Inicia-se no fim de semana mais uma magnífica temporada na Premier League, desta feita com o Liverpool a voltar a defender – atacar – o título de campeão que há tanto lhe escapava.

2021 poderá marcar o regresso do Chelsea à luta pelo ceptro maior, embora parta com bastante menos favoritismo que o City e que os Reds, equipas consolidadas em anos de trabalho.

Mas, não será apenas a luta pelo primeiro lugar a marcar a espectacularidade da Liga. O novamente belo Arsenal, agora de Arteta, o estratégico Tottenham de José Mourinho e um United em crescendo, formam um Big Six que promete competição acérrima e bom futebol.

Mas, haverá mais emoção e mais competitividade fora do topo. O Everton de Ancelotti recruta para se intrometer na luta, o Leeds de Marcelo Bielsa promete vendaval de futebol ofensivo e ainda há Nuno Espírito Santo na liderança dos lobos, a sensação da Premier League nas temporadas anteriores. E até onde chegará de novo o Leicester?

Esta é a ordem de possível classificação final dos Big Six.

 

1.º Manchester City

A equipa de Pep tem batido sistematicamente recordes na Premier League e na nova temporada jogará o orgulho ferido da queda para o Liverpool de Klopp. A goleada sobre os Reds na parte final da época, prova que os citizens não se deixarão abater tão facilmente.

Nathan Aké, poderoso central ex Bournemouth deverá ser o único reforço a entrar na equipa titular, embora o talento de Ferrán Torres possa também ele ser enquadrado a espaços na frente ofensiva. Manterá o futebol de toque, a chegada conjunta e a criatividade e capacidade para jogar em espaços curtos de Mahrez, Bernardo Silva e Phil Foden, enquanto na frente as rupturas de Agüero têm o impacto que tem a construção criteriosa de Laporte no jogo do City.

Possível 11:Ederson; Walker, Aké, Laporte, Mendy; Rodry, Foden, De Bruyne; Bernardo, Sterling e Agüero.

Figura: Kevin De Bruyne – golos e Assistências em catadupa são uma marca bem visível do futebol do belga na Premier League, mas é ainda mais do que isso. Arma maior perante as densas organizações defensivas contrárias, De Bruyne dá lições de eficiência e eficácia em cada ação. É o elemento que pensa e antecipa tudo, criando soluções para romper linhas oponentes. Um dos melhores do futebol actual e grande responsável por guiar o City aos golos, de De Bruyne pode esperar-se sempre rendimento máximo.

 

2.º Liverpool

Ainda sem reforços na verdadeira acepção da palavra – Tsimikas do Olympiakos foi contratado como uma valorosa adição ao plantel – o Liverpool de Klopp manterá, garantidamente, a sua identidade competitiva. Um trio em sector médio de grande robustez e capacidade de recuperação – seja defensiva, expresso nos metros que come em poucos segundos, seja da posse da bola alimentando os contra ataques Reds – o momento em que a equipa de Klopp se torna absolutamente letal e imparável.

Henderson, Fabinho e Keïta roubam, procuram Firmino e o avançado centro que é um verdadeiro dez na forma como pensa e pauta o jogo, alimenta a velocidade das motas Mané e Salah. Tudo enquanto Van Dijk coordena todo um sector defensivo, contagiando a equipa, orientando-a e forçando-a a manter-se junta para efectivar pressing.

Também nos corredores laterais com a velocidade de Arnold e Robertson o Liverpool apresenta armas, maioritariamente em ataque posicional, para desgastar oponentes e criar.

Um jogo intenso, veloz, de desgaste que se mostrou praticamente imparável nas últimas temporadas na Premier League.

Possível 11: Alisson; Arnold, Gomez, Van Dijk, Robertson; Henderson, Fabinho, Keita; Mané, Salah e Firmino.

Figura: Firmino – o ponta de lança brasileiro não tem a notoriedade de Salah ou Mané, pelos golos que estes somam, mas é dos seus pés e da sua tomada de decisão que a magia no ataque dos Reds aparece. Joga como poucos em apoio frontal – roda e define espaço e tempo oportuno para colocar as motas a acelerar. É um criador tremendo, que ainda encontra oportunidade para também ele na grande área solucionar com golos problemas em ataque posicional.

 

Manchester United

Depois de um término de temporada passada em alta rotação, a expectativa sobre o renascer do United aumenta. A chegada de Van de Beek, um médio holandês de traços físicos e técnicos incríveis, bem ao jeito da Premier League faz aumentar a competição interna e a capacidade para alimentar a velocidade dos homens da frente.

Com Martial, Rashford, Daniel James e a capacidade finalizadora de Greenwood como opções ofensivas suportadas por um lote de médios incríveis quer na criação quer na disponibilidade que colocam nos momentos defensivos – Bruno Fernandes, Pogba e Matić a quem se junta Van de Beek – o United reúne condições para bater qualquer adversário, e Solskjær na temporada passada foi capaz de traçar os planos certos na conquista dos pontos nos dérbis e clássicos na Premier.

Faltará maior indicie de aproveitamento em jogos de natureza competitiva teoricamente mais baixa.

Possível 11: De Gea; Bissaka, Maguire, Lindelöf, Luke Shaw; Pogba, De Beek, Bruno Fernandes; Martial, Rashford e Greenwood.

Figura: Pogba – um monstro em campo. Impressionante fisicamente e imbatível no duelo defensivo pela recuperação da posse, tem dotes técnicos fabulosos que lhe permitem quer em organização ofensiva, quer sobretudo em Transição alimentar o ataque, onde ainda aparece fruto de uma passada veloz e larga. Concentrado é uma das principais figuras da Premier.

 

Chelsea

Lampard potenciou o desenvolvimento dos jovens Mount, Gilmour, Pulisic e Abraham, e para a presente temporada não apenas terá jovens mais preparados para rendimento imediato como recebe uma série de reforços que colocam o Chelsea numa possível luta pelo título.

Timo Werner, Thiago Silva, Ziyech, Sarr, Chilwell e Havertz reforçam todos os sectores da equipa de Lampard, que juntará experiência a talento jovem numa mistura potencialmente explosiva num conjunto que promete criatividade e muito futebol ofensivo.

Possível 11: Kepa; James, Thiago Silva, Zouma, Chilwell; Kanté, Kovačić, Ziyech; Havertz, Werner e Mason Mount.

Figura: Timo Werner – o avançado alemão que é um verdadeiro primor na hora de atirar à baliza é também muito capaz no jogo entre linhas, contribuindo para uma aproximação colectiva ao golo mesmo quando os espaços se fecham. Trará criatividade, finalização e capacidade de criação aos blues, sem que este perca a natural agressividade tão presente nos jogadores de nacionalidade alemã.

 

Tottenham

Sem “estrelas” de presente, mas ainda assim com a chegada dos competentes Højbjerg do Southampton, Doherty do Wolves e Joe Hart, guarda redes internacional inglês, Mourinho partirá com menos condições individuais que a restante oposição na acérrima luta no Big Six.

A forma como exacerba o lado estratégico em cada um dos confrontos que parte como “underdog” permitem-lhe somar pontos e resultados, e depois de um “quarto lugar” no período em que foi o treinador do Tottenham na temporada passada, procura aproximar-se dos lugares de Champions, mesmo estando os londrinos agora bem distantes da capacidade individual da oposição.

A velocidade e potência de Lucas partindo do corredor direito e a aceleração a agilidade de Son partindo da esquerda são armas perigosas no Contra Ataque do Tottenham que conta ainda com a excelência finalizadora de Harry Kane e a criatividade entre linhas de Dele Alli.

Um ataque que embora não tenha alternativas fortes, de forma conjunta trará problemas para qualquer opositor. Será sobre a sua linha defensiva que as atenções recairão pela forma como poderão comprometer aspirações.

Possível 11: LLoris; Doherty, Alderweireld, Dier, Davies; Lucas Moura, Sissoko, Højbjerg, Son; Dele Alli e Harry Kane.

Figura: Harry Kane – temível sempre que se aproxima da área, Kane não precisa sequer de pisar tais terrenos para somar golos. Com uma capacidade de remate inacreditável, a qual ainda alia agilidade e destreza para contornar oposição enquanto prepara essa finalização, Kane é um dos melhores na posição em todo o futebol mundial, e figura importante para materializar de forma eficaz a provável menor capacidade de criação de um Tottenham que viverá de saídas rápidas.

 

Arsenal

Arteta triunfou na parte final de 2020 e no regresso da competição na nova temporada. FA Cup e Supertaça são dois troféus de um treinador ainda em início de ciclo.

Resgatou para Londres o futebol apaixonante de um Arsenal que ainda assim por vezes se desequilibra em campo, não conseguindo não errar no momento defensivo, mesmo que seus elementos mais recuados estejam sempre protegidos pela cobertura que Xakha e Ceballos garantem à linha ofensiva.

De entre todas as equipa do Big Six deverá ser a única a apresentar-se num sistema que vai virando moda no Continente Europeu. Com três centrais, onde encaixará Gabriel Magalhães proveniente do Lille para concorrer com Pablo Marí, corredores laterais entregues à velocidade e potência de Bellerín (agora com o português, campeão da Europa Cédric como concorrente) e a Tierney, será na velocidade da frente de ataque que suportará muito das suas intenções.

Auba e Pepé tornam-se um quebra cabeças para qualquer defensiva sempre que o Arsenal invade zonas altas e ainda há Willian, recém contratado ao Chelsea. O brasileiro define como pouquíssimos em zonas de criação, somando também ele golos importantes.

Possível 11: Leno; Saliba, David Luiz, Magalhães; Bellerín, Xhaka, Dani Ceballos, Tierney; Willian, Pepé e Aubameyang

Figura: Aubameyang – aceleração, capacidade de drible, criação e golo. Muito golo. Primeiro jogador dos gunners a superar a barreira dos vinte golos em duas temporadas consecutivas pós Henry, o gabonês foi o segundo melhor marcador na temporada transacta na Premier League, e é o grande responsável pela boa performance ofensiva do Arsenal. Em Transição quando encontra espaços abertos ou mesmo quando tem de definir na grande área, Auba é sinónimo de desequilíbrio e golo.

 

Mas não acaba aqui:

James Rodriguez reforça o Everton que manterá Richarlison procurando a chegada ao Big Six, agora que contará com Allan junto de André Gomes no meio campo.

Marcelo Bielsa chega finalmente à sua Liga de sonho e contará com a aceleração e finalização de Rodrigo Moreno – a não perder de vista o médio Phillips, recém chamado à selecção inglesa.

O criativo Matheus Pereira chega à Premier League onde continuará a defender as cores do West Brom, e é também uma figura a ter em conta.

Nuno Espírito Santos viu reforçado o Wolves com mais dois jovens de nacionalidade portuguesa – se Fábio Silva poderá ainda ter dificuldades para poder entrar na equipa, Vítor Ferreira poderá tornar-se uma alternativa importante a João Moutinho e encontrar na Premier League um espaço para demonstrar todo o seu talento. Tudo isto enquanto Pedro Neto continuará a demonstrar todo o seu potencial, e Raul Jiménez a marcar golos.

No Leceister, Maddison juntar-se-à a Vardy numa dupla ofensiva verdadeiramente poderosa, enquanto Ricardo Pereira depois de recuperado da lesão poderá voltar a demonstrar o porquê de ser dos melhores da Premier League.