leonardo Jardim, perdeu este domingo, em casa, com o Saint-Étienne. Quem anda à chuva, molha-se: está apenas a três pontos acima da linha de água quando faltam três jornadas para o final da Ligue 1. Não soa a relação amorosa condenada?

Adivinhava-se mais uma época normal para o AS Mónaco. Perde Mbbapé, perde Lemar, perde Fabinho, e lá o mágico Leonardo Jardim teria que pagar horas extra aos seus olheiros para passarem tempo longe da família, para verem jogos de juvenis nos quatro cantos do mundo.

Daí costumavam sair pérolas com talento e responsabilidade para assumirem um papel de destaque na equipa principal monegasca.

Mas a coisa não correu como se esperava.

À 9.ª jornada, depois de apenas ter conseguido uma vitória – e logo na ronda inaugural, com o Nantes – a direcção do clube, liderada por Dmitri Rybolovlev, decidiu dispensar o português, como que esquecendo os seus diversos feitos:

  • campeão francês em 2016/17 perante um PSG trilionário e poderosíssimo,
  • título que o Mónaco já não conquistava há 17 anos;
  • e nesse mesmo ano vai às meias-finais da Liga dos Campeões, perdendo apenas para a Juventus.

 

Rybolovlev fez aquilo que não se deve fazer numa relação amorosa: reagir a quente.

Sim, nove jornadas parece pouco para alguém que já deu tanto ao clube, mas para o russo nove jornadas devem ter sido uma eternidade.

À 10ª jornada entra o lendário Thierry Henry, que, apesar de ter sido um jogador de classe mundial, único, não conseguiu ter sucesso no banco – também, diga-se, que não é por alguém ter sido muito bom jogador que é necessariamente muito bom treinador, certo? – de uma equipa feita muito à imagem de Jardim.

Só ele entendia aquele plantel com jovens desconhecidos, mais uns velhotes experientes, mais umas coisas assim. E Henry passou mal.

Não parecia desejado. À 21ª jornada, o Mónaco perde 1-5 com o Estrasburgo e Henry não resiste. Foram onze jornadas com apenas duas vitórias, insuficientes para chegar à superfície, para poder respirar fora da linha água, algo que nunca aconteceu na vigência do francês.

 

 

Se isto não aparece aquele homem que – já cansado da sua relação duradoura – se enamora por uma nova paixão, alguém que sempre o atraiu, mas que, chegados ao momento da verdade, era mais fogo de vista que outra coisa. E aí, normalmente, o que é que acontece?

Voltamos ao porto seguro. Rybolovlev deve ter dito a Jardim que precisava de um tempo, pensou, e achou melhor voltarem. Leonardo Jardim – que se diz ter rejeitado propostas milionárias depois de sair do Mónaco – só pode amar este clube. Aceitou voltarem.

E da 23ª jornada (quando voltou a assumir o comando) até à 29ª, o Mónaco somou quatro vitórias e três empates – incluindo vitórias ao Lille e ao Lyon, segundo e terceiro classificados.

Resultados que levaram o Mónaco a fugir, por dois postos, à linha de água.

 

 

Isto tudo já com uma equipa algo diferente do que aquela que começou a temporada.

Com Carlos Vinícius, Gélson Martins, Adrien, Fàbregas, tudo gente que veio trazer coisas boas, mas pelos vistos, insuficientes, para este Mónaco. Bom, insuficientes para ser mais, para mostrar em campo aquilo que vale, para corresponder à excelência do seu treinador e aos jogadores de qualidade que tem. Apesar de tudo, ainda está em zona de manutenção.

Nas próximas três jornadas joga com:

  • Nimes (fora, 8º classificado)
  • Amiens (casa, 16º classificado)
  • e Nice (fora, 7º classificado)

Ou seja, não será pêra doce. Isto se não quisermos pensar que é tudo um plano maquiavélico de Jardim, que não aceita que ninguém lhe peça um tempo e que por isso vai levar o Mónaco à despromoção como forma de vingança, de ter sido trocado por Henry. Esperemos.