Algo está podre no reino da Dinamarca (e não nos referimos ao Príncipe Frederico, submetido a uma intervenção cirúrgica nas costas). Não tem nada a ver com a Casa Real nem com a sucessão ao trono da rainha Margarida II. Estamos a falar de futebol.

A seleção de futebol dinamarquesa está em litígio com a Federação – devido a prémios de jogo e contratos de patrocínio – e os jogadores recusaram-se em bloco a participar na Liga das Nações.

 

 

Para evitar castigos (20 mil euros de muilta e suspensão de quatro anos de participar em competições da UEFA), a Federação convocou futebolistas amadores e até cinco jogadores de futsal.

No particular com a Eslováquia, a Dinamarca perdeu apenas por 3-0 nesta quarta-feira. Vamos ver como se safam no domingo com País de Gales, ja a contar para a Liga das Nações.

 

 

 

A Dinamarca chegou aos oitavos de final do Mundial da Rússia e está no 9.º lugar do ranking da FIFA. Mas com esta recusa dos futebolistas profissionais, e sem a presença de craques como Christian Eriksen, Simon Kjaer, Pione Sisto ou Kasper Schemeichel, a coisa promete ficar difícil.

Caso Saltillo

Isto no reino da Dinamarca (e nós a darmos-lhe com o Hamlet) é uma espécie de Caso Saltillo, segundo o Futre a página mais negra do futebol português. Ou segundo Pedro Adão e Silva e João Tomaz, autores de um livro sobre o que se terá passado na cidade mexicana no Mundial 86, Saltillo é um assunto mal resolvido para os jogadores.

Eis um excerto do livro, a que os autores deram o subtítulo de “Carros e sexo fortuito”.

Paulo Futre: “Após a primeira folga, passaram a estar sete, oito carros. Segunda folga: 11, 12 carros. Terceira folga: 17, 18 carros. Estacionados à porta da Fortaleza. Em fila indiana. Acabávamos de jantar e… ala, para dentro dos carros. Aquilo parecia uma procissão. Quem olhasse de fora só via carros a abanar… ficávamos ali até à meia-noite e voltávamos para os quartos. No dia seguinte… a mesma coisa. Estive sempre com a Laura. Foi a minha namorada de Saltillo até ao fim. Muitos daqueles que conheceram mulheres no primeiro dia livre também não mudaram.”