Pelé fez tudo enquanto futebolista. Foi campeão do mundo pelo Brasil 3 vezes (1958, 1962 e 1970), parou uma guerra em África, venceu 6 campeonatos e 2 Taças Intercontinentais pelo Santos, fez uma cueca a Eusébio, casou 3 vezes, fez 7 filhos e namorou com Xuxa. No golo 1000 da carreira o jogo foi interrompido para dar uma entrevista.

Dedicou o 1000.º golo, no Maracanã, às crianças. Foi contra o Vasco da Gama e o guarda-redes argentino Andrada ficou para a história por causa disso (ele não queria, mas não conseguiu impedir esse golo de penálti).

Aconteceu assim:

19 de novembro de 1969. Rio de Janeiro, 34 minutos da segunda parte, 1-1 no marcador entre Vasco e Santos. Clodoaldo lança Pelé, que entra na área entre os defesas adversários e cai depois de dominar a bola. O árbitro Manuel Amaro de Lima marca penálti sem hesitar.

Os fotógrafos amontoavam-se atrás da baliza do argentino Andrada. As 65 mil pessoas que lotavam o Maracanã entoaram em uníssono: “Pelé, Pelé, Pelé!”, inclusive os vascaínos. Ver o Rei marcar o milésimo golo parecia muito mais histórico do que uma vitória da própria equipa.

«Todo mundo fala que bater pênalti é fácil. Mas é fácil quando está dois a zero, três a zero. Mas tremer como eu tremi quando fui bater meu pênalti… Duvido que alguém já tenha passado por isso. Eu falava: “meu Deus do céu, e se eu perder o pênalti?”. O mais engraçado é que eles fizeram uma homenagem, mas ninguém ficou na área. Quando olhei para trás, estava todo o time no meio de campo. Eu falei: pô, se bate na trave ou o goleiro rebate, meu time está todo lá atrás. Falei: caramba, ninguém veio!» Pelé sobre os 50 anos do 1000.º golo, à folha de são paulo

 

 

Os repórteres invadiram o relvado enquanto Andrada dava socos no chão. Pelé foi levado em ombros até ao centro do campo para comemorar com os companheiros do Santos enquanto pedia mais atenção para as crianças carenciadas do Brasil.

“Nada se compara, para o maior futebolista brasileiro, ao estado de graça de fazer um golo e comemorá-lo; à comunhão plena entre o jogador que marca e a torcida; à explosão muscular acompanhada pela explosão do delírio, as duas se fundindo repentinamente”, dizia a Folha de São Paulo no caderno extra produzido para celebrar o milésimo gol de Pelé.

Foi há 50 anos. É pouco? Ninguém fez igual.

No total, o Rei fez 1283 golos. Messi e Ronaldo têm de manter o actual ritmo até aos 40 anos para conseguirem alcançar Pelé. Feitas as contas, o argentino e o português igualariam o número de golos do brasileiro em 2030.

 

Messi é uma besta e pode chegar aos mil golos em 2022

 

Edson Arantes do Nascimento tinha apenas 29 anos quando fez um golo pela milésima vez, o que o coloca bem à frente daqueles que posteriormente tiveram maior assiduidade no encontro com as redes.

Nem Messi nem Cristiano Ronaldo conseguem acompanhar o ritmo estabelecido pelo rei do futebol.

O argentino, hoje com 32 anos, contabiliza 697 golos, incluídos nessa conta aqueles marcados em particulares de clubes, geralmente ignorados nas estatísticas europeias, e aquele anotado nesta segunda-feira (18), no empate 2-2 da Argentina com o Uruguai. O português, aos 34, acumula 724.

E ainda houve quem tentasse (e conseguisse) impedir um golo de Pelé. Um deles foi Gordon Banks e por isso ficou com o título de ter feito a melhor de defesa de sempre. A ser parado, tinha de ser assim.

 

A defesa que a física definiu como indefensável