Pela primeira vez no mundo, esta semana, teremos jogos de futebol estritamente dedicados ao futebol. E tudo por causa do COVID-19. Até existe a possibilidade de haver o adiamento de uma partida, entre o Wolverhampton e o Olympiacos, porque o presidente dos gregos está infectado. Ou seja, não há adeptos no estádio. Nem tochas, nem cânticos, nem cartazes ou palavrões. Vai ser um autêntico sossego.

Na hora de festejar o golo, o jogador nem vai tirar a t-shirt, porque passará por maluco, já que não há ninguém para festejar. Marcelo Rebelo de Sousa fará, esta semana, um comunicado a partir da sua casa de banho enquanto faz a barba, para lamentar toda esta situação. A não ser que esteja ocupado a fazer o seu trigésimo teste de coronavírus. Aí é capaz de adiar a sua comunicação ao país.

Teremos onze jogadores contra onze jogadores, quatro árbitros, mais o VAR em quarentena num sítio qualquer, como é habitual. Ah, e claro, a equipa técnica que, se tiver treinadores sem curso, ajuda ainda mais à não propagação do vírus: o Braga ou Sporting estão, por isso, muito menos em risco de ficarem infectados.

A eterna quarentena do Wuhan

Também se vai dispensar o speaker e aquelas pessoas que vestem máscaras e fatos para entreter a pequenada. O Jubas, por exemplo, já se encontra à procura de novo emprego, segundo consta, nas filas de espera da Segurança Social. Mas há uma alternativa para estes trabalhadores: ficam cá fora a entreter a malta, pois julgo que se vai colocar ecrãs gigantes para se acompanhar os jogos. Quem esteve em Alvalade no passado fim de semana estará mais do que habituada a este procedimento, já que passa mais tempo fora do estádio do que dentro.

Esta notícia só não surpreende mesmo os clubes pequenos, que registam sempre pouca assistência durante o ano.

“Eventos com mais de cinco mil pessoas serão cancelados? O que é isso?”, perguntará qualquer presidente do Tondela, do Cova de Piedade ou outro clube qualquer que não tenha milhões a encher o cofre. E, atenção, isto não é uma crítica aos clubes mais pequenos, que muito respeito merecem por ainda sequer existirem, é mesmo aos adeptos. Se já não iam ao estádio agora ainda vão passar a ir menos.

Carriço Covid(ado) por Wuhan

Vão preferir ir infectar-se com o COVID-19 nos autocarros, nos cinemas, nos centros comerciais, na praia ou na tasca do amigo do lado. Nos estádios às moscas, é que não.

O prejuízo gerado pela falta de venda de bilhetes será depois compensado pelo governo português, segundo li numa rede social. Julgo que o próximo Orçamento de Estado terá um anexo para o futebol, de onde se retira dinheiro de uma cativação qualquer do senhor Centeno.

Se o Estado já tapa os olhos às supostas falcatruas de presidentes de futebol, porque não dar mais uma ajudinha?